Ciro critica o governo, as “elites plutocratas” e a oposição “golpista”
Bem ao seu estilo metralhadora giratória, Ciro Gomes (PDT) deu entrevista à revista Carta Capital com duras críticas ao governo, às “elites plutocratas brasileiras” e à oposição “golpista”, e diz não saber se é mesmo candidato em 2018. "Haverá um processo violentíssimo de desconstrução. Não tenho rabo de palha, mas não sei se tenho mais apetite para enfrentar esse tipo de coisa". Sobre a presidente Dilma, o ex-governador do Ceará declarou que "mesmo o mais picareta dos nossos adversários sabe que Dilma é uma senhora honrada"
Ceará247 - Na avaliação do ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), "o governo administra muito mal a economia e as suas responsabilidades. E passa um sinal desagradável para a sociedade, que em sua maioria votou nesse governo. Isso gera certa raiva e rancor, em cima dos quais o moralismo a serviço da imoralidade e o golpismo inerente às elites plutocratas brasileiras começam a formular as suas estratégias de interrupção da democracia".
Ciro Gomes fez essas declarações em entrevista à revista Carta Capital, falando sobre o atual momento politico brasileiro, quando aborda o ajuste fiscal, a tentativa de golpe, a questão da mídia no Brasil e sua possível candidatura em 2018, entre outros temas. Na entrevista, Ciro não poupa o presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que classifica de picareta-mor da República e representante de uma maioria de corruptos, e defende a seu modo a presidente Dilma Rousseff. "Impeachment não é a solução para governo ruim, para governo que a gente não gosta... E mesmo o mais picareta dos nossos adversários sabe que Dilma é uma senhora honrada e que não dá para acusá-la de ter cometido crime de responsabilidade, muito menos dolosamente".
Falando sobre o ajuste fiscal, Ciro Gomes critica a posição da esquerda brasileira. Para ele, "a saúde fiscal do País está abalada, e é ruim na esquerda tradicional antiga brasileira o descompromisso com esses valores, como se isso fosse uma coisa lateral ou secundária". Sobre o Congresso, é duro na avaliação. "O Congresso em vez de enfrentar a despesa mais criminosa e imoral de todas, a despesa com os juros para o financiamento dos bancos, vem propor cortes no Bolsa Família. Isso é bem a cara da plutocracia escravagista brasileira. Eles perderam o pudor na medida em que nós, deste lado, estamos falhando na tarefa de administrar a economia, na tarefa de passar um sinal de decência no trato da coisa pública e na tarefa de sinalizar esperança para o futuro da sociedade brasileira".
Sobre sua candidatura em 2018, deixa a possibilidade em aberto - "admito ser candidato se eu entender ser essa a minha responsabilidade e que outros não possam fazer melhor". Mas considera que será um quadro muito nebuloso. "A preço de hoje será um 2018 algo parecido com 1989. Os grandes partidos completamente desmoralizados e um conjunto de experiências tentando galvanizar essa indignação moral, tentando manipulá-la, como foi o caso de Collor".
Veja na íntegra da entrevista de Ciro Gomes à Carta Capital
