Como Paulo Coelho demitiu Sabino em 1990

O escritor brasileiro mais bem-sucedido de todos os tempos bate boca na internet com um dos piores exemplares da classe, que acaba de ser expelido do comando deVeja; Paulo Coelho s no sabia que, h mais de duas dcadas, foi o piv da demisso de Mario Sabino da Isto

Como Paulo Coelho demitiu Sabino em 1990
Como Paulo Coelho demitiu Sabino em 1990 (Foto: Divulgação)
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247 – Há uma guerra de egos inflados no meio literário brasileiro, que se espalha pela internet. Paulo Coelho, o escritor mais bem-sucedido que o Brasil já produziu, bate boca com Mario Sabino, ex-redator-chefe da revista Veja e um autor fracassado para os padrões comerciais do “mago”. Coelho vendeu milhões de exemplares. Sabino produziu livros que só conseguiam ser elogiados enquanto ele exercia seu poder como editor de cultura de Veja e, posteriormente, o cargo de redator-chefe da mesma publicação. Fora da revista de maior tiragem do País, Sabino começou a sofrer críticas devastadoras. A primeira, publicada no sisudo jornal Valor Econômico há uma semana, não encontrou outra palavra a não ser “escroto” para definir o trabalho literário de Sabino. Em seguida, Paulo Coelho definiu o romance “O vício do amor”, o mais recente de Sabino, como "insuportável". Foi até mais comedido.

De fato, trata-se de um livro insuportável da primeira à última linha – à qual poucos leitores conseguirão chegar. É um livro que começa com um protagonista revelando suas frustrações com mulheres – que acabam sempre sendo “chupadas por judeus” – e que depois mergulha numa filosofia de botequim, com citações de pensadores como Schopenhauer. A crítica sincera de Paulo Coelho, porque insinceros eram todos os elogios recebidos apenas quando Sabino estava em Veja, recebeu do autor de “O vício do amor” o seguinte post em seu blog quase clandestino na internet – que só não é clandestino, porque o amigo Reinaldo Azevedo não permite:

Paulo Coelho e a vingança

Caros amigos que acompanham meu trabalho literário, em 1990, quando era editor de Cultura da revista Istoé, exerci meu direito de crítica ao escrever que um dos livros de Paulo Coelho era muito, muito ruim. Para vocês terem uma ideia, eu nem me lembro do título. Mas, aparentemente, Coelho jamais conseguiu superar esse fato irrelevante na sua trajetória de sucesso. Como editor-executivo de Veja, pautei matérias (de capa, inclusive) para comentar o êxito do mago no exterior, sem deixar que minha opinião pessoal sobre seus livros se impusesse. De lá para cá, tivemos alguns contatos telefônicos e por email, todos muito simpáticos. Por isso, surpreendi-me com os tweets virulentos que ele postou contra mim, afirmando que eu era um escritor “insuportável” e também um sujeito “vingativo”. Para reforçar essa última, digamos, opinião, ele colocou um link para a página de um blogueiro que está sendo processado por mim, por calúnia e difamação. Coelho talvez não saiba que, por causa do link, eu também poderia processá-lo, coisa que não farei. Só gostaria de dizer que, talvez por eu não fazer mais parte da direção de Veja, Coelho se sentiu à vontade para atacar-me, no que só posso interpretar como uma vingança à longínqua resenha escrita por mim em 1990. O vingativo, pois, é ele. Não importa, continuo a defender que haja espaço para os livros de Coelho, mesmo que não goste deles. E apenas posso lamentar que ele me ache um escritor “insuportável”. Coelho tem o direito de mudar de opinião. Em maio de 2010, como escreveu a mim, a avaliação dele sobre o meu trabalho literário era oposta, como pode ser visto na troca de emails que reproduzo abaixo. Na ocasião, o elogio foi a meu segundo livro de contos, “A Boca da Verdade”, o último publicado antes do meu último romance, “O vício do amor”. Apesar de tudo, mando o meu abraço a Coelho, que se deixou tragar pela vingança, mas com certeza já deve ter recobrado o bom senso.

Mario Sabino

Mario Sabino só não menciona que este mesmo episódio motivou sua própria demissão da revista Istoé. Na crítica, ele terminava a sucessão de ataques a Paulo Coelho dizendo algo como “cada país tem o escritor que merece”. Domingo Alzugaray, publisher da Editora Três, não aceitou que um ataque a um autor se dirigisse também aos seus leitores. E o único traumatizado do episódio talvez tenha sido o próprio Sabino, que adoraria viver em país cujos leitores apreciassem sua obra literária.

Mas este país de masoquistas, felizmente, não existe.

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