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Dividida, oposição se enfraquece para disputa de 2014

Principais adversários do governador Perillo (que pela maratona de inaugurações de obras nos últimos dias deve mesmo disputar a reeleição) não parecem interessados em construir uma aliança com condições de fazer frente ao tucano nas urnas; ao contrário, sustentam nos bastidores uma guerra silenciosa inspirada em projetos de poder personalistas

Dividida, oposição se enfraquece para disputa de 2014 (Foto: Edição/247)
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Goiás 247_ As eleições para o governo de Goiás, ainda em segundo plano, começa a se desenhar a partir das eleições municipais por todo o Estado. O rearranjo da oposição após a vitória de Marconi Perillo em 2010 não deixa de saltar aos olhos e expor a configuração da política goiana atual. Grande rival de Marconi, Iris Rezende (PMDB) vive sob o espectro da disputa eleitoral. Mesmo abatido por enfermidades, seu nome sempre está em pauta. E há que se destacar que Iris não faz questão de se ausentar do debate político para 2014. 

Vanderlan Cardoso, que saiu valorizado do embate de 2010, migrou para o PMDB. Talvez visse ali o grande partido para que pudesse conquistar o governo do Estado. Mas, a estrela maior peemedebista é Iris e após uma recepção festiva e um discurso eloquente, Vanderlan percebeu que não teria espaço que tanto sonhava. Pediu o boné e saiu do PMDB.

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Vanderlan poderia se juntar a Júnior Friboi (PSB), mas o entendimento está longe. Friboi sinaliza querer brilhar sozinho, sem coadjuvantes ou alguém que possa obstruir seu caminho. Com a eleição praticamente faturada em Anápolis, o atual prefeito Antônio Gomide (PT) aparece como nome em potencial. Mas, o PMDB abriria mão da cabeça de chapa? Sem o capital político do PMDB, tradicional em todo o Estado, o PT teria peito para se arriscar numa eleição majoritária no Estado?

Essas rusgas entre os opositores e a dificuldade deles em se unir num discurso consistente e uníssono faz com que Marconi Perillo (PSDB) pavimente com mais facilidade uma possível reeleição em 2014.

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Nem sequer tomou posse em 2010 e o atual governador, Marconi sofreu com pesadas críticas dos opositores, que enxergavam as propostas do gestor eleito com as cores que variavam do cinza para o negro.

Cobranças públicas queriam que o gestor público colocasse em prática todas as promessas de campanha na primeira semana de administração. Hoje, quase dois anos depois, a surpresa: as oposições não se organizaram, abandonaram a estratégia de candidato natural e podem deixar Marconi sem um concorrente à altura no pleito de 2014. Pelo menos hoje não se vê um antagonista em potencial.

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Por sua vez, Marconi começa a recuperar sua popularidade e, após o aperto do começo da administração, tem dinheiro no caixa para tirar os projetos de governo da gaveta. O problema das oposições é hoje encontrar um nome certo e um partido.

Logo após o fim das eleições, o motivado Vanderlan Cardoso migrou do PR para o PMDB, com o nítido interesse de fabricar sua candidatura. Fez grande festa no Centro de Cultura e Convenções de Goiânia, teve ampla cobertura de todos os jornais e mídias, provocou inveja dentro da sigla e meses depois anunciou sua saída, em uma melancólica coletiva. Hoje não tem partido para disputar o pleito dos seus sonhos. E pior: rompeu com PT e PMDB ao lançar uma candidatura própria para a Prefeitura da Capital com o candidato Simeyzon (PSC)..

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Dentro do grupo político da oposição, Júnior Friboi se destacou como o candidato independente, uma espécie de Dom Quixote da política tradicional. Adquiriu uma legenda (PSB) para trilhar sua candidatura, começou a percorrer o Estado e hoje é cortejado por uma minoria dentro do PMDB, uma ala insubordinada que “torce” a desistência de Iris Rezende.

O maior problema de Friboi é sua estatura política. Neófito, muitos prefeitos e políticos do interior dizem que não entendem o que ele diz por onde passa. A dificuldade para se expressar pode ser determinante para abandonar ou não o objetivo principal. O grupo de Friboi se defende e diz que Alcides Rodrigues se elegeu, daí a esperança para que Friboi também consiga. Mas por mais que Alcides apresentasse um perfil semelhante, era médico e teve apoio fundamental para se gabaritar na disputa contra Maguito Vilela (PMDB). Além disso, os irmãos de Friboi não seriam simpáticos a uma possível candidatura.

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O mais perigoso, porém, é a atitude arriscada de Friboi, que pode colocar as empresas da família em um furacão eleitoral. Pipocam ações contra o grupo JBS Friboi, tanto trabalhistas quanto investigações do Ministério Público. O setor produtivo do interior não vê com bons olhos o grupo, acusado de monopolizar o mercado. Tem, portanto, a objeção do campo – e os industriais não o enxergam com bons olhos. Recentemente, o jornal “Valor Econômico”, referência em temas financeiros, ainda levantou suspeitas sobre a viabilidade dos investimentos do BNDES no grupo empresarial.

Idade avançada

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O peemedebista Iris Rezende seria o candidato natural das oposições, mas a saúde frágil, a idade avançada (terá 80 anos no período eleitoral) e a recente decisão judicial que tratou da indisponibilização de seus bens não deixam de ser obstáculos, a ponto de peemedebistas terem cogitado apoiar Friboi para a disputa.

O primeiro sinal foi dado quando parlamentares peemedebistas fizeram um rodízio para falar bem de Friboi no plenário da Assembleia Legislativa, no final de agosto. Resta ainda o PT, que teria dois nomes em potencial: os irmãos Antônio Gomide e Rubens Otoni. O problema do primeiro, que faz uma boa administração em Anapólis, é a falta de conhecimento da população quanto ao seu nome. E o irmão acabou se envolvendo no caso Cachoeira, em um dos vídeos mais populares do episódio, divulgado pela revista Veja. Para piorar, o PMDB não negocia a cabeça de chapa ao governo.

Em troca do comando das duas prefeituras (Goiânia e Anápolis), os peemedebistas querem o poder de todo Estado. Se reeleger em Aparecida de Goiânia, Maguito (PMDB) seria um nome forte, não fosse a rejeição que sofre dentro do próprio partido. E tem uma postura diferenciada, com aproximação gerencial do governador Marconi Perillo. Ronaldo Caiado (DEM) sonha disputar o governo, mas sabe da rejeição que carrega no sobrenome. Pode jogar: alardear que será candidato ao governo e tentar negociar uma vaga no Senado. Sem o ex-senador Demóstenes Torres de antes, a legenda perdeu o restante do charme que tinha.

Marconi se recupera com adversários divididos

Marconi Perillo jamais perdeu uma eleição, mas amargou momentos ruins. Em 2002, por exemplo, enfrentou uma crise equiparável à do começo deste ano. Foi considerado derrotado. Mas conseguiu vencer o opositor. Em 2010, teve que lutar contra os três poderes: Lula (presidente), Alcides Rodrigues (governador de Goiás) e Iris Rezende-Paulo Garcia (prefeitos). Venceu a apertada disputa.

A capacidade de ser fênix caracteriza sua relação com a imagem pública e a popularidade – elementos essenciais para um político que almeja o comando de um Estado. Para ganhar uma eleição majoritária não basta ter dinheiro. É preciso ter uma imagem constante, que até sofre avarias, mas que se recupera. Agora, com dinheiro no caixa, Marconi começa a reinventar projetos, que costumam cair no gosto dos eleitores. É o caso da Bola Universitária, hoje uma conquista de milhares de estudantes.

A demonstração de que tem recuperado seu espaço é a recente visita de uma comitiva das Nações Unidas (ONU), ocorrida na semana passada. O governador foi elogiado pelos agentes do organismo internacional, que não mediram palavras de incentivo para os programas tocados pelo gestor.

A capacidade de renascer eleitoralmente várias vezes torna Marconi um dos nomes fortes para a disputa de 2014. A base aliada teria outros, como José Eliton (DEM) e Vilmar Rocha (PSD), mas dificilmente perderá a oportunidade de lançar o governador à reeleição.

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