Cpers pede ‘presente de Natal’: troca de secretário
A direção do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) concedeu entrevista coletiva para relatar os problemas que os filiados do sindicato, professores e funcionários de escolas estaduais, tiveram para sacar o 13º salário; em razão da série de problemas enfrentados pelos servidores, a presidente do sindicato, Helenir Schürer, pediu a troca do secretário da Fazenda, Giovani Feltes, como “presente de Natal”
Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - A direção do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (16) para relatar os problemas que os filiados do sindicato, professores e funcionários de escolas estaduais, tiveram para sacar o 13º salário. Em razão da série de problemas enfrentados pelos servidores, a presidente do sindicato, Helenir Schürer, pediu a troca do secretário da Fazenda, Giovani Feltes, como “presente de Natal”.
Helenir relatou que mais de mil servidores já entraram em contato com o sindicato para informar que não conseguiram sacar o empréstimo disponibilizado pelo Banrisul que substituirá o 13º e será pago pelo governo do Estado. Segundo ela, quem tem ações na Justiça contra o Banrisul e quem tem dívidas com o Estado não tem conseguido retirar o empréstimo. “O Banrisul está usando isso também para forçar renegociações”, disse.
Além disso, servidores que têm conta em outros bancos estão tendo que abrir conta no Banrisul para poder acessar o benefício e não podem transferi-lo para outras contas. Contudo, a presidente do Cpers salientou que há municípios que não tem agências do banco, o que obrigaria os funcionários públicos a irem para outra cidade para resolverem esta situação.
No início do mês, o chefe da Casa Civil do governo do Estado, Márcio Biolchi, afirmou que estes problemas relatados pelo Cpers não aconteceriam por se tratar de um empréstimo consignado a ser pago pelo governo do Estado e que os valores poderiam sim ser sacados em outras instituições bancárias.
A presidente do Cpers criticou a falta de diálogo por parte do Piratini e afirmou que o governo do Estado não assume responsabilidade sobre suas ações e “trapalhadas”. “É um governo bipolar”, disse. Segundo a direção do Cpers, “uma hora o governo diz uma coisa e depois desdiz”.
Helenir criticou nominalmente o secretário Giovani Feltes e afirmou que, em vez de o diálogo, ele busca tensionar a relação com os servidores. “Todas as ações do governo sempre primam pelo conflito. Até o último momento, o secretário da Fazenda tensionou se nós pagaríamos também os juros do empréstimo”, afirmou. “O governador poderia nos dar no mínimo um presente de Natal para os servidores que é a troca do secretário da Fazenda”.
A presidente do Cpers criticou Feltes por não ter buscado novas fontes de receitas para o Estado e, em sua opinião, por não ter combatido a sonegação fiscal, que, segundo levantamento da Associação dos Técnicos Tributários do RS (Afocefe), deve somar R$ 7,9 bilhões em 2015. “Nós temos um secretário da Fazenda que poderia tranquilamente administrar qualquer casa, porque dona de casa sabe fazer isso, tu ganha mil e pode gastar até mil, a concepção econômica do nosso secretário é isso. Ele não fez nenhum movimento para buscar novos recursos”.
Helenir ainda lembrou que, quando os governos de Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB), utilizaram o mesmo expediente, os servidores enfrentaram menos problemas. “Eu lembro que, no governo Rigotto, quando alguém teve problemas de retirar, ele mesmo pagou. Esse a gente não vê a vontade política de resolver”, disse. “Mesmo no governo Yeda, era pão é pão, queijo é queijo. As coisas eram claras”.
Helenir informou que todos os filiados do Cpers que não conseguirem tirar o empréstimo devem procurar o sindicato que fornecerá assessoria jurídica para que possam entrar na Justiça para tentar acessar o direito. Ela também disse que o sindicato irá tentar conseguir uma reunião com o governador, José Ivo Sartori (PMDB). “Temos que falar com aquele que é o nosso patrão, a figura do governador”.