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Consultor médico. Uma profissão em pleno crescimento

Os consultores médicos em ambiente interno vão na residência das pessoas mediante solicitação médica, para investigar as causas das alergias persistentes. Uma profissão ainda confidencial que está se desenvolvendo em todos os países da União Europeia. Um consultor médico ambiental não apenas detecta e diagnostica os problemas alergênicos que podem existir numa casa, mas ensinam os moradores quais medidas tomar para saneá-los.

Consultor médico. Uma profissão em pleno crescimento

 

 

Por Pauline Fréour – Le Figaro

 

Uma asma crônica resistente aos tratamentos, dores de cabeça, distúrbios oftalmológicos ou dermatológicos persistentes: às vezes, um médico demonstra-se impotente para aliviar um paciente alérgico. E se a solução estivesse… neste último? Mofos, ácaros e solventes, são fontes de poluição interior – tema central da 6ª Jornada francesa de alergia – que podem tornar a vida impossível. Os médicos são cada vez mais numerosos a usar os serviços de consultores médicos em ambiente interno (CMEI). Esta profissão em pleno crescimento realiza, mediante receita médica, uma auditoria na casa do paciente para tentar identificar a causa dos distúrbios.

«Até então, os médicos que suspeitavam do impacto do ambiente interno nas alergias, não tinham como verificá-lo, além do que o paciente contava », explica Béatrice Caullet, empregada desde 2010 como CMEI pelo  Laboratório de higiene da cidade de Paris. Há cerca de cinquenta CMEI trabalhando na França, a maioria como funcionários de coletividades territoriais, das Agências regionais de saúde (ARS) ou de centros hospitalares que suportam o custo do serviço. Durante uma visita de uma hora e trinta minutos, em média, o consultor «ausculta» a casa do paciente, para identificar fontes potenciais de alérgenos (pinturas, móveis, animais…), dá conselhos práticos e faz coletas eventuais de ar ou de pó para confirmar seu diagnóstico por meio de análises biológicas.

Cuidado com os materiais de construção

Esses profissionais, enfermeiros ou assistentes sociais em sua maioria, titulares de um diploma universitário para poder se especializar, têm, as vezes , sido surpreendidos. «Muitas vezes, o alergista me envia na residência de um paciente ao suspeitar de uma causa de alergia e no local, descubro outras anomalias », relata Béatrice Caullet, que realiza uma centena de visitas por ano em Paris.

Assim, esta senhora com cerca de cinquenta anos, foi diagnosticada com uma aspergilose. A caminho de sua casa, a consultora percebeu a paciente, locatária de apartamento em um prédio antigo, queria melhorar o isolamento ao cobrir o teto com uma camada de espuma e pranchas de madeira, não destinadas a tal uso. Resultado: embora  ele tenha sido colocado três anos antes, o material ainda exalava uma taxa de formaldeído, um composto volátil irritante, pelo menos 3 vezes superior ao limite recomendado, dando origem a uma forte poluição interna. «Não foi isso que causou a aspergilose – um fungo também foi detectado - mas os solventes agravaram os sintomas», constata a consultora. A paciente foi orientada a retirar seu pé direito duplo. Mas se o custo da visita é suportado pela Cidade de Paris, os trabalhos são por sua conta.

Conhecimentos a serem melhorados

«Os próprios empresários nem sempre conhecem os riscos associados ao uso indevido dos materiais ou uma ventilação mal construída e nem sempre são uma fonte de informações confiáveis. Expostos a esses produtos todos os dias, eles minimizam os efeitos», ela lamenta.

No entanto, o recado está começando a ser transmitido, pelo menos entre os profissionais da saúde, diz o Dr. Fabien Squinazi, diretor do laboratório de higiene da Cidade de Paris. «Os progressos têm sido notáveis nos últimos anos, os médicos e até os pacientes estão se tornando cada vez mais conscientes da poluição interna », ele observa. Mesmo assim, a abordagem ainda tem de provar sua eficácia. «Com a experiência, temos observado que os pacientes seguem melhor as recomendações do médico após uma auditoria », diz Martine Ott, que foi a primeira a exercer a profissão na França. O primeiro estudo dirigido sobre o assunto, na espera de financiamento, deverá ser lançado em breve pelo Hospital Universitário de Estrasburgo.