Deputados protestam contra a termoelétrica

Alm da suspenso da usina, os polticos pediram um maior comprometimento do Governo com o Meio Ambiente no Estado

Deputados protestam contra a termoelétrica
Deputados protestam contra a termoelétrica (Foto: Andréa Rêgo Barros/247)
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Bruna Cavalcanti_247 - Buscando ganhar o apoio da população e divulgar os seus objetivos, o movimento Frente contra Energia Suja, formado pelos deputados Raul Henry (PMDB), Daniel Coelho (PSBD) e pelo presidente do PSOL, Edison Silva, realizou uma panfletagem, nesta sexta-feira (18), na Avenida Agamenon Magalhães, para barrar construção da Usina Termoelétrica de Suape. Se for mesmo construída, a usina, que tem o orçamento estipulado em R$ 2 bilhões, terá capacidade de gerar 1.452 Megawatts por hora e se tornará uma das maiores do mundo.

“É importante ter empreendimentos que gerem empregos e renda, mas esse caso da termoelétrica é escandaloso. A inciativa do Estado é que a usina gere 500 empregos diretos. Mas, um hotel nessa área gera muito mais empregos que isso”, afirma o deputado federal Raul Henry (PMDB). Segundo o parlamentar, o impacto ambiental que a obra pode trazer para a região é algo incalculável. "A usina é capaz de lançar 24 mil toneladas de carbono por dia, além de gases que podem provocar chuva ácida e estragar o litoral sul, que é o nosso maior cartão turístico. Estados como o Ceará e Alagoas, que não estão vivendo o momento econômico que Pernambuco vive, não aceitaram a instalação desse tipo de obra lá. Nós não precisamos disso”, finalizou Henry.

Pernambuco vive uma onda de euforia em torno de investimentos que estão sendo trazidos para o Estado. Nos últimos anos foram feitos  anúncios importantes, como a construção da Refinaria de Abreu e Lima, a vinda da Fiat e do polo farmacoquímico em Goiânia, a construção de três estaleiros em Suape, entre outros empreendimentos. No entanto, segundo o deputado Daniel Coelho, o governo não está se preocupando em implantar medidas para reduzir o impacto ambiental que estes investimentos causam ao Estado. “É claro que tudo isso traz um lado positivo muito grande; mas, por outro lado, também gera problemas ambientais e sociais, como, por exemplo, o aumento da violência nessas áreas. Não vejo nada sendo feito, além de anúncios midiáticos que criam a falsa impressão de que existe uma preocupação por parte das autoridades”, explicou.

De acordo com Daniel Coelho, a instalação da termoelétrica em Suape geraria um problema ainda maior para o Estado, já que não há aspectos positivos que justifiquem a construção da usina. “Esse tipo de tecnologia está sendo abandonada em vários países. Existem outros investimentos que estão chegando no Estado. Não há sentido algum em Pernambuco construir essa termoelétrica. O governo do Estado cometeu um erro ao anunciar essa obra e nosso objetivo é fazer com que eles mudem de opinião”, afirmou.

“Não temos estrutura para analisar todos os empreendimentos que são trazidos para cá”

Com apenas 72 empregados, entre técnicos e funcionários, cabe à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), criada no dia 15 de março pelo governo do Estado, implementar políticas públicas ambientais em todo o Estado. Antes, a tarefa era dividida entre a Secretaria de Ciência e Tecnologia e a de Meio Ambiente. E, mesmo com poucas pessoas no seu quadro efetivo, o órgão tem se virado como pode. “Se formos analisar, em todo o Brasil, a questão ambiental tem sempre esse componente de ‘apagar incêndios’. Nossa principal função é o monitoramento. No entanto, não temos estrutura para analisar todos os empreendimentos que são trazidos para cá. Se formos contar, o nosso efetivo não chega sequer a um técnico por município. Mas, estamos correndo atrás”, explica o superintendente técnico da Semas, Carlos André Cavalcanti.

Questionado sobre a termoelétrica de Suape, Cavalcanti concorda que o complexo industrial já sofreu danos irreversíveis ao sistema ecológico e afirma que algumas mudanças podem ser instituídas na usina, caso a obra seja mesmo assinada pelo governador Eduardo Campos. “A Semas está propondo, por exemplo, que ao invés de queimar óleo, essa termoelétrica possa ser utilizada com gás natural. Essa seria uma alternativa menos agressiva ao funcionamento da usina. Temos ainda que ter um investimento mais forte nas energias renováveis”, conclui o superintendente técnico.

Um dos principais projetos atuais da Semas é a criação de núcleos de sustentabilidade em todas as Secretarias do Governo. Além disso, estão sendo implantadas 67 unidades de conservação, em todo o Estado, que estavam no papel desde 1987. “Estas unidades poderão ser utilizadas como pesquisa, turismo e também para auxiliar o desenvolvimento sustentável da região onde estiveram situadas”, afirma Carlos André Cavalcanti.

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