E se a inflação subir com a queda de juros?

Investidor previdente pode optar por aplicações que já blindam rentabilidades

E se a inflação subir com a queda de juros?
E se a inflação subir com a queda de juros? (Foto: Shutterstock)
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Luciane Macedo _247 - A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), fechou abril em alta de 0,64%. O resultado, divulgado na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o triplo do registrado em março (0,21%) e o maior desde abril de 2011 (0,77%).

Mesmo que a inflação acumulada no ano seja de 1,87%, abaixo dos 3,23% para igual período do ano passado, e, nos últimos 12 meses, a alta seja de 5,1%, igualmente inferior aos 5,24% registrados no 12 meses anteriores, a alta de abril superou as expectativas do mercado e foi suficiente para levantar temores sobre a inversão de sinal -- em fevereiro e março, a trajetória vinha sendo de queda.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o IPCA ficou acima das expectativas do BC, mas acredita que a alta deverá perder fôlego, e que a inflação será menor que a de abril nos próximos três meses. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o crescimento da inflação no mês passado não é motivo para preocupações, e que o Brasil tem uma gama de instrumentos para mantê-la sob controle sem ter de interromper a trajetória de queda da taxa básica de juros da economia, a Selic.

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O investidor até poderia passar ao largo desta discussão, não fosse o ambiente de juros menores. Com expectativa de novas reduções na Selic (a próxima reunião do Copom é em 30 de maio), possíveis altas mais acentuadas da inflação podem corroer o ganho real das aplicações.

"A queda dos juros estimula o crescimento, mas, se o BC errar na dose, corre o risco de gerar inflação, então existe uma possibilidade real de a inflação subir, e o investidor tem que ficar atento daqui para a frente", explica Arthur Vieira de Moraes, agente autônomo de investimentos e membro orientador do Instituto Nacional de Investidores (INI).

Para blindar os ganhos e prevenir que as rentabilidades sejam comprometidas pela inflação, algumas modalidades de investimentos são mais indicadas (veja abaixo). Além disso, não se pode perder de vista a própria trajetória descendente da Selic. A inflação e a taxa básica de juros devem ser acompanhadas de perto, principalmente para quem investe em títulos do Tesouro Direto.

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Se, por um lado, a Selic em queda torna os títulos com juros prefixados atraentes, por outro, eles perdem atratividade para os títulos atrelados ao IPCA diante de uma possível alta da inflação.

As LTN (Letras do Tesouro Nacional) pagam uma taxa prefixada. Se a inflação subir, dado que estes juros estão fixos, o rendimento real da aplicação será menor, ainda que se tenha garantido juros mais atraentes diante da queda da taxa básica.

Já as NTN-B Principal (Notas do Tesouro Nacional, Série B, Principal) têm uma estrutura dupla de remuneração, uma prefixada, dada pela taxa básica de juros, e uma pós, dada pela variação do IPCA, o que garante o pagamento de juros reais previamente estipulados, algo que não ocorre com os outros títulos.

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"Se amanhã ou depois vier inflação e o BC subir a Selic de novo, quem comprou LTN fica no pior dos cenários, porque os juros que ele comprou já não serão tão atraentes e a inflação ainda estaria 'comendo' os rendimentos da aplicação", comenta Moraes. "Então, no Tesouro Direto, a NTN-B Principal é o título mais indicado para se proteger contra uma possível alta da inflação".

Na renda variável, fundos de investimento imobiliário (FII) são uma boa alternativa para o investidor previdente. "A indicação é procurar fundos que invistam mais em imóveis, e não em recebíveis, porque os contratos de locação são corrigidos anualmente pela inflação", orienta Moraes.

Para quem investe em ações, papéis de empresas que conseguem repassar a inflação ao preço final de seus produtos ou serviços são os mais indicados para blindar os investimentos. "Estas empresas conseguem manter a margem de lucro e o faturamento mesmo em cenário de inflação", explica Moraes. "É o caso de empresas de energia elétrica e exploração de rodovias".

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