"Eliane e a memória de Déda não merecem exposição barata"
Quem diz isto é o jornalista Joedson Telles, que considera açodado o debate sobre a filiação ou não da ex-primeira-dama Eliane Aquino; para ele, ainda não é o momento de se discutir este tema; "Felizmente, lúcida, ela parece não entrar na moda. Respondeu que sim, e pronto. Aliás, até tem dito que sua cabeça está no homem que ama e não na política", ressalta
Sergipe 247 - O jornalistas Joedson Telles comenta, nesta terça-feira (28), em seu blog a insistente discussão sobre a filiação ou não da ex-primeira-dama Eliane Aquino ao PT. "Assunto chatinho", diz ele. "Felizmente, lúcida, ela parece não entrar na moda. Respondeu que sim, e pronto. Aliás, até tem dito que sua cabeça está no homem que ama e não na política", ressalta.
Na análise dele, ainda é cedo para tratar desta questão. "O próprio PT deve evitar alimentar o equívoco, e deixar para tratar o assunto no momento oportuno. Leia-se: quando a própria Eliane decidir, e se decidir, colocá-lo em pauta. Necessariamente, é preciso partir dela. Somente dela", ressaltou.
Abaixo o texto na íntegra:
Assunto chatinho essa tecla batida ao extremo se a viúva do ex-governador Marcelo Déda é ou não filiada ao Partido dos Trabalhadores. E, em caso de ser, a incógnita se disputa ou não Senado Federal nas eleições deste ano. Felizmente, lúcida, ela parece não entrar na moda. Respondeu que sim, e pronto. Aliás, até tem dito que sua cabeça está no homem que ama e não na política.
Não se esperaria uma postura diferente de Eliane Aquino. O longo tempo em que assistiu ao esposo definhar embalado pela crueldade de um câncer, não permitiria, em tão curto espaço de tempo, vermos uma Eliane Aquino empolgada com a ideia de "brigar" com aliados pela vaga de pré-candidata ao Senado. Eliane sofreu e continua sofrendo muito com o que o destino lhe reservou.
Levando isso em conta, o bom senso grita que Eliane Aquino, a família do ex-governador e, inclusive, a sua memória, não merecem exposição barata. Às vezes sensacionalismo na carona da morte. O próprio PT deve evitar alimentar o equívoco, e deixar para tratar o assunto no momento oportuno. Leia-se: quando a própria Eliane decidir, e se decidir, colocá-lo em pauta. Necessariamente, é preciso partir dela. Somente dela.
O que parece é que há setores isolados depositando todas as esperanças em contar com Eliane para ter um representante petista disputando na chamada majoritária. O que é de um açodamento ululante.
Primeiro pela questão emocional já colocada pela própria Eliane pela recente perda de Déda. Segundo porque, mesmo filiada ao PT, Eliane precisaria provar ser o melhor nome da legenda, e, posteriormente, do grupo, para uma missão que não será das mais fáceis – sobretudo no caso de a senadora Maria do Carmo decidir pela pré-candidatura à reeleição.
Terceiro porque o PT, tampouco o grupo, pelo que consta, sentaram à mesa para discutir o processo eleitoral, quanto mais para fechar chapa majoritária. Quarto, como diz um jargão político, "ninguém é candidato de si", sobretudo em se tratando de candidatura majoritária. Por fim, não há eleição que se permita ao luxo de descartar as pesquisas eleitorais. Eliane estaria bem nas pesquisas? Seria bom levar isso em conta, para não arriscar desgastar sua imagem e a memória de Déda desnecessariamente.