Diante das greves, Miriam Belchior dá sinais de esgotamento

Ministra do Planejamento estaria frustrada com a falta de resultados nas negociações com os sindicatos; ontem, grevistas entraram em confronto com a polícia

Diante das greves, Miriam Belchior dá sinais de esgotamento
Diante das greves, Miriam Belchior dá sinais de esgotamento (Foto: Agência Brasil)

247 – Diante de uma radicalização cada vez maior dos protestos de servidores públicos, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, começa a demonstrar sinais de cansaço e esgotamento. Quem informa é o jornalista Vicente Nunes, um dos mais experientes de Brasília, em seu blog:

MIRIAM BELCHIOR DÁ SINAIS DE ESGOTAMENTO

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, dá sinais de esgotamento ante a dificuldade para fechar um acordo com o funcionalismo público. Aos mais próximos, ela não esconde a decepção com os servidores, sobretudo os que ganham mais, em recusar a proposta de aumento de 15,8% em três anos feita pelo governo.

Na avaliação de Miriam, o governo fez um esforço enorme para encontrar espaço no Orçamento de 2013 para contemplar, de forma igualitária, todos os servidores civis do Executivo. Mas a proposta não agradou, mesmo consumindo quase R$ 22 bilhões por ano dos gastos totais da união.

O Palácio do Planalto está ciente do esgotamento da ministra, que, no início do ano, foi obrigada a se afastar do trabalho para descansar, devido à suspeita de infarto.

Leia, ainda, noticiário da Reuters sobre o confronto de ontem entre servidores em greve a polícia do Distrito Federal:

Grevistas enfrentam polícia em frente ao Palácio do Planalto

BRASÍLIA, 23 Ago (Reuters) - Servidores do Poder Judiciário e do Ministério Público que se manifestavam na Praça dos Três Poderes entraram em confronto com a Polícia Militar nesta quinta-feira, após grevistas derrubarem algumas das grades de contenção instaladas entre o Palácio do Planalto e a praça, rodeada pelas sedes do Executivo, Judiciário e Legislativo.

O trânsito foi interrompido por cerca de uma hora na via que dá acesso ao local, segundo o tenente-coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Antonio Carlos.

Após derrubarem algumas das grades que cercam a praça e também o Palácio do Planalto, houve um confronto entre manifestantes e a polícia, que chegou a usar sprays contra os servidores, informação não confirmada pelo tenente-coronel.

Alguns manifestantes também atiraram objetos como cabos de bandeiras e pedras no efetivo de aproximadamente 200 policiais.

A Tropa de Choque foi mobilizada e posicionada, mas não entrou em ação. Um servidor foi detido, e logo depois liberado. Segundo a PM, não há relatos de feridos.

De acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e Ministério Público do DF (SindJus-DF), Jailton Assis, a manifestação contou com cerca de 2 mil pessoas. Já a PM estima que o protesto reuniu aproximadamente 500 pessoas em seu momento de pico.

Assis explicou que a categoria que representa reivindica um reajuste em média de 32 por cento, enquanto o governo, segundo o coordenador-geral, ofereceu uma proposta de 15,8 por cento em três anos.

"Queremos que o governo abra o diálogo", disse Assis a jornalistas. "Nós estamos há seis anos sem reajuste... toda vez que vamos negociar, falta adequação orçamentária", afirmou, argumentando que o governo teria condições de conceder um reajuste maior tendo em vista, na sua opinião, a perspectiva de crescimento da economia no segundo semestre.

As greves de servidores públicos têm trazido dor de cabeça ao governo, que tem até o dia 31 deste mês para incluir os reajustes na Lei Orçamentária Anual de 2013.

O governo estima que a greve já englobe em torno de 15 por cento do efetivo de servidores.

Na quarta-feira também houve confronto entre entidades que representam trabalhadores do campo e organizações ambientais, de um lado, e efetivos da polícia e do Exército que fazem a segurança do Palácio do Planalto, de outro.

Após o conflito, os manifestantes entregaram ao ministro-chefe da Secretaria Geral da Presdiência, Gilberto Carvalho, um documento reivindicando a reforma agrária, o uso de técnicas sustentáveis na agricultura e melhora na educação no campo, entre outros pontos.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

 

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