Época detona Gabrielli

Potencial candidato do PT ao governo da Bahia em 2014, José Sergio Gabrielli é criticado como o executivo que conduziu a Petrobras no ápice da gestão politizada e sem foco na eficiência

Época detona Gabrielli
Época detona Gabrielli (Foto: MARCELLO CASAL JR )
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247 - O editorial da revista Época deste fim de semana é um duro ataque no secretário de Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, potencial candidato ao Palácio da Ondina em 2014. Leia abaixo:

Os prejuízos da politização da Petrobras

REVISTA ÉPOCA
 
Em novembro passado, quando a Ambev, empresa de bebidas que vende cerveja e refrigerante, ultrapassou a Petrobras em valor de mercado, com base no preço das ações negociadas na Bolsa de Valores, os problemas de gestão da estatal do petróleo ficaram evidentes. O julgamento dos investidores nos pregões das Bolsas costuma ser implacável. As empresas mais eficientes, com foco nos resultados, são premiadas. Suas ações despertam a cobiça geral, e as cotações de seus papéis sobem, de acordo com a lei da oferta e da procura. Em contrapartida, as companhias que não seguem os mandamentos da boa gestão costumam ser punidas. Os investidores fogem de seus papéis, e as cotações desabam. Na semana passada, o valor de mercado da Petrobras regredira ao patamar de 2009. Representava apenas 65% de seu patrimônio, a pior relação desde 1999.

Isso ocorreu porque aquilo que já se imaginava ruim se revelou ainda pior com a divulgação do balanço da Petrobras em 2012. Símbolo do nacionalismo econômico no Brasil, ela teve no ano passado seu pior desempenho desde 2004.0 lucro líquido caiu 36% em relação a 2011, a produção caiu 2% e a dívida líquida chegou a R$ 147,8 bilhões (203% maior do que em 2008). Esses resultados negativos são uma consequência de uma gestão politizada e sem foco na eficiência, cujo ápice talvez tenha ocorrido no período em que ela esteve sob o comando de José Sérgio Gabrielli durante o governo Lula. Sob a gestão do PT, a Petrobras, entre outros desvios, voltou a ser usada pelo governo como instrumento de política econômica. Mesmo com o recente reajuste na gasolina e no diesel, os preços dos combustíveis têm sido mantidos artificialmente baixos em relação ao mercado internacional para não elevar ainda mais a inflação.

Essa política cobra um custo alto da empresa - não só porque a Petrobras é obrigada a vender mais barato no Brasil, mas também porque ela passou a importar combustível para suprir a demanda crescente. Os preços desatualizados dificultam, ainda, o programa de investimentos da Petrobras, que promete desembolsar R$ 97,7 bilhões neste ano para finalmente tentar destravar a exploração do petróleo nas camadas de pré-sal. O modelo adotado pelo governo para o pré-sal sobrecarregou a empresa. Ela deverá participar da exploração de todos os campos e é obrigada a comprar de fornecedores com, no mínimo, 60% de conteúdo nacional. Com isso, o governo pretende estimular a indústria brasileira. No fim, a Petrobras acaba pagando mais pelos mesmos produtos - alguns de qualidade inferior, como sondas petrolíferas vendidas por estaleiros que nem tinham habilitação para produzi-las.

Quando a presidente da Petrobras, Graça Foster, foi guindada ao cargo, há um ano, sua nomeação gerou a expectativa de que a empresa voltaria a se guiar por parâmetros mais profissionais. Ao reconhecer que a Petrobras ainda terá um ano difícil em 2013, Foster adota uma elogiável postura de transparência que contrasta com seu antecessor. Mas uma mudança de rumos na empresa só se confirmará com resultados concretos. Os péssimos números de 2012, aliados à conhecida proximidade de Foster com a presidente Dilma Rousseff, aumentaram o ceticismo de que tal guinada possa ocorrer.

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