HOME > Geral

Em cartaz: PT e PSB ou "A soma de todos os medos"

O título do filme hollywodiano de 2002 cai como uma luva para a relação vivida atualmente entre o PT e o PSB. As movimentações políticas do governador de Pernambuco e presidente da sigla socialista, Eduardo Campos, assustam o PT enquanto ele próprio procura não trombar de frente com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Enquanto suas intenções ainda são uma incógnita, colunistas e analistas políticos tentam decifrar o que se passa no roteiro escrito pelo dirigente do PSB

Em cartaz: PT e PSB ou "A soma de todos os medos" (Foto: Edição 247)

Paulo Emílio_PE247 - Depois do recado do PSB de que não pleiteia novos espaços no Governo Dilma, o presidente da sigla socialista, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estaria entrando no ciclo “acende-apaga”, conforme a colunista do Correio Brasiliense, Denise Rothenburg, Na avaliação da jornalista, ao mesmo tempo em que faz um movimento mais ousado em dreção ás eleições presidências de 2014, Eduardo Campos se retrai logo em seguida, evitando maiores atritos com a presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores.

Esta movimentação teria sido iniciada ainda na eleição da mãe do governador, a deputada Ana Arraes, para integrar os quadros do Tribunal de Contas da União (TCU). Situação parecida teria acontecido nestas eleições municipais, quando o partido lançou candidatos próprios em várias cidades ou aliou-se ao PSDB, eterno rival do PT. Logo em seguida, o socialista se “apagaria” por uns tempos de maneira a esfriar a fervura até reaparecer no instante seguinte.

Na avaliação da colunista, cada movimento feito por Eduardo é pensado de maneira a maximizar os efeitos positivos e minimizar eventuais danos colaterais.  Este seria o caso, segundo um outro colunista, o jornalista Ilimar Franco, de O Globo, da candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) à Presidência da Câmara. De olho no clima tenso, Eduardo teria dito ao correligionário que “o partido não dará prioridade a esta batalha”. O governador teria observado, ainda, que o assunto não teria sido submetido à decisão da direção da legenda.

A posição do mandatário Pernambuco pode ser explicada através da nota de um outro colunista, Lauro Jardim, da Veja, aonde, segundo o publicado em sua coluna, a presidente Dilma Roussseff teria mandado um recado curto e  grosso ao líder do Governo na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia, que disse ver com bons olhos a candidatura de Delgado ao comando da Câmara. Dilma teria dito em alto e bom som que o nome da base é Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Além de não querer bater de frente com a presidente, Eduardo também teria observado que, caso Delgado tenha menos de 200 votos, o seu cacife político ficaria enfraquecido. Diante disto, teria optado por não ficar ao lado do correligionário em uma disputa que poderia lhe fazer mais mal do que bem.

Denise Rothenburg observa, também, que o PT vive uma crise interna, estando dividido após o resultado do pleito municipal. Este fator associado ao fato de que a situação econômica do Brasil ainda não está 100% segura diante da crise financeira mundial, não deixa a presidente Dilma numa posição muito confortável de maneira a obter uma vitória fácil em 2014.

Um outro ponto a ser levado em consideração seria a aproximação do PSB com o PSDB, que também vive uma crise em São Paulo após a derrota de José Serra para o petista Fernando Haddad. A soma de todos estes fatores é que fortalecem o ensaio de uma candidatura presidencial por parte do PSB.

Mas para isto seria necessário fortalecer o partido e fechar uma série de alianças. E, na avaliação da colunista, o PSDB não estaria levando muito a sério unir suas fileiras com as hostes socialistas. Isto porque o senador mineiro Aécio Neves é o potencial candidato tucano para enfrentar a presidente Dilma em 2014. A prioridade, neste caso, seria a mesma de Eduardo: construir um novo discurso de maneira a apresentar-se como uma alternativa ao modelo de gestão petista.

Em meio as análises e especulações, apenas uma coisa é certa. A reunião entre o dirigente socialista e a presidente Dilma, que deverá acontecer na próxima semana, será determinante para se conhecer o que se passa pela cabeça do governador de Pernambuco e os seus planos para 2014.