Em tom pacífico, Geraldo Júlio diz contar com Costa
Prefeito eleito do Recife, Geraldo Júlio (PSB) diz em entrevista que espera ter o apoio do petista como senador, derrotado na eleição de outubro; socialista deu a entender que desunião interna no PT não atrapalhará sua gestão, mesmo após petistas terem recebido a a pasta da Habitação no município; desde o término da eleição, ele diz ter buscado “unir as pessoas, os partidos e movimentos sociais”
PE247 – Ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e prefeito eleito do Recife, Geraldo Júlio (PSB) minimizou a intransigência da ala da corrente petista Construindo Um Novo Brasil (CNB), liderada pelo senador Humberto Costa, derrotado no pleito deste ano, e disse que o parlamentar ajudará na gestão do socialista na capital pernambucana. Adotando um estilo "paz e amor" em entrevista à Folha de Pernambuco, o futuro gestor fez questão de agradecer ao chefe do Executivo municipal, João da Costa (PT), por uma transição de governo "harmoniosa" e continua desconversando sobre a possível candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à presidência em 2014.
"Eu já tive a oportunidade de encontrar Humberto Costa, ele participou da reunião da bancada em Brasília, ajudou nas emendas e deu declarações públicas de que, como senador, apoiará nosso governo", afirmou Geraldo Júlio ao jornal recifense. "Sei que poderei contar com o apoio dele, como senador", acrescentou. Por sua vez, Humberto Costa já deixou claro, por meio de nota, que pretende ajudar o Recife, porém sem aderir à Frente Popular (FP), formada por 14 partidos e encabeçada pelo PSB.
À Folha, o socialista deu a entender que a desunião interna no PT não atrapalhará sua gestão, mesmo após os petistas terem sido contemplados com a secretaria municipal da Habitação. Geraldo Júlio afirmou que desde o término da eleição, tem buscado "unir as pessoas, os partidos e movimentos sociais".
A indefinição sobre apoiar ou não o PSB tomou conta do Partido dos Trabalhadores após o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ter lançado candidatura própria e vitoriosa, o que deixou os petistas ressentidos. Ambos os partidos são aliados históricos e, embora o Diretório Municipal do PT tenha aprovado a adesão à Frente, uma ala da CNB, simpática a Humberto Costa, derrotado no pleito deste ano, não apoiou a decisão e defende a "independência" da sigla na próxima legislatura.
Contemplar o PT com uma pasta na prefeitura poderia causar pequenos estragos na Frente Popular, uma vez que, devido às duras trocas de farpas durante a corrida eleitoral entre petistas e socialistas, alguns partidos da Frente poderiam não aceitar a ida dos petistas ao palanque. No entanto, Geraldo Júlio rechaçou tal hipótese.
"Estou tranquilo. Nossa coligação está com muita unidade. Vocês não viram nenhuma manifestação de insatisfação, durante a campanha, e estamos tocando o processo agora com muita unidade. Todos estão tendo a oportunidade de nos ajudar e estamos muito tranquilos", declarou o socialista.
O atual prefeito do Recife, João da Costa, foi um dos "vitoriosos", pois também defendia a adesão, diferentemente dos seus desafetos Humberto Costa e o ex-prefeito João Paulo, vice na chapa majoritária do PT neste ano. Geraldo Júlio agradeceu ao atual prefeito por uma "transição harmoniosa" e pela indicação de Eduardo Granja à pasta de Habitação.
"Nós procuramos o partido e ele fez a indicação de dois nomes. Estamos satisfeitos porque [Eduardo Granja] é um nome dedicado e que, com certeza, desempenhará um bom papel na gestão. Também quero agradecer o trabalho do prefeito João da Costa, que colaborou conosco, abriu as portas da sua gestão, nos oferecendo todas as informações necessárias. Sabemos a importância de ter um processo de transição em harmonia e não vemos muitos gestores fazendo este trabalho desta forma", observou.
Além de comentar sobre sua administração e relação com os outros partidos da Frente Popular, Geraldo tem sido questionado com frequência sobre a candidatura de Eduardo Campos à presidência. Mais uma vez, o socialista deixou um "vazio", mantendo-se alinhado com o discurso do governador, sem deixar clara a posição que Eduardo tomará em 2014.
"O governador é um grande quadro da política nacional, reúne habilidades administrativas e políticas grandes. E a prova é a aprovação histórica dele. Não temos registro de outro governador no Brasil que tenha aprovação tão alta quanto a dele", finalizou.