É hora de tomar crédito?
O volume de empréstimos cresce, as taxas de juros caem, mas ainda são altas na ponta final
A oferta de crédito na economia brasileira nunca foi tão ampla como agora. O estoque total de empréstimos do sistema financeiro chegou a R$ 2,269 trilhões, em outubro, com alta de 1,4% no mês e 16,6%, em 12 meses, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC).
Em relação a tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB) –, o saldo das operações de crédito ficou em 51,9%, em outubro, ante 51,5% de setembro. De acordo com o relatório do BC, o crédito com recursos direcionados (operações com taxas de juros ou recursos preestabelecidos em normas governamentais) "seguiram apresentando crescimento mais expressivo, com ênfase para a expansão dos créditos rurais e habitacionais".
No caso do crédito com recursos livres, a evolução permanece determinada pela demanda das famílias, "em cenário de retomada do nível da atividade no último trimestre, declínio das taxas de juros e estabilidade de índices de inadimplência".
Este movimento tem sido favorecido pela política de redução de juros do governo federal. A taxa de juros cobrada das famílias caiu 0,4 ponto percentual para 35,4% ao ano, de setembro para outubro. Essa é a menor taxa registrada pelo BC na série histórica, iniciada em 1994.
A taxa cobrada das empresas também atingiu o menor nível desde 2000, ao cair 0,5 ponto percentual e ficar em 22,1% ao ano. A partir desses dados, a taxa média de juros de empresas e pessoas físicas recuou 0,6 ponto percentual e ficou em 29,3% ao ano.
São valores ainda muito altos, em função do chamado spread (diferença entre a taxa de captação de dinheiro pelo banco e a cobrada dos clientes), que ficou em 27,8 pontos percentuais. No caso das empresas, a redução foi 0,3 ponto percentual para 15 pontos percentuais. A inadimplência, considerados os atrasos acima de 90 dias, ficou estável para as famílias em 5,9%. Em outubro, as empresas tiveram inadimplência 0,1 ponto percentual maior que em setembro, ao ficar em 4,1%.
Cheque especial ainda é proibitivo
Taxas anualizadas somam 143,4% ao ano, o que significa que o cliente deve fazer de tudo para não cair nessa armadilha
A taxa média de juros do cheque especial caiu 4,2 pontos percentuais, de setembro para outubro, de acordo com relatório do Banco Central (BC), divulgado hoje (29). Apesar da queda, a taxa continua alta na comparação com outras modalidades de crédito. A taxa do cheque especial ficou em 143,4% ao ano, em outubro.
A taxa do crédito especial, incluídas operações consignadas em folha de pagamento, caiu 0,6 ponto percentual e chegou a 39,1% ao ano.
No caso dos empréstimos para a compra de carro, a redução na taxa média de juros, de setembro para outubro, foi 0,2 ponto percentual para 20,7% ao ano.