Doria erra ao supor que o Brasil não precisa de dois bancos públicos, diz sindicato

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região respondeu às declarações do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) sobre unificar e privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal; para o sindicato, Doria esquece o papel dos bancos públicos no financiamento da indústria nacional, na aquisição da casa própria, na agricultura familiar e na melhoria da infraestrutura

Banco do Brasil na Av. Paulista esquina com R. Augusta. Foto em 30 de abril de 2011.
Banco do Brasil na Av. Paulista esquina com R. Augusta. Foto em 30 de abril de 2011. (Foto: Charles Nisz)

SP 247 - O Sindicato dos Bancários de São Paulo respondeu às declarações do prefeito de São Paulo João Doria sobre privatizar e unificar os bancos púbicos federais. Para o sindicato, "qualquer estratégia de governo minimamente comprometida com os interesses da população brasileira deveria estar centrada no papel dos bancos públicos no financiamento da indústria nacional, na aquisição da casa própria, na agricultura familiar e na melhoria da infraestrutura".

Ainda segundo a nota divulgada pelos bancários de São Paulo e região, Doria erra ao supor que o Brasil não precisa de dois bancos públicos e mostra não entender o papel dessas instituições na politica econômica de um país.  

Confira a nota divulgada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo
O prefeito de São Paulo, João Doria, reafirmou nesta terça-feira (12) que o país não precisa de dois bancos públicos (BB e Caixa) e defende a privatização de um deles, por entender que a fusão evitaria "a sobreposição e o uso político também". 

Qualquer estratégia de governo minimamente comprometida com os interesses da população brasileira deveria estar centrada no papel dos bancos públicos no financiamento da indústria nacional, na aquisição da casa própria, na agricultura familiar e na melhoria da infraestrutura. Somente os bancos públicos aumentaram sua participação no credito total de 36% para 56% de 2008 para 2016. Enquanto que os bancos privados reduziram sua participação de 64% para 44% no mesmo período. Atualmente, o Banco do Brasil representa 19,6% do total de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 60% do crédito no agronegócio.

A economia brasileira passa por um momento grave, com forte retração da atividade econômica, elevação do desemprego e queda na renda das famílias. Em 2016 o PIB teve queda de 3,6% e as perspectivas futuras não trazem esperanças para a massa do povo brasileiro, visto que dia após dia são anunciadas intenções de medidas regressivas, como endurecimento das regras da previdência, congelamento dos gastos públicos primários, inclusive com saúde e educação, mudanças no FGTS, entre outras. Privatizar os bancos públicos não nos permitirá sair da crise, mas pelo contrário, irá aprofundar a recessão na medida em que enfraquece o mercado interno e a infraestrutura social e econômica que nos fizeram avançar na última década.

Nesse sentido, é urgente que alternativas para a saída da crise sejam construídas e que passem pela retomada da expansão do crédito para setores prioritários como moradia popular e agricultura familiar. Tais medidas contribuiriam ao mesmo tempo para fortalecer a economia, gerar empregos em setores intensivos em mão de obra, dinamizar o mercado interno e amenizar graves problemas sociais do Brasil como o déficit de moradias, a falta de acesso a terra e também a alta dos preços dos alimentos. 

Os bancos públicos levam a iniciativa privada a seguirem o exemplo e não o contrário. Eles realizam políticas anticíclicas em momentos de crise, auxiliando no acesso a casa própria, barateando a comida e auxiliando os pequenos empresários.

Defender os bancos públicos significa, portanto, defender um país melhor, mais desenvolvido, menos desigual, mais justo e mais fortalecido.

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