Envelhecer com saúde. Uma realidade cada vez mais presente

Um relatório americano mostra que a boa saúde dura cada vez mais ao longo da vida e que os problemas graves quase sempre ficam limitados aos últimos anos de existência.

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Por Damien Mascret – Le Figaro

«Vida longa e boa saúde.» A saudação à moda do Sr. Spock em Star Trek, a série de ficção científica, está se tornando realidade? Os peritos do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas Americano (NBER)  acabam de confirmar em um relatório preliminar, a existência do que especialistas em saúde pública chamam de «compressão de morbidade ». Em outras palavras, a ocorrência cada vez mais tardia na vida, de doenças crônicas como diabetes ou artrose e a acumulação de graves problemas de saúde nos últimos anos de vida ou nos últimos meses.

Os especialistas de Cambridge e de Harvard solicitados pelo NBER têm trabalhado em cima de dados acumulados a cada ano, desde 1991, no estudo Medicare (MCBS Survey), abrangendo uma amostra representativa de cerca de 10 mil pessoas, para redigir seu relatório preliminar apresentado para um debate público. Eles concluíram que nos Estados Unidos há tanto um aumento do prazo de vida sem invalidez quanto uma redução da expectativa de vida sem invalidez. Em suma, a compressão da morbidade existiria, sem dúvida. Eles relatam também um aumento da expectativa de vida para aqueles que estão sofrendo de uma doença grave.

Deficiências são maiores nos países subdesenvolvidos

É possível que esse fenômeno seja ainda mais pronunciado na França e em outros países desenvolvidos. Publicado há poucos dias na revista online PLoS One , um trabalho realizado conjuntamente pelo University College de Londres (UCL) e pela universidade de Lucerna na Suíça, compara o estado de saúde dos americanos e dos europeus entre 50 e 85 anos de idade. Os pesquisadores, dirigidos pelo Prof.  Morten Wahrendorf, concluíram que «as deficiências (tais como a redução da mobilidade e dificuldades nas atividades do cotidiano) são mais frequentes e ocorrem mais cedo em países com a política social menos desenvolvida e onde as desigualdades socioeconômicas são mais pronunciadas». Eles observaram também que as dificuldades do cotidiano ocorrem bem mais tarde do que os problemas de mobilidade surgem geralmente após os 70 anos de idade.

Saúde melhor na Europa que nos Estados Unidos

No total, os países que se saíram melhor são os do Norte da Europa e da Europa Ocidental (incluindo a França), à frente do Sul da Europa, do Reino Unido e da Europa Oriental. Os Estados Unidos estão no final do pelotão. No entanto, a análise detalhada mostra que após os 70 anos de idade, as taxas de incapacidade para as atividades do cotidiano sobem acentuadamente na Europa Oriental e no Sul da Europa. «Já sabíamos que a saúde da população era pior nos Estados Unidos do que no Reino Unido ou na Europa, explica para o Le Figaro Mel Bartley, professor emérito da UCL, mas o que é novo é ver que esta lacuna de saúde existe, tendo 50 anos ou 75 anos de idade.»

Prof. Peggy McDonough, da Escola de Saúde Públlica Dalla Lana na Universidade de Toronto não está surpreso com esses resultados: «De modo geral, a saúde das populações é melhor nos regimes sociais-democráticos do que nos outros. Mas, diz ela, embora o Reino Unido e os Estados Unidos sejam considerados regimes liberais, os britânicos parecem mais saudáveis do que os americanos.»

Em um artigo publicado em 2011, ela tinha apontado a falta de rigor científico daqueles que viam na saúde, a ilustração dos méritos do Estado-Providência. «Ao contrário do que prevêem as teorias sobre o Estado-Providência, ela nos diz, as desigualdades sócio-econômicas da saúde não estão necessariamente mais reduzidas em países sociais-democratas.» Peggy Bartley observa, no entanto que «nos países da Europa Oriental ou Sul da Europa que têm políticas sociais menos generosas, as doenças aumentam mais com a idade do que naqueles do Norte da Europa».

 

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