Depressão. Afeta um trabalhador europeu em cada cinco

Enquanto o La Poste (serviço de correio da França) lamenta o suicídio de um novo funcionário, um estudo europeu soou o alarme sobre a depressão no trabalho, um flagelo que custou 92 bilhões de euros em 2010.

Depressão. Afeta um trabalhador europeu em cada cinco
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Por Sébastien Thévenet – Le Figaro

 

A série de suicídios que afeta o La Poste desde o começo do ano continua. Um atendente se enforcou há poucas semanas no seu local de trabalho na região do Aisne, após ter enviado uma carta para a diretoria, na qual ele expressou seu mal estar e a falta de reconhecimento. Estes dramas levantam a questão da depressão no trabalho, um problema amplamente subavaliado de acordo com especialistas. Por ocasião da Jornada Europeia contra a depressão que foi realizada no dia 1º de outubro, a Associação Europeia sobre Depressão  (EDA - European Depression Association) publicou um relatório inicial de sua auditoria sobre o impacto da depressão no trabalho. Após ter interrogado 7.000 funcionários em sete países (incluindo a França), o organismo europeu disse que 20% dos funcionários estavam sofrendo de depressão em algum momento de sua carreira, uma taxa variando de 12% na Itália, a 26% na Grã-Bretanha.

«A depressão é o principal desafio da saúde mental nas pessoas em idade de trabalhar, e já sabemos que mais de 30 milhões dentre elas serão afetadas », lemos no relatório. Na maioria das vezes, este estado depressivo se traduz por uma licença médica, com um prazo médio de 36 dias, uma interrupção de trabalho que já afetou 10% dos assalariados europeus. O balanço econômico deste fenômeno é desastroso: estima-se o custo na Europa em 92 bilhões de euros em 2010, enquanto a Previdência Social francesa gasta todo ano 800 milhões de euros somente para as indenizações ligadas às interrupções de trabalho, devidas à depressão e distúrbios musculo-esqueléticos (TMS).

Apesar da dimensão do problema, um executivo em cada três diz não ter nenhum recurso à sua disposição para lidar com esta situação, enquanto 43% dentre eles gostariam que medidas fossem adotadas a fim de proporcionar uma melhor proteção dos assalariados envolvidos. De acordo com o Doutor Vincenzo Costigliola, Presidente da European Depression Association, «os resultados desta pesquisa mostram que a tarefa é imensa para ficarmos cientes do problema e apoiarmos os funcionários no reconhecimento e na gestão da depressão no trabalho ».

As empresas cada vez mais envolvidas

De acordo com o psiquiatra Marc Willard, autor do livro La Dépression au travail, prévenir et surmonter, (A Depressão no trabalho, prevenir e superar) «a França é um dos países mais afetados ». Apesar de muitos estudos terem sido realizados sobre o estresse no trabalho, nenhum aborda realmente a depressão, «uma doença real » que permanece até hoje «um problema desconhecido dentro da empresa ». Mesmo se este médico observar, a partir de agora, «uma verdadeira demanda de treinamento por parte dos líderes empresariais e dos executivos para saber como lidar com este problema », a depressão continuará a ser um assunto tabu. A maioria das empresas contatadas pelo Le Figaro não quiseram falar sobre este assunto, uma prova do mal estar que envolve o fenômeno.

Para fazer frente a este flagelo, Marc Willard oferece primeiramente «uma triagem sistemática da depressão pela medicina do trabalho ». Em seguida, é preciso distinguir o tratamento desta doença em relação aos simples programas de gerenciamento de estresse oferecidos por empresas de consultoria em gestão, isso no intuito de «pedir auxílio ao mundo da psiquiatria, pois a depressão não é um problema organizacional ». «Se quisermos ter funcionários mais produtivos e lutar contra o absenteísmo, é preciso efetuar a prevenção médica e oferecer cuidados que combinem terapias e prescrições de medicamentos », ele conclui.

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