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Eduardo não quer sombra em seu palanque

Oficialmente, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, não compareceu a manifestação dos governadores em Brasília contra o veto da divisão dos royalties do petróleo por dificuldades de agenda; Nos bastidores, porém, o comentário é de que uma das principais razões da ausência se deve às divergências entre ele e o governador cearense Cid Gomes, e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, que, embora integrem a mesma legenda, não mantém as melhores relações com o presidente da sigla

Eduardo não quer sombra em seu palanque

 Paulo Emílio_PE247- A manifestação dos governadores em Brasília para derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff à divisão dos royalties do petróleo não contou com a presença daquele que talvez fosse a voz mais esperada no encontro: o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. Oficialmente, Eduardo não participou por dificuldades de agenda, já que estava em viagem. Nos bastidores, porém, o comentário é de que uma das principais razões da ausência se deve às divergências entre Eduardo Campos e o governador cearense Cid Gomes. Cid e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, que, embora integrem a mesma, não mantém as melhores relações com o presidente da sigla socialista.

Além da relação não muito amistosa entre ambos, a manifestação aconteceu na sede do governo cearense em Brasília. Em seu lugar, Eduardo despachou o secretário da Fazenda, Paulo Câmara, para representa-lo na manifestação que contou com a presença de 20 governadores e representantes estaduais contrários a medida.

A situação chamou a atenção, uma vez que Eduardo foi o primeiro a se manifestar de forma contrária ao veto presidencial relativo à partilha dos royalties. Ele também defende vigorosamente a criação de um novo pacto federativo que promova uma maior autonomia de estados e municípios e uma melhor divisão dos recursos da União.

Colocando-se como presidenciável pelo seu partido nas eleições de 2014, não seria interessante para Eduardo servir de trampolim para alavancar a força de Cid Gomes. E, de forma indireta, a de Ciro Gomes. As divergências entre eles são conhecidas. Ciro, que já foi presidenciável por siglas como o PPS, defendeu que os socialistas lançassem candidatura própria à presidência em 2010, tendo ele na cabeça de chapa. O PSB acabou optando por apoiar a eleição de Dilma Rousseff (PT) e manter a aliança com o Partido dos Trabalhadores.

Nesta última eleição a rusga se tornou mais evidente. Na ocasião, já se posicionando como virtual pré-candidato à Presidência da República, Eduardo sofreu duras críticas por parte dos irmãos Gomes sobre o seu posicionamento. Tanto Cid como Ciro defendem que o PSB não concorra à presidência em 2014, permanecendo na base de apoio de Dilma. Eduardo também não teria sido convidado para participar de nenhum evento político em prol da candidatura do também socialista Roberto Cláudio, que acabou saindo vencedor do pleito municipal e terminou por reforçar a força política do clã Gomes.

Com o clima tenso, Eduardo fez a opção mais óbvia. Despachou um represente em seu lugar, mesmo sabendo que em um primeiro momento o posicionamento dos governadores contra o veto sobre a partilha dos royalties poderia ser capitalizado em parte por Ciro Gomes. Mas quem conhece o governador pernambucano tem uma certeza, que o gesto foi extremamente calculado, de forma a não ampliar a dissenção interna e nem comprar uma briga direta com o Governo Federal.