Em 25 páginas, Época exalta Campos. É candidato?

Revista semanal destaca, em sua capa desta semana, "o governador mais popular do País". É ele mesmo: Eduardo Campos, governador de Pernambuco, presidente do PSB e ator importante na sucessão presidencial. Será que, agora, com empurrão das Organizações Globo, ele se anima e assume uma candidatura presidencial?

Em 25 páginas, Época exalta Campos. É candidato?
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247 - O jogo de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, parecia claro. Enquanto o PT não se definisse, ele continuaria em cima do muro. Sendo Dilma Rousseff a candidata, ele arriscaria entrar na disputa já em 2014. Sendo o ex-presidente Lula, ele brigaria para ser vice, deslocando Michel Temer. Nesta última semana, Dilma obteve sua maior vitória em dois anos de governo, com a redução das tarifas de luz e praticamente se impôs como candidata natural do PT. Coincidência ou não, o deputado Beto Albuquerque (PSB/PE), frequentemente apontado como porta-voz informal de Campos, disse que, agora, o PSB estava livre para tentar seu projeto presidencial.

Se faltava um empurrão, ele veio agora. E partiu da todo-poderosa Globo. Neste fim de semana, a revista Época dedica sua capa (para sssinantes) ao "governador mais popular do País", numa reportagem que espanta pelo tamanho: nada menos que 25 páginas. A chamada, "Quem tem medo dele?", numa semana em que Dilma gerou os principais fatos na política e na economia, certamente alimentará a especulação de que a Globo encontrou seu candidato – uma vez que, no PSDB, Aécio Neves ainda não lançou sua candidatura e José Serra continua criando constrangimentos.

Abaixo, um trecho da reportagem assinada por Luiz Maklouf Carvalho:

O estilo, a trajetória e as ambições de Eduardo Campos, o governador mais popular do país

Quem é o protagonista da política nacional e nome incontrolável nas conversas sobre sucessão presidencial – embora ele insista em negar ser candidato

LUIZ MAKLOUF CARVALHO

Capa da edição 766 de ÉPOCA exclusiva para assinantes (Foto: Leo Caldas/ÉPOCA)

O governador Eduardo Campos, de Pernambuco, é um ótimo piloto de cadeira giratória de rodinhas. Logo ao sentar-se, elegante e espaçoso, já sublinha a que veio. A cadeira é uma das 13 de uma grande mesa preta, em forma de U, na sala de reuniões contígua a seu gabinete. Não terá um minuto de sossego por quase três horas. Campos a manobra para todos os lados possíveis, a esporeia com o ritmo acelerado de sua fluência verbal e, quando a leva, num tiro curto, em direção ao interlocutor, o dorso ainda atlético de 47 anos também assoma, enfático. Seus translúcidos olhos verdes são, surrupiando um autor contemporâneo, como pássaros querendo voar para fora da cara. Campos é, sobretudo, olhos. Na beleza variante da cor, que fisga a atenção, e, principalmente, na mirada, no manejo que lhes sabe dar, ora águia, ora cobra, focados na sedução. “Sedutor” é um recorrente qualificativo até entre adversários regionais – como o senador Humberto Costa, do PT, ou o deputado federal Mendonça Filho, do DEM. Campos sabe que, nos dois casos, o sentido é “cuidado com ele!” – ambos, afinal, são vítimas de peia eleitoral. Mesmo assim, não desgosta.  

Não é o caso quando é chamado de “coronel”, como fez a revista britânica The Economist em reportagem recente, que também registrou seu lado de gestor dinâmico e empreendedor à frente do Estado que governa pela segunda vez, com aprovação recorde – 89% na última pesquisa. Provocado – “O senhor leva mesmo um jeitão de coronel...” –, Campos não esconde o desconforto. Leva a cadeira para a frente e para trás, dá uma brusca freada de general e responde:  

– Isso só acontece quando alguém nasce por aqui. Nunca vi um rótulo desses num político carioca, paulista ou mineiro. Então lamento, porque é uma coisa desqualificando. Que maneira tenho de botar ordem aqui? “É um coronel.” Tá bom. (Falar) é um direito (deles). Fazer o quê?

Entre dez governadores pesquisados pelo Ibope no final do ano passado, Campos obteve a maior aprovação: 34% acham sua gestão “ótima”; 45%, “boa”; 15%, “regular”; 4%,“ruim”; e 3%,“péssima”. É tamanha popularidade que explica por que tantos políticos têm se aproximado dele e que seja impossível discutir a sucessão da presidente Dilma Rousseff sem que seu nome venha à tona. Ele próprio negou, em entrevista publicada por ÉPOCA em dezembro, que pretenda se candidatar à Presidência. Na ocasião, disse que “sem dúvida” apoiaria a reeleição de Dilma. É nessa canoa que os pés de Campos estão, ambos. Antes da eleição municipal de Pernambuco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava disposto a costurar sua candidatura a vice, já em 2014. Depois que Campos praticamente humilhou o PT, ao lançar candidato próprio à prefeitura do Recife – e vencer –, Lula e Dilma sabem que ficou mais difícil. O desejo de ambos é mantê-lo na canoa para, quem sabe?, um voo solo em 2018. Ser ministro de Dilma reeleita, em Pasta de visibilidade, é uma possibilidade.

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