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"Eduardo Campos não vai impor candidatura de Valadares ao Governo"

Quem dá esta garantia é o deputado federal Valadares Filho (PSB); de acordo com ele, diferentemente do que diz a imprensa, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não definiu candidatura a presidente em 2014 e não tem conversado sobre isto atualmente: "ele tem dito que 2013 é um ano de discutir a crise econômica e ajudar a presidente Dilma"; Valadares Filho garante que Eduardo Campos respeitará as alianças estaduais e não vai impor acordos; "a candidatura de Eduardo não significa, necessariamente, uma candidatura do senador Valadares ao Governo. Pode acontecer, mas isso não é uma ciência exata. Há até uma probabilidade que isto aconteça, mas não é uma questão fechada", diz

"Eduardo Campos não vai impor candidatura de Valadares ao Governo"

Valter Lima, do Sergipe 247 - O deputado federal Valadares Filho (PSB) concedeu entrevista ao Sergipe 247 no final da tarde desta segunda-feira (18), após um período extenso sem se posicionar sobre temas administrativos, políticos e eleitorais. Muito focado no mandato e nas visitas às bases do seu  partido no Interior do Estado, o parlamentar abriu um espaço em sua agenda para falar sobre a possível candidatura de Eduardo Campos a presidente da República e as consequências desta decisão na posição do PSB em Sergipe, para discutir também a unidade do grupo governista em 2014 e mostrar ainda qual a sua posição em relação ao apoio que o vereador Max Prejuízo tem dado à administração de João Alves Filho.

Sobre os primeiros 75 dias da gestão do seu adversário nas eleições passadas, em Aracaju, Valadares Filho prefere a tangente: "prefiro esperar mais para falar, pois sei que a minha opinião gerará eco, porque fui adversário direto dele e tive quase 40% dos votos. Prefiro ter paciência e aguardar. 75 dias não é tempo suficiente para se fazer uma avaliação de um governo". O deputado federal do PSB também comenta a reforma administrativa que o governador Marcelo Déda fará e refuta qualquer aliança entre PT e DEM, além de não acreditar numa aproximação entre PSB e PSC. 

Sergipe 247 – Quais são as prioridades do seu mandato para 2013?
Valadares Filho – Tenho dividido, tradicionalmente, meu mandato em duas frentes: a frente legislativa, que é de proposituras, discursos em plenário, defesa de bandeiras de interesse da sociedade - e dentro dessas proposituras, tenho levantado as bandeiras do esporte, da juventude, da educação, do turismo, com as quais tenho me identificado mais ao longo desses seis anos de mandato, inclusive nas comissões das quais faço parto, tanto Desporto e Turismo como Educação; a outra frente, que é muito importante, é a de ajuda aos municípios, trazendo recursos para as cidades sergipanas, sejam para obras de calçamento, construção de praças, ações de saúde pública, questões relacionadas à cultura, compra de máquinas e tratores. Os prefeitos sabem que tem em meu mandato um aliado, independentemente das questões políticas. Ajudo os municípios que não têm compromisso comigo, mas é claro que há os prefeitos aliados, que eu priorizo, mas não é uma regra geral. Se há uma prefeitura que tem um projeto ou reivindicação que considero importante para o desenvolvimento daquela cidade, eu ajudo.

Sergipe 247 – Nesta agenda de apoio aos municípios, o senhor já pensa na eleição de 2014? O senhor disputará a reeleição?
VF – Sem dúvida. Atuo como pré-candidato à reeleição. Me colocarei mais uma vez à disposição do partido e da sociedade para disputa uma vaga na Câmara Federal.

Sergipe 247 – Como o PSB pensa 2014? Fala-se muito na candidatura de Eduardo Campos a presidente o que forçaria uma candidatura do senador Valadares ao Governo de Sergipe?
VF – As informações que tenho e a partir das conversas que temos internamente com o PSB nacional e que Eduardo Campos tem tido com a bancada federal é de que, embora haja uma insistência da mídia colocando ele como candidato potencial a presidente, ele, com toda sinceridade do mundo, não tem discutido isso internamente. Ele tem dito que 2013 é um ano de discutir a crise econômica e ajudar a presidente Dilma naquilo que for necessário para que ela continue fazendo um grande governo. Essa é a prioridade e a pauta do PSB. Em 2013, o PSB não discutirá eleições presidenciais. Só no ano que vem, sentaremos a mesa com o presidente do nosso partido, que é uma liderança extremamente importante no Brasil, que faz parte de uma nova geração política e tem feito um grande governo em Pernambuco. Vamos discutir no próximo ano se teremos essa alternativa de Eduardo Campos presidente ou se continuaremos apoiando este projeto, que ajudamos a construir, que é o projeto da presidente Dilma e do ex-presidente Lula.

Sergipe 247 – No cenário da candidatura de Eduardo Campos se efetivando, como fica a situação em Sergipe?
VF – Eduardo respeita muito as questões estaduais. A candidatura de Eduardo não significa, necessariamente, uma candidatura do senador Valadares ao Governo. Pode acontecer, mas isso não é uma ciência exata. Há até uma probabilidade que isto aconteça, mas não é uma questão fechada. Podemos sim fazer as nossas alianças aqui no Estado com os partidos que nós temos já uma convivência de projeto durante todos esses anos e construir o palanque de Eduardo Campos aqui em Sergipe. Temos um partido organizado para isto. Temos prefeitos importantes, temos o meu mandato de deputado federal, temos o do senador Valadares, temos uma força muito grande aqui em Aracaju, principalmente, depois da eleição do ano passado. Ou seja, temos condição de, independentemente das alianças que viermos a fazer para as eleições estaduais, construir o palanque de Eduardo no Estado, de forma independentemente.

Sergipe – Mas o partido já trabalha com este objetivo?
VF – Não trabalha, porque a candidatura de Eduardo não está sendo trabalhada. Só vamos firmar se Valadares será candidato ou não a partir da conjuntura da candidatura de Eduardo Campos. A partir da candidatura de Eduardo, pela qual ainda não foi batido o martelo, nós iremos refletir a nossa situação local. Pode acontecer de Eduardo ser candidato e Valadares não ser candidato; pode acontecer de Valadares ser candidato e Eduardo não ser candidato. Ou pode acontecer dos dois não serem candidatos. Na política tudo pode acontecer. Não é possível prever hoje o que vai ocorrer daqui a mais de um ano. A política está muito incerta tanto no Brasil quanto em Sergipe. Mas repito: Eduardo respeita as alianças locais. Não será obrigatório ter candidato aqui caso ele seja candidato nacionalmente, até porque acabou a verticalização.

Sergipe 247 – Tanto o seu pai, o senador Valadares, quanto o governador Marcelo Déda afirmaram diversas vezes que o vice-governador Jackson Barreto é o candidato natural do grupo ao Governo. O senhor também enxerga desta forma?
VF – Ele é candidatura natural, até porque é a pessoa que vai assumir o governo naturalmente, que vai liderar o projeto dos partidos aliados do bloco do Governo Marcelo Déda. Então, a partir do momento que, em abril do próximo ano, Déda vier a se afastar para ser candidato ao Senado, é natural que o governador que assumir seja o candidato. Mas tanto Jackson, quanto eu, Déda, Valadares e todos dos partidos aliados sabem que qualquer candidatura majoritária precisa ser viabilizada. Uma candidatura não é apenas natural. Ela tem que ser natural e tem que ser viabilizada com os partido aliados. Eu tenho certeza que Jackson tem habilidade e força política suficiente para isto. Ele vindo a assumir o Governo e tendo o respaldo dos partidos aliados, ele, sem dúvida, é o candidato natural.

Sergipe 247 – E hoje como o senhor avalia a possibilidade de uma aliança entre o grupo da base governista e o prefeito João Alves Filho?
VF – Eu tenho ouvido de petistas que há uma resolução do partido que não permite aliança com o DEM. João teve um papel agora de ajudar no encaminhamento do Proinveste, que é natural, próprio da administração. Eu até louvo esse espírito público que ele teve, mas isso até se tornar uma aliança política no próximo ano está muito distante. Sinceramente, hoje não sei se isto seria possível.

Sergipe 247 – E o senhor acredita que ele será candidato em 2014?
VF – Também não sei, porque esta é uma decisão muito pessoal dele. A gente não sabe o que está se passando pela cabeça dele relacionado a isto. É difícil a quem está de fora, que não tem nem uma relação política, nem de amizade, saber o que ele pensa. É muito arriscado abrir mão da prefeitura para disputar uma nova eleição. Isto dependerá de muitos fatores, de como ele estará politicamente no próximo ano e como estará o cenário da política em Sergipe.

Sergipe 247 – Recentemente, ventilou-se a informação de que os Amorim estariam se aproximando de Eduardo Campos para viabilizar uma aliança ou até mesmo tomar o partido em Sergipe. Há possibilidade de uma aliança com eles? Há alguma conversa?
VF – O que eu sei é que existe uma relação boa entre os Amorim e o governador Eduardo Campos. Houve uma ajuda na época da eleição da Ana Arraes para o Tribunal de Contas da União. Existe uma relação pessoal boa, mas nada muito próximo. Mas como eu já disse, Eduardo respeita muito as alianças locais. Nós iremos nos aliar aqui em Sergipe com o projeto político no qual acreditamos. Ainda vamos avaliar no próximo ano. Não é só porque os Amorim venham a apoiar Eduardo Campos, que necessariamente iremos estar juntos aqui. Eduardo respeita as questões locais. Ele não colocará faca no pescoço para forçar uma aliança com partido A ou B. Ao contrário. Ele dirá: “veja o que é melhor para o PSB em Sergipe”. Até porque essa é a nossa prioridade: ver o que é melhor para o povo de Sergipe. E independente de qualquer aliança que ele venha a fazer, nós construiremos o palanque de Eduardo aqui.

Sergipe 247 – Voltando a Aracaju. João é prefeito há 75 dias. Já dá para fazer uma avaliação?
VF – Com a responsabilidade que tenho por ter sido seu adversário e com o povo de Aracaju, com o amor e consideração que tenho com a população, prefiro esperar mais para dar a minha opinião. Eu sei que a minha opinião gerará eco, porque fui adversário direto dele e tive quase 40% dos votos. Neste momento, prefiro ter paciência e aguardar. Torço que ele faça um grande governo. Eu serei um fiscalizador de forma democrática, serena e com responsabilidade. 75 dias não é tempo suficiente para se fazer uma avaliação de um governo.

Sergipe 247 – Em relação ao PSB na Câmara de Aracaju, tem-se hoje um vereador alinhado a João, que é Max Prejuízo, e outro na oposição, que é Lucas Aribé. Como o partido está acompanhando a posição de Max?
VF – O que Max conversou comigo é que fez uma aliança administrativa com a prefeitura de Aracaju e algumas reivindicações do Augusto Franco têm sido atendidas. Mas politicamente, é outra coisa. Ele faz parte do nosso projeto político.

Sergipe 247 – Mas se ele tivesse na oposição não seria melhor para o partido poder marcar posição?
VF – Isso é uma coisa que ele tem que avaliar. A partir do momento que ele diz que os problemas das famílias que estão desalojadas foram resolvidos, a obra do canal que estava paralisada foi reiniciada, o mercado do Augusto Franco está sendo recuperado, qual o argumento que eu tenho para chegar para ele e dizer que não faça mais isto e deixe os problemas do bairro persistirem? O que tenho que fazer é confiar nele de que a orientação política dele é a do partido que ele pertence. Não cabe a nós prejudicar o Conjunto Augusto Franco.

Sergipe 247 – Muito tem se falado sobre reforma administrativa no Governo Déda. O PSB pleiteará mais espaço?
VF – O governador conversará com os partidos aliados após a aprovação do Proinveste, que deverá ocorrer nesta semana. O PSB pleiteia os espaços que tem. Sabemos que o governador tem que trazer outros partidos para o Governo, como o PSD. E é justo que isto ocorra. Mas não acredito que nenhum partido perderá espaço. 

Foto: Renato Araújo/Agência Câmara