Conheça mais sobre o transtorno bipolar
As formas bipolares são convencionalmente classificadas em 3 categorias: o tipo I (mais grave) com episódios maníacos francos ou mistos, mas recorrentes e episódios depressivos importantes; o tipo II com episódios de hipomania atenuados e episódios depressivos que desta vez, são recorrentes; o tipo III, com uma mudança de humor (mania) após a prescrição de um medicamento antidepressivo, sem vulnerabilidade especial do paciente para episódios maníacos e depressivos
Equipe Le Figaro Santé
A terminologia oficial "transtornos bipolares" vem enfatizar, pelo uso do plural, a diversidade das descrições clínicas e, pela palavra distúrbios (ao invés de doença) a ausência de determinada origem orgânica desta condição.
Os episódios depressivos (francos, melancólicos) e/ou maníacos ocorrem após períodos de cura, e considera-se que estas duas formas de episódios são duas expressões extremas e opostas da mesma doença
Fala-se geralmente de formas unipolares, com episódios recorrentes de depressão na maioria das vezes; estas formas apresentam um risco de suicídio elevado.
As formas bipolares (com um risco elevado de dessocialização na ausência de tratamento) são convencionalmente classificadas em 3 categorias :
- o tipo I (mais grave) com episódios maníacos francos ou mistos, mas recorrentes e episódios depressivos importantes;
- o tipo II com episódios de hipomania atenuados e episódios depressivos que desta vez, são recorrentes; o episódio hipomaníaco se caracteriza pelos mesmos sintomas que o acesso maníaco mas com um resultado sobre o funcionamento social menos importante.
- o tipo III (correspondente a um episódio iatrogênico), com uma mudança de humor (mania) após a prescrição de um medicamento antidepressivo, sem vulnerabilidade especial do paciente para episódios maníacos e depressivos.
Como funciona?
As origens ainda não são muito conhecidas.
Até agora, não há resposta unânime e determinada relativa à origem orgânica da doença.
O caráter hereditário faz menção de alguma possível origem inata, genética; enquanto outros pensam que são características adquiridas, o histórico do paciente pode explicar a doença.
A doença bipolar representa, nas fases depressivas ou maníacas, uma mesma perda extrema de controle no comportamento, na fala e nos impulsos.
Às vezes, num modo inibido, interiorizado e uma tendência ao isolamento; às vezes num modo expansivo, exteriorizado, com uma pesquisa de reações por uma busca em vão de uma companhia que poderia ser receptiva.
A prevalência do distúrbio bipolar ao longo da vida é de 1 a 2 %. Ela refere-se tanto a homens como mulheres.
O que sinto?
A alternância entre acesso depressivo e acesso maníaco e, sobretudo o risco de recaída.
Os acessos maníacos e depressivos são definidos como nos capítulos correspondentes.
A principal dificuldade é que na doença bipolar, uma recaída é sempre possível e deve ser tratada rapidamente.
O sentimento de segurança é quase inexistente para a o círculo social enquanto a insegurança da situação não é sempre percebida pelo paciente, que pode ter tendência a banalizar a doença.
O acompanhamento psicoterapêutico permite trabalhar essas questões. Ao ajudar o paciente a tomar consciência da doença e a reconhecer os sinais de alerta dos episódios, o paciente pode levar uma vida normal, tendo o suporte necessário em caso de uma recaída.
O tratamento de estabilização de humor, se não forem removidos os episódios, é mais eficaz na intensidade dos episódios e na frequência das recidivas, e permite desfrutar de períodos longos de cura.
O tratamento estabilizador de humor, se não forem removidos os episódios é mais eficaz na intensidade dos episódios e da frequência de recidivas, e permite-lhe desfrutar de longos períodos de cura.
Talvez seja em seus projetos de vida onde pessoas que sofrem de doença bipolar têm mais dificuldades para se posicionar, mas o risco de ocorrência dos episódios não deve prejudicar seu percurso.
Uma avaliação médica e biológica poderá eliminar a origem orgânica dos transtornos.
Uma busca por tóxicos, uma ressonância magnética cerebral e um eletroencefalograma podem eliminar a maioria das outras causas da doença.
Qual o tratamento?
O tratamento do acesso maníaco é uma emergência terapêutica.
O tratamento é ao mesmo tempo medicamentoso e não medicamentoso. Ele é geralmente prescrito para a vida toda.
Durante episódios depressivos associados à psicoterapia, os anxiolíticos e os antipressivos e em certas situações difíceis, a eletro-convulso terapia permite a recuperação do paciente.
Em episódios maníacos, os sedativos neurolépticos, os hipnóticos e os estabilizadores de humor, combinados com a psicoterapia conduzem à regressão do episódio.
Em longo prazo, são utilizados estabilizadores de humor (lítio, valproatos, e, em caso de contraindicação, alguns neurolépticos; e de acordo com algumas escolas, em casos de ciclos rápidos, se o benefício justificar os riscos, a carbamazepina) para reduzir os riscos de recaída e sua duração.
Durante as recaídas é preciso considerar uma internação psiquiátrica (à força, caso necessário), com reidratação se necessário e prevenção do risco de suicídio.
Uma proteção dos bens pode ser considerada: uma salvaguarda de justiça em caso de acesso maníaco agudo e em algumas circunstâncias, a colocação sob curadoria.
Uma psico reeducação pode ser oferecida ao paciente e aos seus familiares: acima de tudo, ela permite antecipar os sintomas por diagnóstico precoce e melhorar o cumprimento dos tratamentos que é absolutamente crucial.
Como funciona a evolução?
A evolução está diretamente relacionada à observânicia dos tratamentos.
Os episódios depressivos ou maníacos duram espontaneamente de 6 a 8 meses, e podem ser reduzidos pela metade com um tratamento.
Por um lado, o risco é constituído pelo risco de suicídio e, por outro lado, pela dessocialização e a perda de marcas emocionais. Cada episódio corresponde a um maior risco ligado ao componente depressivo ou maníaco da doença.
Em longo prazo, as complicações estão também relacionadas ao abuso de substâncias tóxicas e álcool.
A atividade da doença não permanece estável ao longo da vida.
A doença bipolar pode atenuar-se e já não necessitar mais de internação; mas ela pode piorar até reduzir completamente os períodos sem crises e ameaçar a integração social e profissional. Nestas situações, o estabelecimento de uma deficiência ou de tutela pode surgir para evitar a degradação das condições de vida do paciente.
Como viver com ele?
O transtorno bipolar é uma doença crônica que tem um tratamento eficaz
A maioria dos pacientes bipolares tem boa integração social e profissional: entre os ataques, a pessoa pode levar uma vida perfeitamente normal.
Para estes pacientes é extremamente arriscado interromper seu acompanhamento psiquiátrico mesmo na ausência de sintomas ou de tratamento medicamentoso, ou se um bem-estar pode ter ofuscado os episódios patológicos.
O tratamento medicamentoso deve ter um acompanhamento muito preciso e sua conformidade deve ser de boa qualidade, mesmo no desaparecimento dos sintomas.
De modo geral, recomenda-se aos pacientes com doença bipolar evitar o comprometimento de seu equilíbrio mental:
- evitar os estimulantes (do tipo café, guaraná, etc…),
- evitar as substâncias tóxicas (álcool e outros produtos) por causa do efeito psicológico durante a intoxicação e o ressurgimento da ansiedade durante a retirada.
- evitar a privação do sono que também pode ser muito perturbadora; é aconselhável ir dormir em horário fixo.
É importante saber reconhecer seus sintomas e, em particular, os relacionados ao acesso maníaco que muitas vezes, são difíceis de aceitar.
Como faço para me proteger?
A prevenção da doença bipolar é realizada somente depois que os sinais forem constatados.
Não há meios para diagnosticar com antecedência, o aparecimento dos sintomas da doença bipolar. Os efeitos colaterais dos estabilizadores de humor são também muito importantes para que sejam prescritos em caráter preventivo.
Se ele tiver sido solicitado após um mal estar mal rotulado ou por uma outra razão, é de responsabilidade do clínico geral ou do psiquiatra acompanhar a evolução da psique do paciente e decidir pela introdução de um tratamento medicamentoso.
Situações semelhantes podem justificar o tratamento ou não, conforme o contexto do paciente e da relação risco-benefício.
Por que eu?
A hereditariedade é frequentemente mencionada em transtornos bipolares.
Embora muitas vezes seja relatada uma hereditariedade na doença bipolar, no estágio atual de conhecimentos, é impossível dizer se é um risco transmitido de modo genético ou se ele seria originário de estilos de vida e formas de pensamentos transmitidas ao paciente por seus antepassados e seu ambiente.
A ocorrência de episódios sazonais foi capaz de trazer a influência de fatores hormonais ligados à regulação do sono, mas no geral, é difícil encontrar fatores de riscos confiáveis nas doenças bipolares.
A dificuldade se deve principalmente ao atraso no diagnóstico e no fato em reconhecer episódios muito diferentes como uma mesma doença.
Quem trata?
Psiquiatria
Várias partes interessadas estão presentes na área da saúde mental. Elas diferem uma das outras em vários pontos, incluindo sua formação e meios de intervenção.
O primeiro ponto que distingue os vários especialistas na área é o quadro jurídico que protege e controla o título e o exercício de sua profissão. Somente os títulos de psiquiatras e de psicólogos têm uma regulamentação oficial.
Primeiramente, o psiquiatra é um médico especializado em psiquiatria. Ele é treinado no diagnóstico e no tratamento de transtornos mentais graves, necessitando na maioria das vezes, uma prescrição medicamentosa. Como médico, somente ele é capacitado para prescrever medicamentos. As consultas que ele fornece são suportadas pela Previdência Social.
A psiquiatria geriátrica (psiquiatria dos idosos) e a psiquiatria infantil (psiquiatria das crianças) são especialidades que fazem parte da psiquiatria.