HOME > Geral

Começa a hora da verdade para um mestre da mentira

"Vivo o pior momento da minha vida", inicia o senador Demóstenes Torres diante da Comissão de Ética do Senado; "espero me soerguer", completou; ele terá a palavra inicial e todo o tempo que quiser usar; relator Humberto Costa tem 100 perguntas feitas previamente; senador Fernando Collor na primeira fila; advogado Kakay ao lado do réu; "o senhor representou a decência e a ética", disse presidente Antonio Carlos Valadares

Começa a hora da verdade para um mestre da mentira (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

247 – A hora da verdade começou para o senador Demóstenes Torres, um mestre da mentira. Pouco depois das dez da manhã, teve início a sessão da Comissão de Ética do Senado que julga a quebra de decoro pelo político, agente mais vistoso e elevado do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Nos primeiros minutos de seu depoimento, Demóstenes procurou uma linha emocional para abordar a Comissão."Eu vivo o pior momento da minha vida. Tive depressão, tomei remédios para dormir que não funcionam, pensei em renunciar ao meu mandato", iniciou. Ele não negou a amizade com o contraventor Carlinhos Cachoeira, mas sustentou que não sabia das atividades ilegais dele:

"Eu não tinha lanterna na popa, o que eu sabia é que me relacionava com um empresário que tinha contato com vários governadores, que tinha vida social. Hoje, com lanterna na popa, é possível ver o que há, mas antes, com lanterna na proa, era impossivel ver". E completou: "Reafirmo que tinha amizade com ele, sim".

Demóstenes, em seguida, lembrou sua atuação como senador. "Relatei mais de 200 proposições legislativas, relatei projetos importantes como o Estatuto do Idoso, a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso a Dociumentos Públicos. Se resisti até esse momento para chegar aqui é porque eu queria responder as senhoras e aos senhoras, as dúvidas que o Brasil tem, que a minha família também tem. Eu só pude chegar até hoje porque redescobri Deus".