Eleição em Goiás: propostas e projetos ainda ficam no 2º plano
Ronaldo Caiado (DEM), Daniel Vilela (MDB) e José Eliton (PSDB) ainda se concentram nos confrontos políticos e perdem a chance de apresentar projetos e programas para o futuro de Goiás; os três principais pré-candidatos têm dificuldades em mostrar propostas ou ações que sinalizem o que pensam para o próximo ciclo governo; Caiado e Daniel se preocupam mais em falar mal do governo estadual e criticar o legado de Marconi Perillo; Eliton, que assumiu o governo no começo de abril, se concentra em ações pontuais na saúde e segurança; nenhum conseguiu olhar para o futuro e dialogar com os goianos a respeito do que irá apresentar na campanha
Goiás 247 - O ano de 2018 está quase na metade e ainda é difícil enxergar nos três principais pré-candidatos ao governo de Goiás um conjunto de propostas convincentes e factíveis que apontem o futuro do Estado nos próximos quatro anos. Como tradição, a política em Goiás é alimentada pela polarização extrema entre PSDB e PMDB; mas a novidade desse pleito é o senador Ronaldo Caiado (DEM).
O eleitor mais atento que acessa as notícias diariamente dificilmente consegue absorver algo que sinalize propostas desenvolvimentistas para Goiás. A discussão, desde meados do ano passado, se resume ao confronto político puro e simples. O PSDB, com o governador José Eliton, diz que precisa dar continuidade aos avanços conquistados na era de Marconi Perillo.
O PMDB, do deputado federal Daniel Vilela, diz que o ciclo marconista se encerrou e novas práticas públicas precisam ser adotadas. E, por fim, Ronaldo Caiado, com seu discurso radical de que tudo, mas tudo mesmo, está errado e só ele, como bastião da moralidade pode consertar.
O senador, que desde os tempos que fazia oposição ao PT de Lula no Congresso Nacional, aposta tudo no radicalismo. Para Caiado, Goiás é um Estado atrasado, tomado por aproveitadores que agora precisam ser varridos do poder. É uma visão estreita e totalmente incompatível com a realidade. Poucos estados avançaram nos últimos anos como Goiás. E os governos de Marconi Perillo tiveram papel fundamental nesse salto de crescimento na indústria, no comércio, no social, na infraestrutura, na saúde e agropecuária.
A dificuldade de Caiado em se apresentar num contexto propositivo é tanta que nem mesmo na área da saúde ele consegue mostrar soluções. Caiado é médico bem sucedido, mas apenas critica o modelo em vigor na saúde estadual. Nas duas últimas eleições estaduais, o MDB foi por esse caminho de criticar tudo e atacar o legado marconista. Não deu certo. Marconi venceu em 2010 e 2014, ampliando sua freguesia sobre Iris Rezende.
Nesta eleição, o MDB continua perdido quando o assunto é proposta para o povo goiano. Daniel Vilela já diminuiu um pouco o apetite voraz em atacar o governo estadual. Porém, passa mais tempo falando mal dos adversários do que apresentando suas ideias aos potenciais eleitores. Quando questionado sobro que vai fazer e mudar no Estado, Daniel se resume a citar a tão falada "gestão". Para o filho de Maguito, uma boa gestão é capaz de melhorar todas as áreas e todos os índices.
O discurso de Daniel é frágil. Uma das principais demandas hoje em Goiás, por exemplo, é a violência. Só uma gestão nova não será capaz de reduzir estatísticas criminais e devolver a tão sonhada "sensação de segurança".
Por falar em segurança, ela vem sendo a principal carta na manga de José Eliton nas suas primeiras semanas como governador. Em 30 dias, criou o Batalhão dos Terminais e visitou passarelas de ônibus para comprovar a melhora da segurança para os usuáriso do transporte coletivo. Mas, nesta semana, o novo governo viu como é difícil o tema da segurança pública. Bandidos fortemente armados invadiram a cidade de Ipameri, espalhando terror e roubando bancos e até uma joealheria. Para piora, em Goiânia, uma jovem estudante foi assassinada por bandidos quando estacionava seu carro.
Eliton também está dedicando esforços na saúde. Foi criado o Terceiro Turno na Saúde para agilizar a enorme fila de exames e cirurgias eletivas. O programa vem sendo um sucesso, acabando com a agonia de pacientes que esperavam há meses para receber atendimento na rede pública.
Dificuldade
Como se vê, os pré-candidatos ainda estão perdidos no imediatismo e nas picuinhas políticas. Nenhum até agora conseguiu ao menos sinalizar aos eleitores o que pretende para o Estado. O contra-argumento pode ser que ainda não é hora e que a campanha só começa em agosto. Só que o candidato que começasse a expor seus projetos e ideias com clareza já por agora certamente teria vantagem sobre os concorrentes, além de se aproximar do eleitor.
Em tempos de desgaste e descrédito da classe político, o que a população mais quer é novidade e projetos bem elaborados. O mais do mesmo já cansou.