Dengue assusta Capital e outras 23 cidades
Doença avança pelo Estado e 23 cidades correm risco de curto; Maceió também enfrenta situação difícil, com 19 bairros em iminência de surto; os que apresentam maior risco são Gruta de Lourdes, Pinheiro, Ponta da Terra, Pajuçara, Poço e Ponta Verde, com Índice de Infestação Predial (IPP) entre 7,5 e 7,9% - satisfatório é que percentual esteja menor que 1
GazetaWeb - Tudo começou com algumas dores e falta de ânimo. O que poderia ser uma simples virose, porém, acabou levando a contadora Regina Célia ao hospital. Com os sintomas piorando e o surgimento de manchas vermelhas pelo corpo, ela viu as plaquetas, que deveriam estar em 150 mil, chegarem a 13 mil e logo recebeu o diagnóstico: estava com dengue.
A doença se manifestou na pior das formas, a hemorrágica, e fez com que ela ficasse 15 dias em repouso absoluto, além de precisar ir a uma unidade hospitalar a cada 48 horas para exames de sangue. Aos poucos, as plaquetas foram subindo e, ao atingirem 140 mil, a paciente pode respirar aliviada depois do susto.
Regina Célia é apenas mais uma entre os muitos alagoanos acometidos pela dengue no Estado. Somente em 2015, foram 1.265 casos notificados, a maioria na forma mais branda. Apesar da discreta queda com relação ao ano passado - quando foram 1.296 -, quadro cidades estão em situação epidêmica e outras correm risco de surto.
Segundo relatório da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Mata Grande, Inhapi, Ouro Branco e Major Isidoro estão atualmente em epidemia, com uma incidência igual ou superior a 300 casos a cada 100 mil habitantes. Contrário ao que sempre acontece, em que a maior incidência se dá na capital, o cenário preocupa ainda mais o órgão.
"Sabemos que, em uma população pequena, tudo o que incide tem um peso maior e a doença se espalha mais rápido. E isso está crescendo para outros municípios já em alerta em relação à alta incidência, que são Maravilha, Anadia e Junqueiro. Diariamente isso vai mudando e vamos tendo números bem significativos de municípios pequenos", explica a diretora de Vigilância Epidemiológica da Sesau, Cleide Moreira.
Os três citados pela gestora apresentam entre 100 e 300 casos por 100 mil habitantes e, além destes, outros 23, grande parte no Agreste e no Sertão, ainda correm risco de surto, que é quando uma doença contagiosa tem quantidade de infecções acima do normal. "Quando comparamos osnúmeros de 2014 e 2015, observamos que não há uma diferença grande. O que tem de mais preocupante é essa concentração", completa.
A capital também enfrenta uma situação difícil, com 19 bairros em iminência de surto. Os que apresentam maior risco são Gruta de Lourdes, Pinheiro, Ponta da Terra, Pajuçara, Poço e Ponta Verde, com Índice de Infestação Predial (IPP) entre 7,5 e 7,9% - o satisfatório é que percentual esteja menor que um.
Equipes têm acompanhado os números de perto e feito trabalhos de prevenção a fim de evitar uma maior gravidade. "Desde o dia 16 de janeiro a Sesau considera como prioridade a assistência e a cooperação com os municípios com muitos casos. Estamos com equipes, uma força-tarefa, que está atuando junto a esses municípios para evitar uma situação mais preocupante, que é uma situação de epidemia".
Sem notificação
Apesar das altas taxas de ocorrência da dengue em Alagoas, parece que algumas administrações municipais ainda não estão tão preocupadas com a doença. Segundo a diretora de Vigilância Epidemiológica, São Braz e Satuba não notificaram nenhuma suspeita da enfermidade e parte do Estado apresenta um índice bem abaixo do "normal".
"Temos alguns sem registrar ocorrência. Isso é algo que não se concebe, pois a transmissão da dengue é muito forte. E quando se tem municípios com índices tão altos e outros com zero casos, alguma coisa estranha está acontecendo. É necessário que eles estejam mais vigilantes", diz Cleide.
A gestora ressalta que isso chama a atenção e pode estar mascarando o real cenário de risco para dengue. Ela lembra a necessidade de que cidades não esperem a notificação passiva, mas sim que façam uma busca ativa de pacientes em locais como residências e ambientes públicos e de trabalho.
"Claro que não queremos que apresentem casos, mas é preciso fazer um trabalho de busca ativa para identificar o que está ocorrendo. Recomendamos que vigilância tenha um trabalho mais intensivo para que tenhamos o número de casos reais e possamos agir, evitando que, ao nos depararmos, já nos deparemos com situação epidêmica".
Controle
Cleide Moreira destaca ainda que, paralelo a isso, também é importante que as administrações adotem outros métodos de combate aos focos do Aedes aegypti, inclusive com os agentes na rua para um controle mais intenso. Outras medidas que podem ser adotadas são a limpeza urbana e a conscientização da comunidade.
Tudo isso, porém, deve ser feito regularmente para que os surtos possam ser evitados. "As ações são de rotina. O município tem que reforçar tudo nesse momento, o recolhimento e destino final do lixo, a limpeza de terrenos baldios, de praças e cemitérios e a fiscalização de borracharias para que não deixem ao relento pneus usado".
De acordo com ela, isso deve ajudar na redução da população do mosquito transmissor, assim como outras ações encabeçadas pela Sesau, com a força-tarefa formada por técnicos das Diretorias de Vigilância Epidemiológica e Atenção Básica, que vêm percorrendo as cidades mais afetadas pela enfermidade.