Cielo, campeão, enfrenta protestos de adversários

Nadador queniano sai da piscina de Xangai com os dois polegares para baixo, em protesto contra vitria, esta manh, do dolo brasileiro; houve algumas vaias das arquibancadas; ele no deve ter gostado do resultado da prova, ironizou Cielo, referindo-se stima colocao de Dunford

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247, com agências internacionais – Nem tudo foi festa, superação e alívio para o maior atleta brasileiro da atualidade. Após vencer os 50 metros borboleta, na manhã de hoje, em Xangai, o nadador Cesar Cielo foi alvo de vaias de parte da arquibancada – justamente o lugar reservado para atletas que não estavam competindo – e de um gesto pouco amistoso do queniano Jason Dunford, sétimo colocado na prova, que saiu da água com os polegares apontados para baixo, em sinal de crítica.

A reprovação de Dunford foi apoiada, pelo twitter, pelo sul-africano Roland Schoeman, campeão olímpico em Atenas-2004. "Tiro meu chapéu para @kenyaSwimmer, que demonstrou seus verdadeiros sentimentos após a final dos 50m borboleta. Um sentimento compartilhado pela maioria dos nadadores”, opinou o sul-africano.

Nem todos, porém, apoiaram a crítica de Dunford. “Gestos como esse do Dunford não melhoram as coisas em nada”, opinou o australiano Matthew Targett, medalhista de prata na prova. “Se cada um começar a expor seu ponto negativo, não sairemos dessa. Pouco importa se a decisão é justa ou injusta. O que Cielo acabou de passar é algo muito forte”, acrescentou o francês Frederik Bousquet, quarto colocado, citando a decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) de apenas advertir Cielo e os outros brasileiros flagrados em exame antidoping.

O próprio nadador brasileiro preferiu tentar passar ao largo da polêmica. Cielo disse não ter ouvido as vaias e fez menção ao sétimo lugar de Dunford na prova que ele venceu como real motivo do protesto. “Ele [Dunford] deve ter ficado bravo com o resultado da prova”, ironizou o brasileiro.

A medalha de ouro conquistada nesta segunda-feira é a primeira de Cielo no Mundial sem ser no estilo livre. Em Xangai, ele defenderá os títulos do 50m e 100m livre obtidos no último Mundial, em 2009.

Telhado de vidro – O brasileiro Cesar Cielo tem sido criticado sem cuidado por diversos de seus colegas da natação mundial. São poucos como o francês Frederik Bousquet que deixam o assunto fora das piscinas: “ninguém pode ficar expondo suas opiniões de qualquer jeito. Pouco importa se a decisão foi justa ou injusta. O que Cielo passou é algo muito forte”, disse o nadador. Mas nem todos agem da mesma maneira. O queniano Jason Dufort, que chegou na sétima colocação na prova de hoje dos 50m borboleta vencida por Cielo, saiu da piscina com os polegares para baixo, em sinal de reprovação – pelo seu fraco desempenho ou pela absolvição da Corte Arbitral do Esporte (CAE)? – como se estivesse em uma arena romana. E até quem já foi punido quer se fazer de inocente, como o americano Michael Phelps.

Punido? O multicampeão Phelps foi suspenso por três meses pelo envolvimento com maconha. Logo depois de conquistar o 14º ouro olímpico, em 2008, o americano foi flagrado ingerindo a substância, o que provocou a punição ao atleta. A droga, embora seja considerada ineficiente para a melhoria esportiva, é proibida socialmente. A federação de natação suspendeu Phelps pelo mau exemplo à comunidade esportiva. Na ocasião, poucos atletas se manifestaram. Mas, agora, Phelps preferiu atirar no seu telhado de vidro: “No final do dia, a única pessoa que controla seu corpo é você mesmo”, disse ele sobre o caso Cielo. Se a CAE absolveu Cielo, é porque aceditou nas provas apresentadas. E ela fechará o cerco nos próximos meses, o que mostrará quem tinha razão.

 

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