Cientistas mapeiam nervos do clitóris em estudo inédito
Pesquisa europeia revela estrutura completa em 3D do clitóris e pode orientar cirurgias, tratamentos e avanços no cuidado com a saúde feminina
247 - Um estudo europeu revelou, pela primeira vez, um mapa tridimensional completo da rede de nervos do clitóris, ampliando o conhecimento sobre a anatomia e o funcionamento do órgão. Divulgada pelo jornal O Globo e publicada na plataforma bioRxiv em março, a pesquisa é considerada um avanço relevante em uma área historicamente pouco explorada.
O trabalho foi liderado pela cientista Ju Young Lee, cerca de três décadas após o mapeamento dos nervos do pênis. Para obter os resultados, os pesquisadores utilizaram raios X de alta energia em pélvis doadas à ciência, gerando imagens tridimensionais de alta precisão.
A análise identificou cinco conjuntos principais de nervos, com cerca de 0,7 milímetro de diâmetro, distribuídos não apenas na glande, mas também no capuz do clitóris, no monte púbico e em outras áreas da vulva — diferentemente do que indicavam estudos anteriores.
Outro destaque é o comportamento do nervo dorsal, que mantém sua intensidade ao longo de todo o trajeto. “Este é o primeiro mapa 3D dos nervos dentro das glândulas do clitóris”, afirmou Lee em entrevista ao jornal The Guardian.
Apesar de sua importância para a saúde feminina, o clitóris só passou a aparecer com mais regularidade em livros de anatomia a partir de 1995, refletindo lacunas históricas na pesquisa científica.
Segundo os autores, o mapeamento pode impactar diretamente a prática médica, ao ajudar a evitar lesões em cirurgias pélvicas e preservar a sensibilidade. Também pode contribuir para o tratamento de vítimas de mutilação genital feminina, que atinge mais de 230 milhões de mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.