Eleição de Zezinho pode ser uma "vitória de Pirro"

Com sequelas pouco avaliadas, ainda contaminadas pelo acirramento da disputa, a reeleição do deputado Zezinho Albuquerque para a presidência da Assembleia Legislativa aponta efetivamente para os problemas que virão em 2018. A hegemonia do grupo político liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes está em cheque. Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, foi considerado um dos maiores generais militares de seu tempo. Quando lhe deram os parabéns pela vitória na Batalha de Ásculo, conseguida a custo, diz-se que respondeu com estas palavras: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido"

Com sequelas pouco avaliadas, ainda contaminadas pelo acirramento da disputa, a reeleição do deputado Zezinho Albuquerque para a presidência da Assembleia Legislativa aponta efetivamente para os problemas que virão em 2018. A hegemonia do grupo político liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes está em cheque. Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, foi considerado um dos maiores generais militares de seu tempo. Quando lhe deram os parabéns pela vitória na Batalha de Ásculo, conseguida a custo, diz-se que respondeu com estas palavras: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido"
Com sequelas pouco avaliadas, ainda contaminadas pelo acirramento da disputa, a reeleição do deputado Zezinho Albuquerque para a presidência da Assembleia Legislativa aponta efetivamente para os problemas que virão em 2018. A hegemonia do grupo político liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes está em cheque. Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, foi considerado um dos maiores generais militares de seu tempo. Quando lhe deram os parabéns pela vitória na Batalha de Ásculo, conseguida a custo, diz-se que respondeu com estas palavras: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido" (Foto: Fatima 247)

Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, foi considerado um dos maiores generais militares de seu tempo. Quando lhe deram os parabéns pela vitória na Batalha de Ásculo, conseguida a custo, diz-se que respondeu com estas palavras: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido." É esta a avaliação que o governador Camilo Santana (PT) e seus aliados Ferreira Gomes (Ciro e Cid - PDT) deveriam fazer sobre a vitória conseguida ontem, na eleição da Assembleia Legislativa, que conduziu o deputado Zezinho Albuquerque para um terceiro mandato à frente do parlamento estadual cearense.

Com uma forte disputa na base governista, o governador Camilo Santana pode vir a enfrentar problemas para aprovação de matérias do interesse do governo. O candidato derrotado, deputado Sérgio Aguiar não aceitou a derrota e já anunciou uma postura de independência em relação ao governo e disse estar avaliando sair do PDT, maior partido da base aliada.

Em seu desabafo Sérgio Aguiar considerou desleal a postura dos seus ex-companheiros. “O que fizeram comigo foi desleal. Vou repensar minha atuação política. Provavelmente não fico no partido”. Sem nominar os desleais, fica a dúvida sobre o que teria acontecido com os compromissos e as negociações de bastidores.

Mas, para além dos problemas que o governo do Estado venha a enfrentar na Assembleia, a disputa pela presidência aponta o problema de hegemonia que envolve diretamente a base política dos irmãos dos Ferreira Gomes, principais forças de sustentação do governador Camilo Santana (PT). Aliados com aspirações mais altas parece que não veem muitas perspectivas. 

A ruptura com o Conselheiro do TCM, Domingos Filho, era um desfecho anunciado, desde 2014, na indicação de Camilo Santana ao Governo do Estado. Domingos foi preterido nas suas aspirações de candidatura e contemplado com o cargo vitalício do Tribunal de Contas dos Municípios. Mas, ao que se comenta, Domingos aspira o Senado ou o Governo do Estado, em 2018. 

O deputado Ivo Gomes, irmão mais novo dos Ferreira Gomes, prefeito eleito de Sobral, depois do resultado da eleição criticou abertamente a interferência do Conselheiro Domingos Filho no processo. "Ele foi para o Tribunal para ser um magistrado, para ficar equidistante em relação a disputas e, principalmente longe, muito longe, da política".

Domingos Filho, na verdade, nunca abandonou a articulação política. Controla dois partido PSD e PMB, que juntos, tem sete deputados estaduais e são respectivamente presididos no Ceará, por seu filho, deputado federal Domingos Neto e sua mulher, a prefeita de Tauá, Patricia Aguiar.

Nas eleições de 2016, Patrícia disputou a reeleição mas foi derrotada. O quê, supostamente teria enfraquecido as pretensões futuras de Domingos Filho. Por isso, a presidência da Assembleia era uma disputa estratégica para seu futuro político, numa aliança com Sérgio Aguiar, filho do também conselheiro do TCM e ex-deputado estadual, Francisco Aguiar.

Sérgio Aguiar sempre foi ligado aos Ferreira Gomes, acompanhando inclusive as diversas trocas de partido do grupo. Sérgio Aguiar também aspirava a presidência da Assembleia, desde a primeira reeleição de Zezinho Albuquerque, em 2014. Mas guardou para este ano suas pretensões, na certeza que seria o candidato. Agora, pelas suas últimas declarações, o rompimento deve ser definitivo e seu provável caminho será a manutenção da aliança com Domingos Filho, com uma filiação ao PSD.

O que está em jogo, na verdade, é 2018, com as disputas dos governos federal e estadual. Abalado pela crise, o PT tem pouca influência no futuro político de Camilo Santana. Ciro Gomes aspira disputar a presidência da República e no Ceará, Cid pode substituir Camilo ou disputar o Senado, dependendo da aliança nacional que for construída pelo bloco de oposição a Temer, PT, PDT e PCdoB.

O resultado desta disputa até agora aponta que cabe ao governador tentar recompor suas bases e ter a menor perda de apoio possível, na Assembleia, para evitar maiores problemas. A Ciro e Cid, cabe repensar a relação com os aliados, inclusive com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, cujo futuro é uma incógnita. O prefeito não fala de suas pretensões.

O tamanho da oposição também é uma incógnita. Hoje, liderada pelos senadores Tasso Jereissati e Eunício Oliveira, com o apoio de outras forças de menor relevância, pode vir a formar um bloco com Domingos Filho. Resta saber se há espaço político para todos nesta articulação.

 

 

 

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