Dividida, oposição não lucra com racha governista

Há mais de um ano e meio, o comentário de que a Frente Popular e o PT estão rachados - no que diz respeito à sucessão do Recife - tornou-se mais que recorrente. Porém, o que a oposição lucrou? De acordo com as últimas pesquisas, praticamente nada

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Há mais de um ano e meio, o comentário de que a Frente Popular e o PT estão rachados - no que diz respeito à sucessão do Recife - tornou-se mais que recorrente. É de conhecimento de todos que o prefeito João da Costa (PT) não conseguiu erguer as pontes necessárias para a construção de uma unidade em torno de seu projeto de reeleição. Veio o debate das múltiplas candidaturas governistas, capitaneado pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB), e mais recente o processo de prévias petistas, com a disputa interna entre o chefe do Executivo municipal e o secretário estadual de Governo, Maurício Rands. Porém, o que a oposição lucrou com isso? De acordo com as pesquisas que aferem a intenção de voto na capital pernambucana, aparentemente nada. Os percentuais alcançados por seus vários pré-candidatos seguem estáticos.

Curiosamente, os próprios oposicionistas estufam o peito para afirmar que nunca estiveram numa situação tão favorável no tocante à possibilidade de retomarem o comando da Prefeitura do Recife. Repetem que a rejeição popular - evidenciada nas diferentes pesquisas realizadas desde o ano passado - do prefeito João da Costa (na casa dos 30%) é a principal mostra de que há espaço para um projeto político diferente na cidade. Mas em que momento essa alternativa foi realmente apresentada? Até então, o que se vê é uma oposição tão dividida quanto o bloco governista. São quatro-pré-candidaturas (Mendonça Filho, Raul Henry, Daniel Coelho e Raul Jungmann), que individualmente não ultrapassam a casa dos 20% das intenções de votos.

Pegando a última consulta sobre o cenário da sucessão do Recife, a do Instituto Opinião – divulgada ontem (16) pelo Blog do Magno -, somando os percentuais arredondados dos pré-candidatos oposicionistas, o resultado é superior aos 25% conquistados pelo primeiro colocado, o prefeito João da Costa. Os 19% de Mendonça Filho (DEM), os 10 % de Raul Henry (PMDB), os 5% de Daniel Coelho e os 4% de Raul Jungmann poderiam, juntos, deixar a oposição com alto em torno de 38%. Mas esse “juntos” está difícil de sair.

O chamado discurso de projeto de gestão que os oposicionistas prometeram apresentar ficou resumido à pirotecnia da já falecida Mesa da Unidade. O grupo de trabalho e discussão, que foi criado pelos oposicionistas para indicar opções para o enfretamento dos problemas do Recife, não deu em nada. Há quem diga, nos bastidores, que o mecanismo ganhou o apelido jocoso de “Mesa da Falsidade”, uma vez que seus componentes, ao mesmo tempo em que participavam das atividades do bloco e em bloco, construíam separadamente suas próprias pré-candidaturas.

Muito disso se deve à ausência de um comandante firme que possa dar um freio de arrumação no bloco. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que teria credencial para isso, delegou para os próprios pré-candidatos a missão de conduzir o processo. O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, que também teria condição de capitanear esse debate, está mais envolvido em questões nacionais de sua legenda. Ficou cada um por si e por seus interesses.

O DEM vê em Mendonça Filho e em outras candidaturas em outras capitais a possibilidade de começar o “renascimento” do partido, fragilizado após a eleição de 2010 e principalmente após o fenômeno PSD. O PMDB entende que Raul Henry faz parte do seu projeto de permanecer como a maior legenda em número de municípios governados do país. De olho no pleito presidencial de 2014, O PSDB quer tentar municipalizar o seu discurso com a eleição de mais prefeitos. No Recife, Daniel Coelho mostra fôlego para isso. E Raul Jungmann, o único do bloco sem mandato, enxerga na sucessão do Recife o caminho natural para a sua volta, mais tarde, a Câmara Federal.

Todos são projetos plausíveis, porém as pesquisas mostram que, separados, estão também fadados a permanecerem fora do Poder.

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