Centrais protestam contra reformas trabalhista e previdenciária

As oito centrais sindicais que representam a quase totalidade dos movimentos sindicais brasileiros, com o apoio de diversos organizações sociais, realizaram mobilizações em diferentes pontos de Porto Alegre para marcar o Dia Nacional da Paralisações; Guiomar Vidor, presidente estadual da CTB, diz que "em pleno século XXI, estamos vendo o governo trazendo de volta uma agenda da metade do século passado"; "Debates como jornada de trabalho de 60 horas semanais, 12 horas diárias, a flexibilização dos direitos trabalhistas que foram uma conquistas de 1943, através da Consolidação das Leis do Trabalho. Tudo isso está sendo ameaçado"

As oito centrais sindicais que representam a quase totalidade dos movimentos sindicais brasileiros, com o apoio de diversos organizações sociais, realizaram mobilizações em diferentes pontos de Porto Alegre para marcar o Dia Nacional da Paralisações; Guiomar Vidor, presidente estadual da CTB, diz que "em pleno século XXI, estamos vendo o governo trazendo de volta uma agenda da metade do século passado"; "Debates como jornada de trabalho de 60 horas semanais, 12 horas diárias, a flexibilização dos direitos trabalhistas que foram uma conquistas de 1943, através da Consolidação das Leis do Trabalho. Tudo isso está sendo ameaçado"
As oito centrais sindicais que representam a quase totalidade dos movimentos sindicais brasileiros, com o apoio de diversos organizações sociais, realizaram mobilizações em diferentes pontos de Porto Alegre para marcar o Dia Nacional da Paralisações; Guiomar Vidor, presidente estadual da CTB, diz que "em pleno século XXI, estamos vendo o governo trazendo de volta uma agenda da metade do século passado"; "Debates como jornada de trabalho de 60 horas semanais, 12 horas diárias, a flexibilização dos direitos trabalhistas que foram uma conquistas de 1943, através da Consolidação das Leis do Trabalho. Tudo isso está sendo ameaçado" (Foto: Leonardo Lucena)

Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - As oito centrais sindicais que representam a quase totalidade dos movimentos sindicais brasileiros, com o apoio de diversos organizações sociais, realizaram, na manhã desta quinta-feira (22), mobilizações em diferentes pontos de Porto Alegre para marcar o Dia Nacional da Paralisações. Os sindicalistas organizaram a manifestação, que se repetiu em diversas cidades do Brasil, para marcar o posicionamento contra as propostas de reforma da legislação trabalhista e da aposentadoria colocadas em discussão em Brasília pelo governo de Michel Temer (PMDB).

A mobilização começou ainda de madrugada, com o bloqueio das garagens da Carris e das principais empresas privadas de ônibus da Capital. Pelo acordado entre centrais e trabalhadores rodoviários, o objetivo era manter o bloqueio das garagens até as 7h. No entanto, por volta das 5h, a Brigada Militar interviu em frente à sede da Carris (Rua Albion) para fazer a liberação dos ônibus da companhia. Foram utilizados spray de pimenta e gás de efeito moral para dispersar os manifestantes. Posteriormente, por volta das 6h30, a BM intercedeu para liberar a garagem da empresa VTC, que opera linhas da bacia sul. As demais garagens foram liberadas às 7h, conforme o combinado. Simultaneamente, uma manifestação também promoveu o bloqueio da Ponte do Guaíba.

Após estes atos, os manifestantes seguiram em quatro caminhadas por diversos pontos da cidade – uma coluna passou pela Av. Bento Gonçalves, outra pela Av. Farrapos, a terceira pela Av. Azenha e a última pela Br-290 – em direção à Rodoviária. O primeiro encontro ocorreu entre dois grupos que marchavam pela João Pessoa. Até então seguindo em regime de bloqueio parcial, os manifestantes passaram a ocupar todas as pistas da avenida subindo em direção ao Centro, contornando o campus central da UFRGS, passando pelo Túnel da Conceição, até chegar à Rodoviária, depois de quase três horas do início da primeira caminhada. Ali, após uma espera de cerca de meia hora, também chegaram os grupos que vinham pela Farrapos e pela Br-20/Av. da Legalidade. Por volta das 10h, todos os grupos se uniram e seguiram a marcha pela Av. Mauá, encerrando o ato diante da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) e da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul.

De acordo com Guiomar Vidor, presidente estadual da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o ato fez parte de um calendário unitário das centrais sindicais para o enfrentamento das reformas previdenciária e trabalhista colocadas em discussão pelo governo Temer. “Nós, em pleno século XXI, estamos vendo o governo trazendo de volta uma agenda da metade do século passado. Debates como jornada de trabalho de 60 horas semanais, 12 horas diárias, a flexibilização dos direitos trabalhistas que foram uma conquistas de 1943, através da Consolidação das Leis do Trabalho. Tudo isso está sendo ameaçado. Estamos vivendo um momento em que o governo, pressionado pelos setores empresariais que aprovaram esse golpe institucional, tem como objetivo central a privatização da CLT”, afirma o sindicalista.

Para ele, os trabalhadores precisam demonstrar resistência e chamar a sociedade para o debate sobre as pautas colocadas no Congresso Nacional. “É impossível que a gente aceite esses projetos tão retrógrados, como a terceirização em todos os setores da atividade econômica, o que traz redução de salário, aumento de acidentes de trabalho, questão do trabalho escravo, enfim, toda uma desconstrução das relações de trabalho e do direito trabalhista”, afirma.

Claudir Nespolo, presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), avalia que as centrais conseguiram fazer uma “potente mobilização”.  “Estamos conseguindo dialogar com a sociedade sobre a pauta do conservadorismo, a pauta do Temer golpista, que é desmanchar a CLT e tirar direitos previdenciários”, disse. “O símbolo aqui é que tem oito centrais sindicais empenhadas em desalienar a população, não quantas pessoas têm”, complementou.

Além das centrais sindicais, o ato contou com a participação de movimentos de servidores públicos do Estado, da juventude e de trabalhadores do campo. Coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Cleonice Back, salienta que a união de trabalhadores do campo e da cidade é “fundamental para a defesa dos nossos direitos”.

Segundo ela, a grande preocupação para os agricultores familiares é a reforma da previdência. “Hoje, se tem uma idade mínima para as mulheres da agricultura familiar de 55 anos e, para os homens, de 60 anos. Se de fato passar essa proposta de alterar a idade mínima para 65 anos, as agricultoras familiares deverão trabalhar 10 anos a mais”, diz, acrescentando ainda que muitas desses trabalhadores iniciam nas lavouras aos 12 anos. “Quando chega aos 55 anos, aos 60, já não tem mais condições de saúde, pelo seu trabalho árduo, pela jornada dupla, tripla das mulheres, para desenvolver a agricultura familiar”.

Após falas de representantes de entidades diante da SRT, o ato foi encerrado antes do meio-dia.

Greve Geral

O ato de hoje foi considerado pelas centrais sindicais como uma preparação e um “esquenta” para uma possível greve geral. “Hoje é apenas um esquenta para a greve geral. A greve não é o objetivo. Se for necessário, nós vamos fazê-la”, diz Antonio Guntzel, secretário das Relações de Trabalho da CUT-RS. Questionado sobre o que então é necessário para que este movimento seja realizado, respondeu: “Se confirmar a pauta do ataque à CLT, se mantiver essa posição de aposentadoria aos 65 anos, se insistirem no tema da terceirização, não tem como não fazer uma greve geral”.

O presidente da CUT também ponderou que a greve geral não é o objetivo, mas sim o instrumento para pressionar o governo a retirar as pautas do Congresso. “Vamos aguardar o avanço das pautas, tanto sobre a PEC 241, como das terceirizações, que estão mais perto de serem aprovados, e vamos chamar a greve geral em sintonia com o avanço delas no Congresso”, disse Nespolo.

Questionado sobre a decisão do governo Temer de deixar para o ano que vem a reforma trabalhista, o que foi anunciado esta semana pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, Nespolo afirmou que se trata de uma “conversa fiada” do governo. Segundo ele, a aprovação do projeto que permite a terceirização da atividade fim, já aprovado na Câmara e em tramitação no Senado, já seria um grande ataque aos trabalhadores. “Eu não escutei ele falar que vai tirar esse aí. Está utilizando de dois discursos para nos enrolar”, afirma.

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