Disputa pela direção pode ampliar racha no PT
A disputa pelo comando do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, através do Processo de Eleição Direta (PED), que acontece em novembro, deverá acirrar ainda mais a tensão no interior do partido; enquanto as atuais lideranças, o senador Humberto Costa e o deputado federal João Paulo, já trabalham a candidatura do advogado Bruno Ribeiro, o grupo dissidente, encabeçado pelo ex-prefeito João da Costa, derrotado no último pleito municipal, deverá lançar uma chapa própria para disputar o controle do PT em Pernambuco
Paulo Emílio_PE247 - Dentro do PT em Pernambuco parece prevalecer a máxima de “nada é tão ruim que não possa piorar”. Depois de perder o controle da Prefeitura do Recife após 12 anos à frente da administração da capital pernambucana e que resultou em um processo de racha interno que reverbera até hoje, a disputa pelo comando da legenda, através do Processo de Eleição Direta (PED), que acontece em novembro, deverá acirrar ainda mais a tensão no interior do partido.
Enquanto as atuais lideranças, o senador Humberto Costa e o ex-prefeito e deputado federal João Paulo, já trabalham a candidatura do advogado Bruno Ribeiro, o grupo dissidente, encabeçado pelo ex-prefeito João da Costa, derrotado no último pleito municipal, deverá lançar uma chapa própria para disputar o controle do PT em Pernambuco. Nesta direção, o nome da deputada estadual Teresa Leitão é o que tem encontrado maior eco para enfrentar o candidato ungido pela atual direção.
Queimado internamente pelos próprios correligionários, João Da Costa tenta ganhar fôlego ao mostrar que ainda detém um capital político importante. Até aí tudo não passaria de uma disputa interna já consolidada nas discussões do partido se não fosse o fato da derrota recifense ser atribuída a João da Costa. Nas últimas eleições, ele tentou a reeleição, indo de encontro a uma decisão da Executiva nacional que queria que o candidato fosse o senador Humberto Costa. A intransigência do então prefeito acabou por rachar o partido e a direção nacional interviu impondo a candidatura ed Humberto.
A situação acabou rachando o PT estadual e João da Costa acabou sendo apontado como o responsável pela situação que levou o PT a perder o comando da capital para o PSB após 12 anos à frente da prefeitura. Assim como Humberto Costa e João Paulo (este tem o ex-afilhado político como seu maior desafeto atualmente), a direção nacional também tem uma série de restrições ao ex-prefeito.
Como a candidatura de Bruno Ribeiro também não é consensual, João da Costa tem se mexido nos bastidores para garantir a sobrevivência política do grupo ligado a ele. O nome de Teresa Leitão é apontado como o mais forte para disputar o PED pelo grupo de João da Costa, uma vez que ela já integrou a corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), liderada por Humberto. Apesar de ser contrária a atual direção, a deputada nunca partiu para um confronto direto com a atual direção, o que deixa aberta uma porta para o diálogo.
Mas além de Teresa Leitão, outros nomes de aliados de João da Costa também podem ingressar na disputa como Fernando Ferro, Oscar Barreto e Gilson Guimarães.
Como o controle da sigla é considerado prioritário pelos dois grupos rivais, a possibilidade que o racha interno se amplie ainda mais é cada vez mais real, assim como uma nova divisão pode vir a surgir, esta dentro da própria ala liderada por João da Costa, uma vez que existem muitos nomes interessados em assumir a direção do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco.
Diante das possibilidades e a da animosidade vigente, a existência de uma querela interna ainda maior que atual poderá levar o PT a assumir um papel que não deseja: o de ser coadjuvante nas próximas eleições, com implicações maiores que as de nível estadual ao repercutir diretamente na formação de um palanque forte que sirva de apoio aos planos de reeleição da presidente Dilma Rousseff .