Em Anápolis, Cachoeira não perdeu a majestade

A cidade a base familiar do contraventor, transferido nesta tera para bem perto, a Papuda, em Braslia. Afinal, como os anapolinos acompanham o caso? Quem Carlinhos Cachoeira na viso dos moradores de sua terra natal?

Em Anápolis, Cachoeira não perdeu a majestade
Em Anápolis, Cachoeira não perdeu a majestade (Foto: Bruno Stuckert/Folhapress)
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Henrique Morgantini_Goiás247 - O homem que está agora na Papuda, em Brasília, segue comprometendo carreiras políticas em âmbito nacional e é lembrado por ser capaz de revelar os mais densos e obscuros segredos da sujeira na política nacional é desconhecido em Anápolis. O “inimigo nacional número um” do momento, em Anápolis, é apenas o Carlinhos, um romântico contraventor, bem longe do poderoso empresário que tinha por hobby colecionar políticos em seus bolsos milionários. 

A imagem que os anapolinos guardam – e mantém – de Carlinhos Cachoeira é o do contraventor do bem. Sim, acredite, este conceito existe no coração de muita gente pelo Brasil afora. O contraventor generoso, sempre lembrado em diversas rodas de conversas como o responsável por ajudar este ou aquele sujeito. A imagem do homem que dava ordens ao senador mais probo e moralista de república é apenas um espectro distante da realidade Anapolina. Coisa de televisão. É como vêem em Anápolis.

Nem mesmo o escândalo de Waldomiro Diniz em 2004 mudou esta imagem. Ao contrário: reforçou o mito do “menino da Vila Gois, aquele danado”. Os mais velhos se recordam de Sebastião Cachoeira, da Fazenda Cachoeira, a verdadeira origem do sobrenome improvisado que se tornou sinônimo de poder paralelo em Goiás e de insônia para políticos de toda sorte.

Entre os conhecidos, amigos, e os conhecidos que sempre gostaram se passar por íntimos de Cachoeira e que hoje estão fingindo sequer desconhecer seu nome, Carlinhos é lembrado sempre por uma história singular. Quase sempre bastante pitoresca e engraçada. Se é datada dos idos da década de 1990, não é difícil ouvir a mesma frase em algum momento da narrativa. “Mas isso era no tempo que ele era pobre, não era O Carlinhos Cachoeira”. Eles têm razão: em algum momento Carlinhos era outro, mais acessível e financeiramente mais compatível com os amigos que lembram histórias dele.

O que chama a atenção é que nem mesmo o dinheiro ou a fama de “homem forte” das sombras da política fez Carlinhos abandoná-los. Continuou amigo de todos, fazendo as mesmas brincadeiras de quando jogava pelada nas ruas da cidade, quando saía para festas aos sábados e namorava quem queria (sim, a poder de convencimento de Cachoeira está na lábia e na sedução muito antes de estar nos milhares de reais que aparecem em suas gravações).

E esta fama “romântica” persiste. Em 2004 não mudou. Em 2012, segue perfeita, blindada de escândalos e negociatas. Para os anapolinos que conhecem Carlinhos Cachoeira, sejam da Vila Gois, onde está a raiz de sua família, ou os frequentadores dos bares e restaurantes que Carlinhos nunca deixou de frequentar quando estava na cidade (sempre circulando com discrição, sem qualquer aparato de segurança ou coisa parecida), ele segue sendo mesmo: engraçado, leve, generoso e o rascunho de um filho pródigo que a cidade lançou ao mundo. Todos sabem e sempre souberam da única atividade relevante de Cachoeira: a exploração do jogo. Sejam com o Bicho, iniciado pelo seu pai nos anos 1980 ou depois com as “maquininhas”. O empresário dono da Vitapan é sumariamente descartado pelos amigos e conhecidos. É mais ‘sedutor’ ser amigo do ‘gangster do bem’, uma ideia romantizada por Coppola, Pacino e todo o glamour dos Corleone, por exemplo. 

Definitivamente, o homem dos milhões de reais, do patrimônio incontável, do senador Demostenes, da relação com o deputado Carlos Leréia, e de tantas outras revelações feitas pela gravação da Polícia Federal, pelo menos em Anápolis, segue onde deve estar: apenas na televisão.

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