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Chesf refaz contas e reduz custos em até 30%

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) está fazendo as contas após a publicação da Medida provisória 579, pela presidente Dilma Rousseff, que deverá reduzir as tarifas do setor elétrico em mais de 20% a partir do próximo ano; Com as alterações, a estatal já está trabalhando para cortar até 30% de seus custos

Chesf refaz contas e reduz custos em até 30% (Foto: Edição 247)

Paulo Emílio_PE247 - A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) está fazendo as contas após a publicação da Medida provisória 579, pela presidente Dilma Rousseff, que deverá reduzir as tarifas do setor elétrico em mais de 20% a partir do próximo ano. Com as alterações, a estatal já está trabalhando para cortar até 30% de seus custos. “A estratégia é ajustar os custos a nova realidade da receita”, diz o presidente da companhia, João Bosco Almeida. Segundo ele, a expectativa atual gira em torno dos novos preços e das indenizações que serão definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a partir do dia 18 de outubro.

 “As concessões do setor vencem em 2015. A lei determina que os ativos voltem à União e em seguida sejam leiloados. O Governo decidiu renovar e as concessionárias que assim desejarem tem até o dia 18 de outubro para efetivar esta renovação. Mas a Aneel ainda não definiu nem o preço e nem o valor das indenizações. Foi definida apenas a metodologia para este cálculo. É com isto que estamos trabalhando. Mas já antecipamos várias medidas internas diante deste novo cenário, o que inclui um corte de custos  significativo”, explica Bosco.  Os cortes mais significativos serão feitos na rubrica que prevê gastos com terceirizados, estoques, operação de pessoal e aquisição de materiais, cuja previsão para este ano era de R$ 1,4 bilhão.

A Chesf tem razão em se preocupar. Dependendo do valor das indenizações e da tarifa a serem definidas pela Aneel, a companhia pode amargar um prejuízo que pode chegar a alguns bilhões de reais. Pela metodologia adotada, o preço das usinas será recalculado como se fossem construídas neste momento. Será aplicado então um índice de depreciação sobre este valor, fechando a conta.

Com um patrimônio de R$ 14 bilhões, a Chesf trabalha no escuro desde a publicação da Medida Provisória. Caso a medida não fosse publicada – inicialmente esta situação só seria revista em 2015 – a estatal teria um resultado positivo em seu balanço deste exercício de cerca de R$ 2 bilhões. No fechamento do último trimestre, a companhia apresentava um resultado 30% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

“Mas a MP vai causar um impacto que ainda não sabemos qual é. Se a indenização a ser definida for menor que o que consta no balanço, aí sim teremos um prejuízo. Se a indenização for igual ou superior não teremos maiores problemas”, comenta o presidente da Companhia.  Neste último caso, pelas contas da empresa, a capitalização poderá chegar a até R$ 6 bilhões, assegurando investimentos novos e já programados.