Comitê repudia decisão que permite desfile de grupo fascista no Carnaval de SP

O Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, diz repudiar veementemente a decisão da juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, que permite o desfile neste Carnaval de um grupo fascista, auto denominado Porão do Dops; o grupo faz apologia à tortura e enaltece reconhecidos torturadores, que atuaram na ditadura militar; segundo o comitê, a decisão judicial "contribui para a agressão ao estado democrático de direito, possibilitando a disseminação de ódio nas ruas da capital paulista"

O Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, diz repudiar veementemente a decisão da juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, que permite o desfile neste Carnaval de um grupo fascista, auto denominado Porão do Dops; o grupo faz apologia à tortura e enaltece reconhecidos torturadores, que atuaram na ditadura militar; segundo o comitê, a decisão judicial "contribui para a agressão ao estado democrático de direito, possibilitando a disseminação de ódio nas ruas da capital paulista"
O Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, diz repudiar veementemente a decisão da juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, que permite o desfile neste Carnaval de um grupo fascista, auto denominado Porão do Dops; o grupo faz apologia à tortura e enaltece reconhecidos torturadores, que atuaram na ditadura militar; segundo o comitê, a decisão judicial "contribui para a agressão ao estado democrático de direito, possibilitando a disseminação de ódio nas ruas da capital paulista" (Foto: Leonardo Lucena)

SP 247 - O Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, que reúne ex-presos políticos e ativistas de direitos humanos, emitiu nota repudiando veementemente a decisão da juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, que permite o desfile neste Carnaval de um grupo fascista, auto denominado Porão do Dops. O grupo faz apologia à tortura e enaltece reconhecidos torturadores, que atuaram na ditadura militar.

"Consideramos que a decisão da juíza Daniela, além de desrespeitar a memória das vítimas que tombaram dentro das masmorras da ditadura e os ex-presos que sobreviveram às sevícias de torturadores, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e o delegado Sérgio Paranhos Fleury, ídolos desse grupelho fascista, ainda contribui para a agressão ao estado democrático de direito, possibilitando a disseminação de ódio nas ruas da capital paulista", diz o texto.

De acordo com matéria publicada pelo Jornalistas Livres, o Bloco enaltece pessoas como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e o policial Sergio Paranhos Fleury. Os cartazes de divulgação do Bloco Carnavalesco trazem imagens dos dois torturadores. O nome "Porões do Dops" refere-se às câmaras de suplícios clandestinas, instaladas nos Departamentos de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram levados adversários da Ditadura.

Segundo o comitê, "não bastasse tudo isso, a juíza em seu veredito, ao conceder a liminar que autoriza o desfile, ainda demonstrou ignorância ou má-fé". "Diz ela que as pessoas enaltecidas pelo bloco Porão do Dops 'sequer foram reconhecidas judicialmente como autores de crimes perpetrados durante o regime ditatorial'", acrescenta.

"Como pode a juíza Daniela desconhecer a decisão da Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que confirmou, por unanimidade, a sentença de primeira instância, que reconheceu o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra como notório torturador?", questiona. "Com sua decisão, a magistrada revela, também, que se manteve alheia ao relatório da Comissão Nacional da Verdade, que investigou os crimes da ditadura e apontou tanto Ustra quanto Fleury, como reconhecidos torturadores de ativistas que lutaram contra a ditadura militar".

"Em tempos de condenação sem provas e indulgência a criminosos, o Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça reitera sua luta pela punição dos torturadores e sua posição de nenhuma concessão a apologistas da tortura e dos agentes de Estado que perpetraram violações aos direitos humanos", complementa. "Por tudo isso, nos somamos a todos aqueles que estão unidos para impedir esse desfile macabro, numa festa popular, que nasceu como resistência aos do andar de cima. Fora Porão do Dops!".

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