Celular em alto-mar: o estranho caso da brasileira que segue desaparecida na Inglaterra
A psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, está desaparecida há cerca de uma semana na Inglaterra
247 - A psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, está desaparecida há cerca de uma semana na Inglaterra. A brasileira foi vista pela última vez no dia 3 de março, após sair da Universidade de Essex, instituição localizada a aproximadamente 90 quilômetros de Londres. As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
De acordo com a Polícia de Essex, responsável pela investigação, os últimos movimentos conhecidos da psicóloga ocorreram quando ela embarcou em um ônibus por volta das 13h, na cidade de Wivenhoe, onde fica a universidade. Cerca de 30 minutos depois, Vitória desembarcou em Brightlingsea, município litorâneo da região.
Para auxiliar nas buscas, a polícia britânica divulgou imagens da brasileira registradas dentro do coletivo que fazia o trajeto. As autoridades também pediram ajuda da população local para verificar possíveis registros em câmeras de segurança de residências, veículos e estabelecimentos comerciais.
A superintendente Anna Granger, responsável pelo caso, destacou que a colaboração da comunidade pode ser essencial para esclarecer o desaparecimento."Vitória está desaparecida há quase uma semana, e a cada dia que passa, nossa preocupação aumenta", afirmou a superintendente em comunicado divulgado pela Polícia de Essex.
Segundo as autoridades, no momento em que foi vista pela última vez, a brasileira usava um casaco escuro, uma blusa azul de gola alta, calça jeans azul-clara e tênis pretos. Ela também carregava uma bolsa com a frase “People Over Profit” (“pessoas acima do lucro”, em tradução livre).
As investigações apontam ainda que Vitória pode ter circulado pela região do porto de Brightlingsea na noite do dia 3 de março. Desde então, não houve mais registros confirmados da presença da brasileira.
As equipes policiais realizam uma série de diligências, incluindo buscas de porta em porta, análise de imagens de câmeras de segurança e entrevistas com familiares e amigos. Em paralelo, amigos da psicóloga também mobilizam campanhas nas redes sociais para ampliar a divulgação do caso.
Em uma publicação em um perfil criado para apoiar as buscas no Instagram, uma amiga relatou que, no domingo (8), a polícia realizou uma operação no mar utilizando drones. Segundo ela, a conclusão inicial das autoridades indicou que Vitória não estaria na água.
Mesmo assim, familiares e amigos afirmam que seguem sem qualquer informação concreta sobre o paradeiro da psicóloga. Pessoas próximas também defendem que a quebra do sigilo bancário da brasileira poderia ajudar a identificar movimentações em seus cartões e reconstruir seus últimos passos antes do desaparecimento.
Vitória está fora do Brasil desde janeiro. Na ocasião, ela participou de um congresso no Marrocos representando o Brasil pelo Instituto Quatro Varas. Após o evento, seguiu viagem para a Inglaterra.
Desde o início de março, a psicóloga estava hospedada na cidade de Southend, na casa de uma amiga e professora da Universidade de Essex. No dia do desaparecimento, as duas haviam almoçado juntas e planejavam se reencontrar no fim da tarde.
No entanto, Vitória não compareceu ao local combinado e deixou de responder às mensagens. Familiares também afirmam que perderam contato com ela na mesma terça-feira, dia 3 de março.
Uma amiga próxima da psicóloga, Fernanda Silvestre, que divide moradia com Vitória em Fortaleza, revelou ter recebido um alerta de emergência enviado pelo celular da brasileira no dia do desaparecimento. O aviso indicava uma localização no mar, pois os aparelhos das duas estavam conectados."O último sinal de localização do iPhone dela indicou uma posição no mar, o que levanta uma preocupação muito grande de possível sequestro relacionado a tráfico humano", declarou.
Diante dessa informação, amigos defendem que as buscas também sejam ampliadas para áreas marítimas e portos de outros países europeus, considerando a possibilidade de sequestro ou tráfico humano.Vitória possui uma trajetória consolidada na área da psicologia. Formada em Psicologia Integrativa pela Universidade de Fortaleza (Unifor), ela também tem especializações em Terapia Familiar Sistêmica e Constelação pelo Instituto Militão, além de atuar como capelã pela CETEB.
Poliglota, a psicóloga também desenvolve trabalhos voltados à área comunitária e à formação profissional. Ela atua como instrutora certificada e professora de Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e Técnicas de Resgate da Autoestima (TRA) pelo MISMEC 4 Varas, conduzindo capacitações reconhecidas no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa.
Vitória também colabora como consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS), participando da sistematização da Terapia Comunitária Integrativa em parceria com um centro especializado em Lima, no Peru.O desaparecimento da brasileira também passou a ser acompanhado pelo Ministério das Relações Exteriores. Em nota divulgada no dia 5 de março, o Itamaraty informou que o caso está sendo monitorado pelo Consulado-Geral do Brasil em Londres.
Segundo o ministério, o consulado mantém contato com as autoridades britânicas e com a família da psicóloga, prestando assistência consular. O órgão acrescentou que, por questões de privacidade, não divulga detalhes sobre casos individuais envolvendo cidadãos brasileiros no exterior.