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Com vista para Miami e além

Com real forte no bolso, brasileiros j lideram investimentos em imveis de luxo na ensolarada cidade americana e contemplam Europa. Mas a compra ainda requer cautelosa avaliao

Com vista para Miami e além (Foto: SHUTTERSTOCK)
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Luciane Macedo _247 - Com 20 anos de experiência no mercado imobiliário americano, a brasileira Gabriela Haddad, que atua como consultora de imóveis para investidores estrangeiros nos Estados Unidos, não se cansa de citar os valores do metro quadrado que fazem brilhar os olhos dos brasileiros interessados em adquirir um imóvel na ensolarada Miami, seja um refúgio de férias de frente para a praia, na badalada South Beach, um apartamento no coração da "Wall Street do Sul" ou uma das milhares de casas que os americanos perderam, impossibilitados de continuar pagando seu financiamento desde a crise de 2008 -- residências típicas que muitos brasileiros também estão procurando como opção de investimento, para alugar, além dos apartamentos.

Nem mesmo uma possível alta do dólar ou arrefecimento da apreciação do real frente à moeda americana, sem falar na legislação de lá, bem diferente da brasileira, tem intimidado o público-alvo da advogada e fundadora do Halmoral Group. São brasileiros das classes A e B, que já frequentam Miami, e cujos investimentos na cidade já provocaram, segundo o jornal Financial Times, uma valorização de 50% no preço das propriedades.

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"O mercado é muito cíclico, já vi Brasil e Estados Unidos em extremos opostos de altas e baixas em várias ocasiões", comenta Gabriela, que também tem escritório em São Paulo. "No Brasil, os apartamentos em regiões nobres de São Paulo e Rio de Janeiro estão bem mais caros, e não têm toda a estrutura de um apartamento americano, que já vem com a cozinha toda equipada com armários, forno, geladeira e microondas", acrescenta.

Segundo o índice Fipe Zap, que divulga mensalmente o preço do metro quadrado de apartamentos em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza e Recife) e no Distrito Federal, os dez imóveis mais valorizados em outubro estão todos localizados em bairros nobres da capital fluminense. O preço do metro quadrado varia de R$ 18.569, para apartamentos de quatro dormitórios no Leblon, a R$ 13.504, para imóveis do mesmo tipo situados na Lagoa. São Paulo aparece em 11º lugar no índice, também com apartamentos de quatro dormitórios, no bairro do Jardim Paulistano -- com metro quadrado avaliado em R$ 13.387. "Em Brickell, que eu compararia ao bairro dos Jardins, em São Paulo, o metro quadrado de um apartamento todo equipado custa U$ 4,800", compara Gabriela. No luxuoso Ritz-Carlton Residences, em Singer Island, o metro quadrado custa a partir de US$ 5 mil, segundo o Halmoral Group.

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"As oportunidades no mercado americano não vão durar indefinidamente, e o pulo do gato para se fechar um bom negócio é justamente o momento da compra". Desde setembro de 2008, os imóveis em Miami estão com preços entre 40% e 60% depreciados, apesar da recente valorização provocada pelos brasileiros, que já lideram esse mercado de compradores estrangeiros, perdendo apenas para os canadenses. Mas o foco de negócios dos vizinhos do Norte são propriedades mais baratas, para alugar, enquanto que os brasileiros estão mais interessados em realizar um sonho de luxo -- 85% pagam à vista.

Diante da grande oferta de imóveis em Miami e do crescente interesse dos brasileiros, a Abyara, da Brasil Brokers, fechou uma parceria com o Halmoral Group para comercializar o primeiro empreendimento especialmente direcionado ao Brasil. O Artécity, em South Beach, é um complexo residencial de cinco blocos, a poucas quadras da praia, e as unidades saem a partir de US$ 300 mil. Mas os apartamentos, que variam muito na planta, metragem e número de dormitórios, podem chegar a custar mais de US$ 2 milhões. A proposta com o Artécity é contemplar desde o primeiro comprador até o mercado de luxo.

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"Estimamos iniciar as vendas em meados de dezembro, já começamos o treinamento dos corretores para que eles possam passar aos brasileiros todas as particularidades do projeto", diz Paola Alambert, diretora de Marketing da Abyara. "As pessoas se identificam muito com Miami, é a cidade ideal para um primeiro empreendimento, mas temos a expectativa de ir para Nova York e outras cidades americanas".

"Hoje o preço por metro quadrado em Miami é mais baixo que uma região nobre em São Paulo ou no Rio de Janeiro", reforça Bruno Vivanco, diretor de Novos Negócios da Abyara. "Quem aproveitar a oportunidade já está comprando abaixo do valor histórico do imóvel, então a chance de fazer um grande negócio é muito grande". Assim como Gabriela, Paola também chama a atenção para os ciclos do mercado imobiliário. E assinala: "Tem época em que o dólar está muito caro e fica inviável comprar, hoje temos uma oportunidade não muito comum".

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Gabriela tem como sócia no Halmoral Group a também advogada Tatiana Mosaner, que tem especialização em Direito Imobiliário. O grupo auxilia os compradores com todo o suporte jurídico necessário para fechar negócio, passando pela documentação geral e análise de contratos às particularidades da legislação americana.

A Coelho da Fonseca, que vende imóveis no exterior para brasileiros há mais 20 anos e é representante exclusiva da Christie's International Real Estate no país, reestruturou sua unidade internacional recentemente, diante do aumento da demanda, para prestar assessoria jurídica especializada aos interessados no mercado internacional.

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A imobiliária brasileira tem imóveis à venda não só em Miami, mas também em Nova York, Punta del Este e Paris, além de propriedades de luxo em quintas portuguesas e apartamentos em diversas regiões de Portugual. Todas têm atraído crescente interesse de brasileiros interessados em fechar negócio, segundo a assessoria da imobiliária. Em Paris, há apartamentos no coração do 7e arrondissement, ao lado da Ponte L'Alma, por 750 mil euros. Em Nova York, os preços dos apartamentos de luxo com vista para o Central Park são superiores a US$ 3 milhões.

De acordo com os corretores especializados nesse mercado, a intenção dos investidores brasileiros, seja em Miami ou Paris, não é vender esses apartamentos em curto prazo, mas realizar um desejo aproveitando uma oportunidade de mercado e o real forte no bolso. Especialmente em Miami, quem compra para investir espera pela revalorização dos preços no longo prazo, quando o imóvel poderá ser revendido aos americanos com realização de lucro. Quem compra apartamentos só para passar as férias na cidade também pode alugá-los durante os meses de vacância.

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Mas, dentro de cinco, seis anos ou mais, muita coisa pode acontecer. E os altíssimos impostos sucessórios cobrados nos EUA, que podem chegar a quase metade do valor do imóvel, devem ser um fator a considerar antes da compra. Especialistas nesse tipo de tributação, que varia de um Estado americano a outro, recomendam que os investidores façam as aquisições como pessoas jurídicas para evitar o imposto sobre sucessão e ter um abatimento em outros encargos tributários. Mas a opção mais adequada a cada caso deve ser sempre cuidadosamente avaliada com as assessorias jurídicas das imobiliárias, escritórios de advocacia com representações no exterior ou empresas especializadas em gestão de fortunas.

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