AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > Geral

Em carta, Marcinho VP diz que Oruam errou e precisa responder pelos próprios atos

Oruam é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em junho do ano passado

Em carta, Marcinho VP diz que Oruam errou e precisa responder pelos próprios atos

247 - O traficante Marcinho VP afirmou, em carta enviada de dentro do sistema penitenciário federal, que seu filho, o rapper Oruam, cometeu erros e deverá responder judicialmente por eles. As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Ullisses Campbell, publicada pelo jornal O Globo.

Preso desde 2007 em penitenciária federal de segurança máxima em Campo Grande (MS), Márcio dos Santos Nepomuceno mantém rotina de escrever cartas ao advogado, o ex-desembargador Siro Darlan. Nas correspondências, ele comenta temas políticos, sociais, sua situação judicial e também o processo criminal envolvendo o filho.

Oruam é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em junho do ano passado. Atualmente, o artista é considerado foragido após a revogação de um habeas corpus e o restabelecimento da prisão preventiva. Ele também responde por acusações como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.

Pai admite erro do filho
Em um dos trechos da carta, Marcinho VP reconhece falhas na conduta do filho, mas critica o que considera exagero nas acusações."No que dizia respeito a meu filho Popstar, firmeza total. Como pai, lamento muito por tudo que ele está passando, porém, ele também não vigiou né? Ainda assim, tem que pagar (somente) apenas pelo que fez de verdade, e não por acusações levianas e armas portadas como estão intentando fazer com o menino."

O detento afirma estar confiante na Justiça brasileira e sustenta que imagens do episódio esclareceriam os fatos."Depois de Deus, o tempo e o Juiz são mais perfeitos."

Em outro momento, ele reforça que não concorda integralmente com as atitudes do filho, mas defende que a responsabilização seja proporcional.

"É de luzidia evidência jurídica que meu filho errou, e não abono sua conduta. Ele tem que pagar pelo que fez. Entretanto, não é justo, e muito menos escorreito, intentarem atribuir a ele coisas na qual ele não fez."

Reflexão, fé e expectativa de mudança
Ao comentar a trajetória pessoal de Oruam, Marcinho VP relembra a criação religiosa da família e atribui parte dos problemas ao impacto da fama."Todos os meus filhos cresceram na Igreja. O Mauro era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde. Todavia, é insofismável que o sucesso fez ele tirar os pés do chão um pouco e se perder."

O traficante afirma acreditar que o período de prisão poderá servir como aprendizado pessoal e espiritual para o artista."Pois meu filho não é, e nunca foi nenhum bandido. Mais sim um artista com potencial ímpar, que canta, compõe e arrasta multidões. Acredito que ele, se tiver juízo, vai sair de lá maior do que entrou."

A carta também traz referências religiosas e reflexões bíblicas, nas quais ele interpreta o momento vivido pelo filho como parte de um processo de transformação.

Rotina sob vigilância no sistema federal
Todas as correspondências enviadas e recebidas por presos em penitenciárias federais passam por leitura prévia de agentes responsáveis pelo monitoramento, procedimento que busca impedir a transmissão de ordens criminosas para fora das unidades.

Marcinho VP relata que o controle interfere na privacidade das mensagens e afirma que algumas cartas chegam à cela com trechos riscados. Ainda assim, o protocolo permanece obrigatório dentro do sistema penitenciário federal.

Submetido a regime rigoroso de isolamento, ele está próximo de atingir o limite máximo de cumprimento contínuo de pena vigente à época da condenação, de 30 anos, com previsão de saída em setembro de 2026. No entanto, uma prisão preventiva decretada em 2024, relacionada a um processo sobre roubo de veículos na Zona Norte do Rio de Janeiro, pode impedir sua libertação.

Produção literária no cárcere
Além das manifestações sobre a família e questões jurídicas, o detento afirma dedicar grande parte do tempo à escrita. Segundo seus relatos, já produziu seis livros — quatro publicados — e trabalha atualmente em uma nova obra intitulada “Os mutilados”. Ele integra a chamada Academia Brasileira de Letras do Cárcere, ocupando a cadeira número um, batizada em homenagem ao escritor Graciliano Ramos. Nas cartas, define a escrita como parte essencial de sua rotina no presídio."

Escrever é algo libertador", definiu. A repercussão das declarações ocorre em meio ao avanço do processo judicial envolvendo Oruam, cujo desfecho ainda dependerá das decisões da Justiça nos próximos meses.