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Criança Esperança é acusado de capacitismo por pessoas com deficiência

De acordo com eles, as narrativas exibidas na atração mostraram as pessoas com deficiência (PcD) em uma posição de "coitadas" ou como "seres iluminados"

Evento do Criança Esperança, na Globo (Foto: Reprodução)

247 - Artistas e integrantes do segmento cultural com deficiência acusaram a Globo de capacitismo pela forma como o Criança Esperança apresentou histórias desse público durante o programa, na noite de segunda-feira (7). De acordo com eles, as narrativas exibidas na atração mostraram as pessoas com deficiência (PcD) em uma posição de "coitadas" ou como "seres iluminados". 

"Queridos envolvidos com essa megaprodução [Criança Esperança], para fazer inclusão PcD com essa surra de capacitismo era melhor manter invisível mesmo", criticou o cineasta Pedro Henrique França, em suas redes sociais.

"Essa narrativa quer nos manter nesse lugar de 'coitados que vieram para dar exemplo de superação ao mundo'", disse ele em entrevista à coluna de Mônica Bergamo. "Não é isso o que queremos colocar para a sociedade enquanto comunidade", acrescenta.

Na publicação, França também questiona a falta de pessoas com deficiência atuando como roteiristas ou diretoras neste tipo de atração. Ele cita ainda o Teleton, programa exibido no SBT, e que segue modelo semelhante ao do Criança Esperança.

A atriz Tabata Contri também fez críticas. "A gente merece muito mais do que essa visão assistencialista. Não estou dizendo que caridade é ruim. É um programa para arrecadar recursos. Mas a gente precisa de oportunidade, de acessibilidade, de ter o nosso direito de ir e vir sendo respeitado", complementou. "Existe um lema dentro da comunidade de pessoas com deficiência que é muito importante: 'Nada sobre nós sem nós'. Ou seja, não dá para decidir ou definir nada sobre uma pessoa com deficiência sem ela junto".