Dia do Futebol: há o que comemorar?

CBF est prestes a passar pela segunda investigao no Congresso Nacional em menos de 11 anos e organizao da Copa do Mundo desperta suspeitas em todas as reas

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247 – Hoje, 19 de julho, comemora-se o Dia Nacional do Futebol, o esporte mais popular do mundo. Quem joga ou apenas acompanha as partidas nos estádios e na televisão sabe que o esporte bretão merece mais do que um dia para ser celebrado, mas, neste ano, a data não veio em boa hora, e não apenas por chegar dois dias depois de uma vexatória eliminação da seleção brasileira para o Paraguai na Copa América. O Dia do Futebol foi instituído pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que é presidida há 22 anos por um mesmo homem. Ricardo Teixeira é o mais longevo dirigente futebolístico do país no mesmo cargo, apesar de sua gestão ser frequentemente apontada como corrupta e não ser bem vista pelos brasileiros.

Teixeira passou ileso por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o futebol, em 2000, e está prestes a protagonizar outra investigação no Congresso Nacional, encampada pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Desta vez, por suspeitas de irregularidades na organização da Copa do Mundo de 2014 e com o interesse da Rede Record, rival da TV Globo, histórica aliada de Teixeira. Insatisfeita com a preferência do dirigente da CBF pela maior rede de televisão do país, a Record vem publicando uma série de matérias para expor suspeitas de ilícitos cometidos pelo cartola. A série é longa.

A conduta da CBF motivou, neste ano, o rompimento entre os membros do Clube dos 13, que congrega os maiores clubes de futebol do país. O Clube dos 13 nunca chegou a cumprir com seu papel de organizar o futebol brasileiro, mas quando tentou atuar para melhorar os rendimentos dos clubes com os direitos de transmissão, acabou sabotado pela CBF, num desentendimento que pôs em risco a transmissão e até a realização dos campeonatos de futebol no Brasil. A CBF venceu mais uma vez.

Recentemente, Teixeira foi acusado pelo ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA) David Triesman de negociar seu voto durante a escolha da sede da Copa de 2018. A FIFA negou que o cartola brasileiro tenha participado de qualquer episódio de corrupção. O dirigente também é suspeito de fazer arranjos para ficar com todo o lucro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014.

A CBF não é uma instituição pública, mas a conduta de seu presidente tem implicações claras na atual situação do futebol brasileiro, algo que afeta grande parte da população do país. Enquanto as ligas europeias celebram altos rendimentos e negociam jogadores a peso de ouro (mesmo durante a crise por que o continente passa), resta aos brasileiros se contentar com o início da carreira de seus craques.

Nessa estrutura desorganizada, os clubes precisam recorrer a empréstimos para se manter e mal conseguem oferecer a seus torcedores uma arquibancada digna para acompanhar as partidas. O Dia do Futebol merece ser lembrado pela alegria que o esporte desperta, mas no Brasil ainda temos pouco para comemorar.

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