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Conheça melhor o tatu-bola, inspiração para o mascote da Copa

Para a Associação Caatinga, entidade não governamental que fez a campanha pelo animal, a escolha é uma vitória para todos os que defendem o meio ambiente

Conheça melhor o tatu-bola, inspiração para o mascote da Copa (Foto: Divulgação)
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Carol Delmazo _Portal da Copa - "Irreverente, original. E já caiu nas graças dos brasileiros". Assim o secretário executivo da Associação Caatinga, Rodrigo Castro, define o tatu-bola, um mamífero de até 50 cm de comprimento e de, no máximo 1,2 kg. O bichinho não sabe cavar tocas, mas enrola-se num formato de bola para se defender. Antes apenas mais um animal da fauna brasileira, o tatu-bola vai ganhar fama mundial:  foi escolhido como inspiração para a mascote da Copa do Mundo da FIFA de 2014.

A Associação Caatinga, entidade sem fins lucrativos que trabalha pela preservação do bioma caatinga (localizado no Nordeste brasileiro, caracterizado por uma vegetação adaptada a um volume baixo de chuvas), está em festa em Fortaleza. A organização foi a responsável pela campanha para a escolha do tatu-bola como mascote. "A satisfação é grande. Temos uma ótima oportunidade nas mãos de contribuir, por meio da Copa, com o meio ambiente. A gente acredita que o tatu-bola é um porta-voz da necessidade de se proteger a caatinga", diz Castro.

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Campanha

Fim de janeiro de 2011. A Associação Caatinga estava reunida para identificar oportunidades e  discutir questões ambientais em virtude do Mundial. Surgiu, então, a ideia de propor uma mascote. "Quando disseram tatu-bola, houve um silêncio. Todo mundo concordou na hora. Ele é o único mamífero que assume o formato de bola. E a bola é protagonista da Copa", conta Rodrigo.

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A ideia virou campanha na internet, especialmente nas redes sociais. Aos poucos, o apoio de sites, blogs, portais foi crescendo. A divulgação na mídia também. Primeiro, nos meios de comunicação de Fortaleza, sede da entidade, e do estado do Ceará. Depois, em âmbito nacional.

"Percebemos que a campanha tinha potencial e decidimos oficializá-la. Redigimos um documento de 20 páginas e enviamos ao Ministério do Esporte, para o Comitê Organizador Local (COL) e para a FIFA. O tatu-bola é 100% brasileiro e a Copa é uma ótima oportunidade de divulgar a importância da preservação da espécie", explica Rodrigo.

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Segundo a Associação Caatinga, há 11 espécies de tatu no Brasil. Mas a do tatu-bola, cujo nome científico é Tolypeutes tricinctus, é exclusiva do país e não ocorre em nenhum outro local. Uma espécie muito parecida - "um primo dele", de acordo com Rodrigo, pode ser encontrada no Paraguai, Bolívia e norte da Argentina.

Segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (confira a íntegra da publicação), dos ministérios do Meio Ambiente e da Educação, a principal diferença em relação ao primo Tolypeutes matacus é a presença de cinco unhas nas patas anteriores do tatu-bola.

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Ao se enrolar e assumir o formato de bola, ficando estático, ele consegue se proteger de seus principais predadores na natureza, como a onça. Entretanto, contra o homem, as defesas são mínimas. Rodrigo Castro explica que, historicamente, a caça é o grande inimigo do tatu-bola. Mas, recentemente, o desmatamento, as queimadas e a expansão das áreas agrícolas vêm assumindo o papel de principal vilão na devastação da espécie.

O tatu-bola é típico da caatinga e de áreas de cerrado próximas à caatinga.  Atualmente, pode ser encontrado em oito estados brasileiros: Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Goiás e Tocantins. Segundo a classificação utilizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o tatu-bola está na categoria "vulnerável", ou seja, corre alto risco de extinção na natureza em médio prazo.

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Rodrigo conta que ele deve ser reclassificado na revisão do fim do ano para a categoria "Criticamente em perigo", quando a espécie corre risco extremamente alto de extinção em futuro imediato. "É a última categoria antes da extinção", alerta.

Projeto de conservação

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Faltam informações mais precisas sobre hábitos alimentares, ciclos reprodutivos e distribuição geográfica do tatu-bola. Essa necessidade de se conhecer mais a espécie, aliada à ameaça de extinção, motivaram a Associação Caatinga, em parceria com entidades internacionais, a criar um projeto de conservação da espécie. A proposta é elaborar pesquisas e estudos e promover a preservação do habitat do tatu-bola.

Também estão previstas campanhas de educação ambiental, um plano de divulgação dos resultados dos estudos e o fortalecimento de entidades e redes de pesquisadores, para que tenham condições ideais de trabalho em campo e de desenvolvimento das pesquisas.

"Vamos pedir apoio da FIFA ao projeto. Seria a primeira Copa que atrelaria a iniciativa ambiental ao mascote, ajudando a reduzir o risco de extinção",  explica Rodrigo. De qualquer forma, a escolha do tatu-bola como mascote já é considerada uma vitória. "Para nós, existe um momento antes e um depois da escolha do mascote. A vitória não é só da associação. É do  tatu-bola, da caatinga e do meio ambiente", finaliza.

 

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