CPI analisa quebra de sigilos de Sodino Vieira

Coordenador da campanha do ex-prefeito Iris Rezende teria recebido remessa de R$ 2 milhões oriundas do esquema de Cachoeira; deputados rejeitam convocação de Ernano de Paula e Jalles Fontoura; convidado a depor, Demóstenes Torres não comparece

CPI analisa quebra de sigilos de Sodino Vieira
CPI analisa quebra de sigilos de Sodino Vieira (Foto: Divulgação_Folhapress_Divulgação)

247_ O deputado Tulio Isac apresentou nesta quinta-feira à CPI que investiga a possível ligação de autoridades goianas com a contravenção e ainda a atuação das empresas Delta e Gerplan no Estado requerimento solicitando que sejam quebrados os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Sodino Vieira de Carvalho, coordenador de campanha de Iris Rezende (PMDB) nas eleições para o governo do Estado, em 2010. Tulio cita matéria publicada na imprensa, na qual se denuncia que Sodino teria recebido R$ 2 milhões de Carlos Cachoeira. Segundo o deputado, a transferência do dinheiro para a conta do coordenador de campanha faria parte de esquema de lavagem de dinheiro, montado pelo grupo do contraventor.

A comissão também tomou depoimento de uma testemunha e rejeitou requerimentos para que fossem intimados novos nomes. Os deputados-membros da Comissão também deliberaram sobre a quebra de sigilo de um vereador de Catalão.

A oitiva de Ozenir Pereira Soares, que foi testemunha em atentado ocorrido contra a casa do ex-senador Demóstenes Torres, em 2004, não ocorreu porque ela não compareceu para depor.

A CPI rejeitou requerimentos de autoria de Mauro Rubem (PT) e Daniel Vilela (PMDB), para que fossem intimados a prestar depoimento os empresários Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, e o ex-secretário da Fazenda, Jalles Fontoura.

Foi aprovado requerimento dos deputados Talles Barreto (PTB) e Tulio Isac (PSDB) para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do vereador de Catalão, Gilmar Antônio Neto (PMDB).

Na reunião da CPI, o relator Talles Barreto apresentou requerimento solicitando que a Justiça Federal forneça cópias dos depoimentos tomados em Goiânia, naquele órgão, de agentes da Polícia Federal. O parlamentar pediu também que fossem solicitadas ao Tribunal de Contas da União e à CPMI do Congresso Nacional cópias de documentos que tratam da quebra do sigilo bancário da construtora Delta. Todos os requerimentos serão votados na próxima sessão da CPI, a ser realizada na terça-feira, 7.

Questionado pelo deputado Mauro Rubem, Helio de Sousa disse que o ex-procurador-geral do Estado, Ronald Bicca, ainda não foi convocado a depor porque a Comissão não conseguiu localizá-lo. Helio de Sousa solicitou a colaboração das pessoas que tiverem informação sobre o ex-procurador-geral, para que comuniquem à assessoria da CPI.

Por fim, antes de iniciar a tomada de depoimentos, o presidente da CPI comunicou que recebeu ofício, encaminhado pelo ex-senador Demóstenes Torres, declinando do convite para depor na Assembleia. Informou também que o coronel da Polícia Militar Sérgio Katayama vai comparecer à CPI no dia 21 de agosto. O depoimento dele teria sido realizado no mês passado, mas ele não pode esperar por causa de atraso nos trabalhos da Comissão.

Ouvido na reunião desta quinta-feira, 2, o tenente-coronel Deovandir Frazão de Morais, em suas considerações iniciais, informou que nunca recebeu uma punição em seus 32 anos de Polícia Militar. Ele disse que esteve pouco mais de quatro meses no comando da regional de Águas Lindas e que não conhece ninguém do grupo de Carlos Cachoeira.

O tenente-coronel afirmou acreditar que seu nome tenha sido citado em grampos realizados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo pelo cargo que ocupava em Águas Lindas. “Qualquer um que estivesse nesse cargo teria seu nome citado em conversas do grupo, que atua fortemente na região”, comentou Frazão.

Ele esclareceu também que não tinha conhecimento das atividades de Carlos Cachoeira, que não conhecia o empresário e nem Lenine, um dos principais funcionários do contraventor, e que a prioridade de seu trabalho era reduzir o índice de violência e de homicídios na regional.

Deovandir Frazão afirmou que tinha pouco contato com o prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias, e que nunca recebeu ordens para atuar ou deixar de atuar na questão dos jogos ilegais.

Em resposta a questionamento de Mauro Rubem, o tenente-coronel afirmou que nunca foi apelidado de "careca", conforme constaria em conversas gravadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Frazão admitiu que pode ter se encontrado com Lenine, sem saber quem era, em uma churrascaria no Distrito Federal.

O depoente contestou várias situações citadas em gravações da Polícia Federal que citam seu nome e também não confirmou anotações encontradas em livro de contabilidade de Lenine, onde consta que ele recebia pagamento mensal de R$ 3 mil do grupo que atuava em jogos ilegais. Frazão negou ainda que atuava contra supostos concorrentes de Cachoeira.

Mauro Rubem afirmou que existem fotos na intenet que mostram Deovandir Frazão em companhia da ex-chefe de gabinete de Marconi Perillo, Eliane Pinheiro. O militar garantiu que não conhece Eliane e que a foto pode ter sido tirada durante alguma solenidade.

Deovandir Frazão informou ao deputado petista que, quando a Operação Monte Carlo foi deflagrada, ele já estava lotado no município de Luziânia e ficou impedido de ser promovido porque seu nome foi citado nas conversas gravadas pela Polícia Federal.

O deputado Tulio Isac questionou a veracidade de afirmações do deputado Mauro Rubem, como a de que existiriam fotos do tenente-coronel com Eliane Pinheiro e que o militar teria o apelido de “careca”. Tulio lembrou Mauro Rubem que a prioridade do Governo de Marconi Perillo é o combate aos homicídios, porque este é um tipo de crime que avança em todo o País.

Finalizando sua fala, Tulio Isac informou que pediu a convocação e a quebra do sigilo do coordenador da campanha de Iris Rezende em 2010, Sodino Vieira, por causa de fatos levantados pela Polícia Federal. Segundo Tulio, Sodino foi o principal doador da campanha de Iris e teria recebido doação de R$ 2 milhões do grupo de Cachoeira, o que ligaria o ex-prefeito ao contraventor. Tulio informou que as informações foram publicadas nesta quinta-feira, em jornal de São Paulo.

(Com informações da Assembleia Legislativa)

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