Deputados querem mais cargos no governo de Rui
Depois de mais de cem dias de governo e algumas lacunas a serem preenchidas, sobretudo as reivindicações dos aliados, o governador Rui Costa tenta correr para apaziguar os ânimos e garantir a unidade da base que lhe apoia na Assembleia Legislativa; com 47 dos 63 deputados em sua aliança, o desafio tem sido atender aos inúmeros pedidos, que incluem principalmente cargos do segundo e terceiro escalão, envolvendo espaços em órgãos que compõem a reforma administrativa
Lilian Machado/Tribuna da Bahia - Depois de mais de cem dias de governo e algumas lacunas a serem preenchidas, referentes às reivindicações dos aliados, o governador Rui Costa (PT) tenta correr para apaziguar os ânimos e garantir a unidade da base que apoia o governo na Assembleia Legislativa da Bahia. Com 47 deputados em sua aliança, o desafio tem sido atender os inúmeros pedidos, que incluem principalmente a distribuição dos cargos do segundo e terceiro escalão, envolvendo espaços em órgãos que compõem a reforma administrativa. Diante das reclamações, o governador começou a se reunir com as bancadas partidárias na Governadoria.
Até ontem haviam se encontrado com o chefe do Executivo baiano os integrantes do PP, PDT e PSD. Os petistas irão ao seu encontro nesta sexta-feira. Consta que algumas promessas já teriam começado a sair do papel, com a nomeação de alguns do segundo escalão, como o novo diretor de Finanças da Bahia Farma, Paulo Sérgio Pereira,indicado pela deputada Ivana Bastos (PSD).
Os deputados cobram "compromissos firmados", relacionados a espaços no interior do estado, como nas Direcs, Cerb, CAR e Embasa, que ainda não foram ajustados para as indicações. Nos corredores, o recado teria sido dado nos últimos dias, com supostas ameaças de cruzarem os braços em futuras votações. Nos bastidores, há queixas de morosidade no atendimento por secretários e até mesmo pela chefia de gabinete do governador, Cícero Monteiro (PT).
Uma das reações "preventivas" do governo teria sido a de recuar sobre a votação do projeto de lei 21.080/2015, que previa a inscrição de créditos não tributários em dívida ativa do Estado, na última terça-feira. Embora não seja de necessidade imediata, essa foi a primeira proposta enviada pelo Executivo à Casa, e retroceder da apreciação seria a forma de o governo se precaver de uma suposta derrota.
Tal tese, porém, foi descartada pelo líder do governo na Assembleia, Zé Neto (PT). "Quem pediu vistas foi o deputado Luiz Augusto (PP), e o governo também queria reavaliar a dívida. É uma lei que só vai entrar em vigor mais pra frente, não tinha porque ter pressa", justificou.
O líder também defendeu o papel de alguns secretários, como o de Relações Institucionais Josias Gomes (PT), que, segundo ele, "tem dado atenção aos deputados". "Mas tem coisa que não se pode resolver logo. Também achar que em três meses de gestão, onde tivemos recomposição regional e uma reforma administrativa não teria um ruído é muita presunção. Há tempo para todas as coisas", disparou.
Entretanto, Neto negou que os encontros com Rui tenham sido apenas para esses ajustes. "Estamos vivendo um processo de continuidade, sempre tivemos momentos como esse com Jaques Wagner (ex-governador e atual ministro da Defesa). É preciso discutir o momento de turbulência política. O que há são coisas pontuais. Nada está fora da linha", defendeu.
Após ter participado do encontro, o líder do PP na Casa Legislativa, Luiz Augusto, disse que não há nada mais para ser reclamado. "O governador já autorizou Josias e Cícero a operacionalizarem os compromissos. Estamos aguardando e acreditamos que serão cumpridos", afirmou. Nos bastidores, fala-se de cargos do segundo escalão na Sudic para o PP, além de pequenos no interior. O deputado não quis entrar em detalhes.
"Foi uma conversa mais amistosa do que formal e todos saíram acreditando que aquilo que ainda não foi resolvido será", acrescentou o deputado Roberto Carlos (PDT).
O deputado José Raimundo também minimizou na avaliação sobre o ambiente em torno da base e as reuniões com Rui. "Essas reuniões têm sido muito mais programáticas e estratégicas do que relacionadas a queixas", afirmou. Os deputados têm apelado também para que o governador comece a receber os prefeitos. Rui teria pedido mais uma vez paciência e calma com a promessa de que "bons ventos virão".
