Datafolha joga Aécio para o governo mineiro

Curva em alta de Dilma e Lula, e curva descendente do PSDB, mostram que vai ser muito difcil vencer o candidato do PT em 2014. Acio, que no gosta de disputar sem grande chance de xito, pode ser levado a suceder seu afilhado poltico Anastasia no governo de Minas

Datafolha joga Aécio para o governo mineiro
Datafolha joga Aécio para o governo mineiro (Foto: DIVULGAÇÃO)
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247 - Em Minas, costuma-se dizer que o ex-governador e atual senador pelo estado, Aécio Neves (PSDB), não costuma entrar em jogo disputado. Só entra se a certeza de vitória for praticamente certa. Não era assim no começo de sua carreira na política: em 1992, por exemplo, foi candidato a prefeito de Belo Horizonte e ficou apenas em terceiro lugar.

Mas, desde então, não perdeu mais. Mais do que isso, articulou-se politicamente para sempre concorrer com favoritismo mais do que certo. Foi assim quando foi eleito e reeleito governador do estado; foi assim quando jogou seu futuro político na eleição de Antonio Anastasia como seu sucessor; e foi assim até quando optou por uma aliança com o PT do ministro Fernando Pimentel, em 2008, e elegeu Marcio Lacerda prefeito da capital mineira.

Agora, quando se prepara para sua maior cartada, Aécio Neves está num dilema: caso confirme sua candidatura pelos tucanos à presidência da República, em 2014, ele terá que rever sua estratégia. A nova pesquisa Datafolha, divulgada no início da noite de sábado, é um pesadelo para o PSDB.

Se for fiel a seus instintos políticos, Aécio, à luz do novo Datafolha, será empurrado para uma nova eleição ao governo de Minas. Seu afilhado político, Anastasia, não poderá tentar a reeleição. O PSDB não tem nomes fortes para 2014. E, finalmente, se Aécio trilhar esse caminho, tudo indica que sua candidatura seria vitoriosa - e, melhor para o senador mineiro, fiel a seus “princípios”, já que provavelmente nenhum nome do PT ou outro partido ofereceria grande resistência eleitoral.

A pesquisa do Datafolha mostra uma presidente Dilma Rousseff batendo recorde popularidade. Melhor ainda para ela, sua aceitação está em alta, ao ir de 59% para 64% agora (pessoas que classificam sua gestão como ótima ou boa). Se Dilma se desgastar até 2014, ou outro motivo impedi-la de tentar a reeleição, o PT pode ir de Lula. Aí há novo sinal vermelho para Aécio, o PSDB e as forças da oposição: o ex-presidente, que continua muito popular - provavelmente, o mais popular político brasileiro hoje -, é o preferido dos entrevistados pelo Datafolha para suceder Dilma. A maioria (57%) prefere Lula à atual presidente (32%).

O insitituto não ouviu a opinião sobre uma eleição com Aécio Neves como candidato tucano. Nem por isso o senador mineiro recebeu boas notícias. Se Dilma voltasse a enfrentar José Serra num segundo turno, seus 56,05% de 2010 pulariam para 69% hoje. Serra cairia de 43,95% para apenas 21%. E olha que o ex-governador paulista teve a vantagem do recall de seu nome, já que foi candidato nas últimas eleições nacionais. Por esse prisma, Aécio, que está tentando ficar conhecido em todo o país mas ainda sofre de desconhecimento em outros estados - sobretudo no Nordeste -, teria performance ainda pior.

Claro que ainda falta muito tempo para 2014. Aécio tem tentado nos últimos dias firmar-se de vez como o nome da oposição a Dilma. Seus artigos na imprensa mostram mais contundência na crítica ao governo federal. No Senado, tenta se destacar apresentando-se como principal defensor de uma renegociação das dívidas estaduais - até porque Minas é um dos maiores devedores - e da cobrança de royalties para os estados mineradores.

Mas a curva para o PSDB está, no momento, descendente. Até porque a curva para Lula e Dilma, não necessariamente para o PT, é de alta. O tal discurso novo apregoado como necessário por nove entre dez tucanos, até agora, está apenas na intenção. Para o eleitor, falar em Plano Real é velho demais, e falar em responsabilidade fiscal… bem, o que é responsabilidade fiscal?

Se Aécio for fiel a seu estilo dos últimos anos, pode ser levado de volta ao governo mineiro em 2014.

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