Eldorado capta R$ 940 milhões de fundo de FGTS da Caixa
Captação é para a Eldorado Brasil Celulose, localizada em Mato Grosso do Sul; objetivo do fundo é obter retorno para o dinheiro dos trabalhadores a partir do investimento em projetos ligados a infraestrutura; a Eldorado de Joesley Batista tem entre os principais sócios os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa)
Goiás247_ Empresa controlada pela J&F Participações, do Grupo JBS, a Eldorado Brasil Celulose fechou captação de R$ 940 milhões por meio de uma emissão de debêntures. A empresa, cuja fábrica foi inaugurada a poucas semanas em Três Lagoas (MS), obteve os recursos com o fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).
O FI-FGTS foi criado em 2007 e tem patrimônio de R$ 21 bilhões. O objetivo é obter retorno para o dinheiro dos trabalhadores a partir do investimento em projetos ligados a infraestrutura. Administrado pela Caixa Econômica Federal, o fundo investe tanto em instrumentos de dívida corporativa como diretamente no capital de empresas.
Segundo a emissão, as debêntures da Eldorado vencem em 15 anos e renderão IPCA mais 7,41% ao ano, taxas praticamente inexistentes no mercado com papéis de prazos semelhantes.
As própria J&F, do goiano Joesley Batista, será a fiadora da transação. A holding obteve recentemente empréstimo de R$ 500 milhões da Caixa, também via debêntures. Além da J&F, a Eldorado tem entre os principais sócios os fundos de pensão Petros (dos funcionários da Petrobras) e Funcef (Caixa).
Ao Valor, o vice-presidente de gestão de ativos de terceiros da Caixa, Marcos Roberto Vasconcelos, afirmou que as condições das debêntures foram muito boas para o fundo, pois não se encontra mais taxas como as pactuadas no mercado.
A empresa usará os recursos obtidos do FGTS para implementar projetos de saneamento e logística, incluindo um sistema de hidrovias pelo qual deve escoar a celulose.
O FI-FGTS tem como meta obter rentabilidade equivalente à TR mais 6% ao ano. Neste ano, Vasconcelos diz que "é possível" que o fundo cumpra o objetivo. Mas como investe em projetos de longo prazo, Vasconcelos afirma que o desempenho da carteira não deve ser medido em períodos curtos como o anual.