Comissão critica falta de transparência do governo Alckmin
Grupo diz que movimento criado pelo governador tucano há um mês em resposta à denúncia da Siemens sobre cartel no setor metroferroviário foi ato marqueteiro; “Em termos de resultado, o trabalho tem sido pouco efetivo", disse Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos
247 – A comissão criada no mês passado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para ser uma resposta às suspeitas do propinoduto no Estado já é criticada por seus próprios integrantes.
Formado por 12 entidades da sociedade civil e coordenado pela Corregedoria-Geral da Administração (CGA) - órgão de controle e correição do Estado -, o Movimento Transparência foi criado no momento em que a Siemens denunciou a existência de um cartel em contratos de trens e metrô com gestões tucanas desde o governo Mario Covas (1998).
Para tentar distanciar seu governo do esquema, Alckmin anunciou que o Estado processaria a empresa alemã, para que os cofres públicos fossem ressarcidos. Os contratos no sistema metroferroviário foram superfaturados em até 30%.
No entanto, integrantes da comissão dizem que o 'movimento' foi criado pelo governador para dar publicidade. "Em termos de resultado, o trabalho tem sido pouco efetivo", afirmou Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, que integra a comissão. Segundo ele, a Corregedoria não tem divulgado os dados necessários.
"Aquele nome (Transparência) foi ideia de algum marqueteiro do Palácio (dos Bandeirantes)", acrescentou Claudio Weber Abramo, presidente da ONG Transparência Brasil.