Contra o PMDB, Planalto tenta acordo com Campos

Desgaste na relação da presidente Dilma Rousseff com o PMDB pode levá-la a um pacto com o governador Eduardo Campos, do PSB; no Globo, colunista Jorge Bastos Moreno afirma que a candidatura do governador pernambucano esfriou; em outra nota, Moreno afirma que a ministra Gleisi Hoffmann defende uma aliança preferencial com o PSB, e não com o PMDB, para a reeleição de Dilma; no entanto, Campos dizia que só sairia do jogo se Lula fosse o candidato; o fato é que o quadro político atual valoriza ainda mais a posição do PSB

Contra o PMDB, Planalto tenta acordo com Campos
Contra o PMDB, Planalto tenta acordo com Campos (Foto: Adalberto Marques)

247 - Nunca foi tão ruim a relação entre a presidente Dilma Rousseff e o PMDB, principal partido que integra a sua "base aliada". O distanciamento ficou explícito nas decisões tomadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que rapidamente enterrou o plebiscito sobre reforma política proposto pelo Palácio do Planalto. Com outros caciques do partido, como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e até o vice-presidente Michel Temer, a presidente também anda extremamente irritada com o que considera falta de empenho nos "pactos" propostos pelo Planalto.

Nesse ambiente conturbado, começa a ganhar força, dentro do núcleo duro do governo federal, a tese de uma aliança preferencial com o PSB, e não mais com o PMDB, para a reeleição da presidente Dilma. Quem publica várias notas a respeito, neste sábado, é o colunista Jorge Bastos Moreno, do Globo, que é um dos mais próximos ao Palácio do Planalto.

Numa delas, Moreno afirma que, no passado, a única hipótese de Campos desistir de uma candidatura seria a entrada do ex-presidente Lula no jogo. Mas, hoje, segundo o jornalista, a candidatura Campos estaria esfriando:

Campos troca aliados por Lula - JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém

 
Há praticamente um ano, numa conversa a dois, Eduardo Campos disse a Lula que só haveria uma hipótese de não ser candidato a presidente: — Se o senhor for candidato, eu saio da disputa. Lula devolveu a gentileza com ironia: — Você só diz isso porque sabe que não serei candidato. — Essa posição é definitiva, presidente? — Eduardo Campos, vou te dizer uma coisa : a única hipótese de eu ser candidato não vai acontecer . Seria a ameaça de a Dilma perder a reeleição. Mas ela vai chegar lá melhor do que eu cheguei. A partir daí, Campos botou na rua a sua campanha. Passou a se reunir com empresários, políticos, líderes sindicais e artistas. Mas, assim como surgiu, desapareceu. Há quase um mês que Campos não conversa com ninguém do seu núcleo político. Mas, nesse intervalo , teve dois encontros com Lula, fora os telefonemas que passaram a trocar depois da passeata de 16 de junho
 
Em outra nota, Moreno fala da "oficina de desmanche" do governo Dilma liderada pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha, e por alas do PT:

Predadores
Até os mais ferrenhos oposicionistas ao governo se declaram constrangidos com a oficina de desmanche da Dilma comandada pelos líderes do PT na Câmara, em parceria com o líder do PMDB, Eduardo Cunha.

Falange
Do Palácio do Planalto me vem a confirmação de que Vaccarezza e André Vargas são contabilizados já como liderados do “Coisa-Ruim”.

 
Mais adiante, o jornalista afirma que a ministra Gleisi Hoffmann, braço direito da presidente Dilma trabalha por uma composição com o PSB e antecipa um próximo encontro entre Dilma e Eduardo Campos:

                                                  ‘Fora, PMDB!’
Gleisi Hoffmann já teria também embarcado na canoa dos que defendem uma aliança preferencial do governo com o PSB para a reeleição da Dilma.

Flip
Dilma e Eduardo Campos já têm assunto para o encontro que terão daqui a alguns dias: ambos gostaram do livro “Choque de democracia — Razões da revolta”, do professor Marcos Nobre, sobre as manifestações de junho.
 
Dias atrás, uma reportagem do Valor Econômico, atribuía a Campos a declaração de que "Dilma não ganhou 2013", numa sinalização de que ele será, sim, candidato. Mas o fato concreto é, que, em meio ao fogo amigo do PMDB e de parte do próprio PT, o Palácio do Planalto enxerga no PSB um caminho para ganhar musculatura política. Candidato ou não, Campos valorizou o passe do seu partido.




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