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CPI ignora tubarões para pescar só peixes pequenos

Perillo, Cavendish, Policarpo?; Não!; Sob a batuta do relator petista Odair Cunha (MG), Comissão convoca 51 personagens menores para depor; nomes graúdos foram deliberadamente colocados de lado, com o apoio do partido do governo; "o PT está selecionando alvos", apontou senador Álvaro Dias

CPI ignora tubarões para pescar só peixes pequenos (Foto: Edição/247)
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247 – Quem apostou que a CPI do Cachoeira não intenciona, efetivamente, apurar todas as ligações do contraventor com o mundo político, mas apenas algumas, ficou nesta quinta-feira 17 mais perto de ter razão. Depois de intenso bate-boca, na manhã de hoje, durante a sessão, os parlamentares que intencionavam convocar nomes de personagens graúdos citados no inquérito da Operação Monte Carlo ficaram falando sozinhos. Com apoio da bancada do PT, o relator Odair Cunha (PT-MG) deixou de lado pedidos para a convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Sergio Cabral (PMDB-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF), assim como o requerimento que exigia a presença do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Por mais que o senador Fernando Collor (PTB-AL) tivesse tentado requerer dos anais do Congresso o conteúdo do depoimento do jornalista Policarpo Junior à CPI dos Bingos, em 2006, no qual fez uma defesa do contraventor Carlinhos Cachoeira, nem isso foi conseguido. Cunha, simplesmente, lançou o requerimento para o arquivo. Por outro lado, nenhum dos parlamentares que foram grampeados ou são citados nos grampos feitos pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, foi chamado a depor. Nova reunião da CPI foi chamada somente para o dia 5 de junho, noutra visível manobra para o resfriamento dos ânimos.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) viu no conjunto de manobras a intenção do relator em trabalhar "selecionando alvos". Do jeito que ficou, a CPI estará ocupada em suas próximas reuniões a ouvir personagens laterais do escândalo político. Não é certa nem mesmo a presença do contraventor Carlinhos Cachoeira. Ele conseguiu em juízo, sob alegação de não ter informações oficiais sobre o conteúdo das acusações contra si, barrar a primeira tentativa de convocação. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, igualmente teve seus interesses atendidos. Ele terá apenas de responder a um questionário por escrito, em lugar, como se esperava,  de explicar pessoalmente porque levou quase três anos para abrir investigação formal contra o senador Demóstenes Torres, investigado pela Operação Vegas.

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Pela ação coordenada do relator Cunha e do presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB), apoiados firmemente pelos integrantes do PT na CPI, a projetada caçada a grandes tubarões vai se transformando numa delicada coleta de pexinhos ornamentais, representados nos 51 convocados a depor.

Abaixo, notícia da Agência Brasil sobre o dia da CPI do Cachoeira:

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Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira deixou de votar hoje (17) os requerimentos que pediam a quebra de sigilo da matriz da empresa Delta Construções e a convocação de seu ex-diretor, Fernando Cavendish. Os requerimentos, por decisão do relator, Odair Cunha (PT-MG), foram retirados de pauta para votação posterior.

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Durante a reunião, o relator alegou que ainda não havia identificado indícios de comprometimento da empresa Delta com a suposta organização criminosa comandada pelo empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O relator disse ainda que esses requerimentos poderão ser apreciados no futuro.

"Há indícios evidentes de que essa empresa, a Delta, sob o comando do senhor Cláudio Abreu, serviu à organização criminosa. Na minha opinião, não há ainda indícios suficientes para quebra de sigilos, além das suas filiais no Centro-Oeste", disse o relator ao justificar sua decisão de não colocar os requerimentos em votação.

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O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) tentou derrubar a retirada dos requerimentos da pauta, mas foi vencido pelo plenário da CPMI, que aprovou a decisão do relator. "É um mal começo se nós aprovarmos esse sobrestamento", avaliou.

Além da decisão de ainda não investigar a Delta nacional, o relator também optou por não colocar em votação as convocações de três governadores: o de Goiás, Marconi Perrilo (PSDB), do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). De acordo com o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), esses requerimentos poderão retornar à pauta da comissão no dia 5 de junho, data marcada para a próxima reunião administrativa.

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Na reunião de hoje, a CPMI aprovou a convocação de 51 pessoas para prestar depoimento e quebrou mais de 40 sigilos bancários de pessoas e empresas suspeitas de servirem de laranja na suposta organização comandada por Carlinhos Cachoeira. Entre as quebras de sigilo, estão as das filiais da empresa Delta nos estados da Região Centro-Oeste.

A decisão do relator, que recebeu o apoio dos deputados do PT, provocou muita discussão. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) chamou de "devassa" o movimento para quebrar o sigilo da empresa. "Isso está sendo feito pelas pessoas que querem politizar a nossa investigação", disse.

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O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), também defendeu a restrição da investigação das atividades da Delta na Região Centro-Oeste. "Quem muito abraça, pouco aperta", disse o deputado defendendo que a comissão deve buscar um foco.

Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) contestou o entendimento do relator de que não há indícios do envolvimento da empresa Delta Construções no esquema investigado pela Polícia Federal (PF). Ele citou um diálogo interceptado pela PF no qual Cachoeira conversa com o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu.

Na conversa, Abreu e Cachoeira combinavam um encontro do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o diretor executivo licenciado da Delta nacional, Carlos Pacheco. "Ele dizia que Pacheco precisava participar de uma conversa com Demóstenes. Ele disse que um avião viria pegar Demóstenes para um encontro com o Pacheco, que é diretor executivo nacional da Delta, que tem sede na Região Sudeste", informou Taques.

O senador insistiu com o relator para que o requerimento fosse colocado em votação. "A ética e o crime não respeitam geografia. O crime não ocorre só em uma região. Não há cabimento afastarmos o sigilo da Delta só no Centro-Oeste. Não há que se falar em redução da investigação e, sim, universalização. Não se trata de devassa", defendeu o senador.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse que, ao não colocar em votação o requerimento para quebra de sigilo da matriz da Delta, o relator estaria "selecionando alvos". "Há, no inquérito, o repasse de R$ 39 milhões para empresas laranja do senhor Cachoeira. Há gravação com o senhor Cachoeira dizendo 'eu sou a Delta'. Há, no inquérito, a informação de que Cachoeira tinha uma sala na empresa Delta. Há a suposição, inclusive no Ministério Público, de que Cachoeira é um sócio oculto da empresa Delta ou o grande lobista que atuava para marcar os interesses nas esferas municipal, estadual e federal", considerou o senador.

 

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