Depois de gastar menos, ganhar mais

É preciso mais que planejamento para dar o próximo passo na "escala evolutiva" do dinheiro. Associá-lo a emoções como prazer e ódio pode sabotar planos de quem já está no azul

Depois de gastar menos, ganhar mais
Depois de gastar menos, ganhar mais (Foto: Shutterstock)

Luciane Macedo _247 - Livrar-se das dívidas é não só uma vitória, mas uma espécie de marco pessoal para quem está mais acostumado a ver o orçamento sempre no vermelho. A sensação de alívio das dívidas quitadas aumenta a vontade de querer fazer o dinheiro crescer, de fazer planos para um futuro no azul e realizar sonhos, mas sem comprometer os rendimentos e cair no círculo vicioso da inadimplência mais uma vez. A tarefa parece relativamente simples, uma questão de ter tudo organizado, de aprender a conviver com o planejamento financeiro e respeitar aquela velha e surrada máxima: "não posso gastar mais do que ganho". Mas parar de dever não é suficiente, e o próximo passo requer novas habilidades.

"Controlar os gastos, adquirindo bons hábitos financeiros, e sair das dívidas significa dormir melhor, se concentrar mais no trabalho e até ter um relacionamento mais tranquilo", comenta Antonio De Julio, especialista em educação financeira da MoneyFit. "Mas depois das contas em dia e do sono dos deuses, é preciso avançar para a próxima etapa na escala evolutiva do dinheiro, que é ganhar mais". Segundo De Julio, aí é que a coisa se complica para muita gente, porque ganhar mais dinheiro não se limita ao bom planejamento e ao uso das conhecidas planilhas e calculadoras.

"Quem já consegue enxugar os gastos e fazer sobrar uma pequena parte do orçamento não vai querer limitar o horizonte dos seus sonhos", observa De Julio. "Sonhamos em conhecer lugares novos, ter um carro melhor, roupas melhores, uma casa melhor", continua o educador financeiro. "Assim como os animais se desenvolvem para subir na cadeia alimentar, nós nos desenvolvemos financeiramente para gastar melhor. De certa forma, é como a lei do mais forte: quanto mais recursos nós temos, mais podemos ter".

Ganhar mais dinheiro, portanto, é o próximo passo na escala evolutiva. "Existem algumas maneiras de fazer isso acontecer: receber uma herança, lançar uma música 'chiclete' no mercado e ela explodir nas rádios, jogar bola muito bem, casar com alguém rico, ganhar na loteria, partir para o empreendedorismo ou subir na carreira", comenta, bem-humorado. "Mas vamos focar nas duas últimas possibilidades".

Tanto subir na carreira quanto se tornar um empreendedor exigem uma certa dose de ousadia e disposição para assumir riscos. A ascensão profissional não acontece da noite para o dia, e a empresa pode se torna pequena para as ambições de quem quer evoluir. Neste caso, seria necessário largar o conforto de um emprego "seguro" por um outro, desconhecido, um desafio que nem todos estão dispostos a abraçar. Abrir a própria empresa requer ainda mais coragem e ousadia, além de um bom plano de negócios, pesquisa apurada de mercado e uma boa dose de sangue frio, para a emoção não atrapalhar.

"Em ambos em casos, a educação financeira é que vai permitir que a pessoa suba na vida e ganhe mais", assinala De Julio. "Mas nem sempre as coisas acontecem na velocidade que desejamos, e é através das nossas reservas que a evolução terá seu tempo necessário para acontecer".

Segundo o educador, equilibrar-se no azul e evoluir é, ao mesmo tempo, simples e muito complexo. A simplicidade está nas ferramentas, na informação, em uma gama de recursos disponíveis para fazer o dinheiro crescer no dia-a-dia (com gastos mais bem planejados) e se multiplicar nos investimentos.

"Ganhar mais dinheiro é complexo porque envolve muitos fatores, como autoestima, ansiedade, padrões de consumo, os próprios sonhos, o meio em que a pessoa vive", explica De Julio. "Para viajar, comprar um carro, se aposentar, pagar uma cirurgia plástica, enfim, para tudo isso existem planilhas e opções de investimento mais adequadas", diz o educador. "Mas as pessoas têm hábitos ruins, e tenho tido muito mais resultados trabalhando sobre o comportamento do que com a educação financeira só à base de planilhas e planejamento".

É comum, diz o educador da MoneyFit, que, mesmo tendo saído das dívidas, as pessoas ainda pratiquem autosabotagem, o que as impede de ganhar mais dinheiro. "Uma das maneiras mas fáceis de se fazer isso é associar dinheiro a emoções como prazer e ódio", conta De Julio. "Isso impede que as pessoas sigam o planejamento financeiro que elas mesmas fizeram ou mesmo que façam planos para o futuro".

Problemas de ordem moral com relação ao dinheiro, como não se julgar merecedor de ganhar e ter mais, também são uma pedra no caminho. "Parece que não, mas o brasileiro tem uma autoestima muito baixa com relação à sua vida profissional e ao seu futuro", comenta De Julio. "Por isso tantos preferem o hoje ao amanhã, o crediário ao investimento, e assim não conseguem avançar".

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