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Continuam protestos contra Sartori e Corag critica arrocho fiscal

Ao longo das últimas semanas, servidores de fundações e empresas ameaçadas de extinção tem promovido eventos em defesa das entidades incluídas no mais recente pacote de ajuste fiscal do governo de José Ivo Sartori (PMDB); agora  foi a vez da Companhia Rio Grandense de Artes Gráficas (Corag), a imprensa oficial do Estado, receber um "abraço"; o ato reuniu centenas de pessoas, incluindo funcionários da Corag, de outras instituições, deputados estaduais e vereadores da Capital; dois projetos de lei do pacote dizem respeito à Corag; um deles, PL 244, prevê a extinção da empresa e autoriza a venda de seus imóveis

Ao longo das últimas semanas, servidores de fundações e empresas ameaçadas de extinção tem promovido eventos em defesa das entidades incluídas no mais recente pacote de ajuste fiscal do governo de José Ivo Sartori (PMDB); agora  foi a vez da Companhia Rio Grandense de Artes Gráficas (Corag), a imprensa oficial do Estado, receber um "abraço"; o ato reuniu centenas de pessoas, incluindo funcionários da Corag, de outras instituições, deputados estaduais e vereadores da Capital; dois projetos de lei do pacote dizem respeito à Corag; um deles, PL 244, prevê a extinção da empresa e autoriza a venda de seus imóveis (Foto: Leonardo Lucena)

Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - Ao longo das últimas semanas, servidores de fundações e empresas ameaçadas de extinção tem promovido, de forma conjunta, eventos em defesa das entidades incluídas no mais recente pacote de ajuste fiscal do governo de José Ivo Sartori (PMDB). Nesta sexta- feira (16), foi a vez da Companhia Rio Grandense de Artes Gráficas (Corag), a imprensa oficial do Estado, receber um “abraço”. Marcado para as 9h, o ato realizado na sede da entidade, na Av. Coronel Aparício Borges, reuniu centenas de pessoas, incluindo funcionários da Corag, de outras instituições, deputados estaduais e vereadores da Capital.

Dois projetos de lei do pacote dizem respeito à Corag. O primeiro deles, PL 244, prevê a extinção da empresa e autoriza a venda de seus imóveis. O segundo, PL 242, elimina a necessidade de circulação da versão impressa do Diário Oficial e transforma o Diário Eletrônico do Estado em sua versão oficial.

A justificativa do governo para a extinção da Corag, assim como todo o restante do pacote, é gerar economia para os cofres públicos para permitir que o Estado foque seus gastos nas áreas essenciais. O secretário-geral de governo, Carlos Búrigo, estima que a extinção da Corag geraria economia de R$ 8,4 milhões para os cofres públicos.

Funcionários da empresa, porém, questionam esse número. Eles alegam que a empresa, nos últimos sete anos, teve lucro médio de R$ 9 milhões e, entre 2012 e 2016, repassou como dividendos para os cofres do Estado R$ 55,2 milhões.

Além de imprimir o Diário Oficial, a Corag também é responsável pela parte gráfica de todo o governo e presta outros serviços, como a impressão do Talão do Produtor Rural, de provas para concurso (FDRH), carnês de IPTU para algumas prefeituras, impressos para os deputados da Assembleia – contrato obtido por licitação -, cartazes para campanhas do governo (como a Anjos da Lei, da Polícia Civil, e a Campanha do Agasalho) e trabalhos de empresas e entidades privadas, como livros para IEL e Instituto Histórico e Geográfico.

Um dos deputados presentes ao evento, Pedro Ruas argumenta que “não há sentido” na extinção da Corag e que ela só beneficiará o setor privado. “A Corag é uma empresa que trabalha no azul, com lucro. Presta um serviço histórico ao Estado, em nível de excelência”, afirma o deputado. “Por trás disso está uma lógica de estado mínimo. Nesse sentido, o caso da Corag se encaixa perfeitamente”, complementa.

Mara Feltes, diretora do Semapi – sindicato que representa os funcionários de fundações estaduais -, também afirma que a extinção da Corag “não faz sentido”. Ela lembra que a companhia, desde o governo de Alceu Collares, no início dos anos 1990, também faz a impressão de todo o material gráfico das demais fundações do Estado. “Se a Corag foi extinta, tudo isso terá que começar a ser pago pelo governo. Qualquer folderzinho que o governo quiser imprimir vai ter que pagar para alguém”, argumenta. “Quem trabalha com divulgação sabe o quanto custa esse tipo de trabalho”, complementa.

No ato, um representante da Federação Estadual dos Surdos também lembrou que a Corag presta um importante serviço para a inclusão da população com deficiência auditiva. Atualmente, tem entre seus funcionários 27 deficientes auditivos. A companhia também tem projetos sociais com jovens em situação de vulnerabilidade e de recuperação de egressos do sistema penitenciário, entre outros.