Cresce número de intercâmbio de estrangeiros
De 2014 até agora cresceu em 80% o número de estudantes estrangeiros que procuram Maceió para fazer intercâmbio; são jovens que procuram a capital alagoana para aprender e trocar experiências e realizar algum trabalho voluntário em ONG's do Terceiro Setor; eles trabalham desenvolvendo o autoconhecimento, habilidades de liderança que complementam a sua formação acadêmica
Alagoas247 - Está crescendo o número de estudantes estrangeiros que procuram a capital alagoana para passar um tempo, aprender e trocar experiências. São, geralmente, jovens que vêm para o país para fazer trabalho voluntário.
"A procura para a cidade de Maceió só aumenta. Do final de 2014 para agora, registramos um crescimento de 80% na procura. Os intercambistas vêm para a cidade realizar trabalho voluntário em ONG's do Terceiro Setor, e, dentro dessas instituições, eles trabalham desenvolvendo o autoconhecimento, habilidades de liderança que complementam a sua formação acadêmica", destacou o diretor de Marketing Jailson Santos.
Em dois anos, a AIESEC em Maceió já acompanhou 56 experiências de intercâmbio voluntário. A organização, uma das entidades que atuam há mais tempo no Brasil, está presente em 110 países e territórios, com cerca de 35 mil voluntários, promovendo intercâmbios profissionais e sociais para jovens universitários.
O programa para viagens sociais, chamado Cidadão Global, recebe estudantes de todas as partes. "O projeto é dirigido a jovens entre 18 e 30 anos, com no máximo dois anos de formados ou cursando graduação ou pós-graduação. Recebemos intercambistas do Chile, Eslováquia, Egito, Portugal, Colômbia e tantos outros", fala Jailson.
Segundo o diretor de Marketing, a procura por Maceió vem crescendo a cada ano pela oferta de vagas que a entidade oferece e pelo interesse dos estudantes em contribuir com a cidade.
Experiência social
A estudante de Administração Pública e Ciência Política, Camila Jarmijo, de 21 anos, é uma das pessoas que já viajaram com a organização. Em sua primeira viagem internacional, a chilena chegou em Maceió há um mês.
"Escolhi a cidade pela curiosidade. É um lugar que, internacionalmente, poucas pessoas conhecem. Quando falam no Brasil é comum ouvir sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Queria um lugar pouco conhecido, onde tinha grande chance de me surpreender", contou Camila.
Camila trabalha em uma instituição que oferece serviços médicos para a população mais carente de Maceió. A estudante cuida das crianças, com atividades recreativas e dinâmicas.
A chilena diz que a experiência com a capital alagoana surpreendeu positivamente. "As pessoas são muito boas, receptivas e solidárias. Todo mundo ajuda. Pensei que as pessoas seriam mais individualistas, mais fechadas, frias e me surpreendi pelo carinho que recebi de cada pessoa que esteve ao meu lado, sem falar da paisagem", diz.
Intercâmbio social
A estudante de jornalismo Vitória de Alencar fez o percurso contrário. Ela passou sete semanas em Medellín, na Colômbia. "Fiquei hospedada na casa de uma membro da organização, que foi minha "host e buddy" (pessoa que ensina como viver na cidade)", diz.
Vitória trabalhava em um mercado público, com as crianças e os "hombres de carritos", aquele pessoal que anda de um lado pro outro do mercado com carrinho de mão, levando mercadoria seja pra cliente ou comerciante. "Junto de mais três intercambistas de países diferentes, realizamos sessões voltadas para responsabilidade social, consciência ambiental, liderança e plano de vida com os adultos durante a semana. Nos sábados a tarde, trabalhávamos com as crianças, que ou eram filhas do pessoal de "carritos" ou dos comerciantes", conta.
Para a estudante, o feedback das crianças e a consciência da própria capacidade marcaram a experiência. "As crianças nos dão um feedback quase que instantâneo de tudo que fazemos. Eles tinham uma curiosidade ativada sobre tudo o que tínhamos pra falar sobre nossos países e nos perguntavam porque tínhamos saído de nossas casas para conhecer eles", lembra.
"O intercâmbio foi a melhor experiência da minha vida. Através dele tive a oportunidade de ter contato com sensações, pessoas, culturas, e até comigo mesma, que eu não teria caso não tivesse me permitido sair do meu lugar".
Com gazetaweb.com