Despreparo ou má-fé?

A escalada interminável de equívocos da arbitragem nesta temporada atingiu níveis insuportáveis

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A escalada interminável de equívocos da arbitragem neste 2012 atingiu níveis insuportáveis. Não há uma única rodada em que clubes, técnicos, dirigentes, atletas, imprensa não se manifestem contra as tomadas de decisões dos homens de preto.

Alguns erros são inomináveis e manifestam de forma inquestionável o despreparo do árbitro ou assistente para o mister que foi designado. Confesso que há muito tempo não observava tamanha gama de interpretação e aplicação das Regras do Jogo de Futebol, como vem acontecendo nas competições da CBF no ano em curso - Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

Mas o que me deixa perplexo é que a CBF anunciou há pouco meses a implementação de um Ouvidor e de um Corregedor de Arbitragem. Segundo a entidade, a missão precípua de ambos seria a de analisar as ações e o desempenho dos árbitros no campo de jogo e fora dele.

Até o presente instante, não ouvi e não li nenhuma decisão dos dois personagens criados, e não se tem notícia de que algum árbitro foi submetido a um processo de requalificação porque errou de forma "bisonha" em desfavor dessa ou daquela equipe.

A indicação descabida de árbitros sem a devida qualificação (vocação e talento) para compor a Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf) da CBF está conduzindo a arbitragem brasileira ao fundo do poço.

Falta consistência, comunicação, capacidade de decisão, equilíbrio, discernimento de julgamento, confiança e sobretudo prazer e motivação a um contingente expressivo de árbitros, que labora nas competições da entidade que comanda o futebol brasileiro.

Os que participam das competições da CBF esperam que as tomadas de decisões da arbitragem sejam consistentes. Essas decisões devem ser as mesmas face as circunstâncias idênticas, devendo o árbitro aplicar as regras com um mínimo de equanimidade.

Um dos maiores malefícios do árbitro de futebol brasileiro é a inconsistência de critérios, já que é comum observarmos na maioria das partidas o árbitro ignorar uma falta, mas logo a seguir assinalar infração com o mesmo tipo de jogada, o que provoca irritação em tudo e em todos.

A verdadeira consistência da arbitragem num jogo de futebol resulta não de tentar equilibrar as decisões, mas da aplicação e interpretação uniforme das leis que regem o futebol dentro das quatros linhas.

Em síntese, a interpretação e o julgamento adequados são as principais fontes de consistência de uma arbitragem eficaz. Agora, para se atingir a consistência, é imperativo que o árbitro demonstre pleno conhecimento das regras e seja possuidor dos requisitos acima citados. O que se nota reiteradamente a cada equívoco de arbitragem é que no momento de interpretar a regra falta qualificação para dominá-la.

E uma outra deficiência que tenho observado diz respeito ao estado mental e emocional dos árbitros. Há árbitros e assistentes que premidos pela complexidade dos lances que ocorrem nas partidas, demonstram fortíssimas oscilações mentais e emocionais. Segundo os estudiosos do assunto, os atletas de excelência e o árbitro é um deles. Quando forem desenvolver seu mister devem exibir um estado mental saudável.

Valdir Bicudo é investigador da Polícia Civil em Curitiba/PR e ex-árbitro de futebol

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