Cresce desemprego das mulheres na Grande BH

Entre 2012 e 2013, a taxa de desemprego das mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte aumentou mais que a referente aos homens, ao passar de 5,9% para 7,9% da PEA feminina; no mesmo período, a taxa masculina subiu de 4,5% para 6%; com estes números, no ano de 2013 o sexo feminino continuou representando a minoria entre os ocupados (46%) e a maioria entre os desempregados (53,5%)

Entre 2012 e 2013, a taxa de desemprego das mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte aumentou mais que a referente aos homens, ao passar de 5,9% para 7,9% da PEA feminina; no mesmo período, a taxa masculina subiu de 4,5% para 6%; com estes números, no ano de 2013 o sexo feminino continuou representando a minoria entre os ocupados (46%) e a maioria entre os desempregados (53,5%)
Entre 2012 e 2013, a taxa de desemprego das mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte aumentou mais que a referente aos homens, ao passar de 5,9% para 7,9% da PEA feminina; no mesmo período, a taxa masculina subiu de 4,5% para 6%; com estes números, no ano de 2013 o sexo feminino continuou representando a minoria entre os ocupados (46%) e a maioria entre os desempregados (53,5%) (Foto: Leonardo Lucena)
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Agência Minas - Entre 2012 e 2013, a taxa de desemprego das mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) aumentou mais que a referente aos homens, passando de 5,9% para 7,9% da População Economicamente Ativa (PEA) feminina. No mesmo período, a taxa masculina teve um incremento de 4,5% para 6%. Com estes números, no ano de 2013 o sexo feminino continuou representando a minoria entre os ocupados (46%) e a maioria entre os desempregados (53,5%).

A conclusão é parte do Boletim Especial "A inserção da mulher no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Belo Horizonte", desenvolvido anualmente pela Fundação João Pinheiro (FJP), pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), pelo Dieese e pela Fundação Seade, e divulgado na manhã desta quinta-feira (6).

O aumento de 2,5% no contingente de ocupados de ambos os sexos não foi suficiente para acompanhar o ritmo de crescimento da PEA (4,5%), o que resultou no acréscimo do número de desempregados homens e mulheres no mercado de trabalho. A taxa de desemprego total, que apresentou trajetória de redução nos três anos anteriores, voltou a aumentar (6,9%). Em movimento contrário, o rendimento real médio dos ocupados teve incremento de 11,8%, retomando tendência de elevação observada até 2010.

Na comparação por gênero, enquanto os homens tiveram um acréscimo de 1,5% no percentual de desemprego, as mulheres tiveram aumento de 2% em relação a 2012. Para mulheres negras, a situação é ainda menos favorável. "Do total de mulheres desempregadas, 66,4% são negras, ou seja, ser mulher e negra no mercado de trabalho é sinônimo de precariedade em relação a emprego", observa o coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED-RMBH) pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos.

Mulheres em diversos setores

Em 2013 foi observado aumento na taxa de ocupação da população feminina, especialmente na construção (30,8%), na indústria de transformação (7%) e, em menor medida, nos setores de reparação de veículos (2,3%) e serviços (1,9%).

"A participação da mulher em cursos de formação profissional para o setor de construção vem aumentando e isso se deve à perspectiva de ganhos mais elevados, uma vez que algumas funções na construção pagam mais que o setor de serviços e o serviço doméstico, por exemplo", afirma Campos.

O aumento no número de ocupações entre as mulheres ocorreu, sobretudo, no assalariamento do setor privado com carteira assinada (4,6%). Entre aquelas que não possuíam registro em carteira, houve acréscimo de 1,7%. Observou-se redução do nível ocupacional feminino na posição de empregada doméstica mensalista (10,6%) e crescimento na posição de diarista (14,3%). A pesquisa também apontou incremento ocupacional de 3,5% na população feminina do setor público e de 2,2% na de autônomas.

Rendimentos x Jornada de trabalho

Ao longo de 2013 o rendimento médio mensal real para ambos os sexos aumentou 11,8% e passou de R$ 1.545 (2012) para R$ 1.727. Entre as mulheres, a média salarial subiu de R$ 1.278 para R$ 1.410, com acréscimo de 10,3%. Para a população masculina, o crescimento foi de 13,3%: de R$ 1.784 para R$ 2.022.

"Historicamente as mulheres exercem atividades que oferecem remunerações inferiores àquelas exercidas por homens. Esta situação está mudando, mas as diferenças não irão acabar da noite para o dia", observa Plínio Campos.

As mulheres tiveram os menores rendimentos mensais médios em todos os setores de atividade analisados. "A maior desigualdade foi observada na indústria de transformação. Nela, o rendimento feminino correspondia, em 2013, a 67,4% da remuneração dos homens. Por outro lado, no comércio e reparação de veículos, observou-se uma diferença menor no rendimento entre os sexos: a remuneração feminina correspondia a 75% da masculina", explica Campos.

As diferenças de jornadas entre homens (42 horas semanais) e mulheres (38 horas) atenuam a desigualdade nos rendimentos, mas não a eliminam: em 2012, o rendimento médio real por hora da população feminina correspondia a 79,2% do rendimento masculino. Em 2013, todavia, essa proporção diminuiu para 77,1%.

Nos setores analisados, a jornada de trabalho das mulheres foi menor que a dos homens, mas, considerando as distribuições de rendimento e jornada, o setor de serviços apresentou o menor hiato no rendimento por hora trabalhada segundo sexo. Nesse setor, o rendimento da população feminina equivaleu a 80,8% do ganho dos homens em 2013.

Perspectivas para o público feminino

A pesquisa apresenta dados que deixam clara a posição histórica de inferioridade feminina no mercado de trabalho. Porém, Campos destaca que a situação pode ser atenuada caso haja uma reversão no quadro geral da economia brasileira. "Se o país voltar a ter um crescimento acentuado, como tivemos em anos anteriores, essas diferenças devem diminuir", conclui.

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